Darius recobrou a consciência engolindo poeira e sangue. O ar tinha gosto de pedra moída. Abriu os olhos devagar; a vista estava turva, o ouvido zumbia, algo quente escorria pela têmpora. Levou os dedos até o líquido. Sangue.Virou-se com dificuldade e só então percebeu o cenário ao redor. O chão estava tomado por blocos de pedra quebrada, colunas partidas, pedaços de mármore espalhados como lâminas. O teto, rasgado de dentro para fora, deixava entrar uma luz cinzenta e fria da noite, como um ferimento aberto no palácio.Ainda havia nuvens de poeira negra, misturadas ao cheiro de fumaça, sangue e pedra queimada. O trono estava reduzido à metade. E, perto dos degraus, restava o rei, Rhanzur, mutilado, respirando apenas por teimosia. Sem os braços, sem um dos calcanhares, as pernas cobertas de sangue escuro, tremendo de maneira involuntária.Darius tentou se mover e só então percebeu que metade do corpo estava sob os escombros. A cabeça latejava como se estivesse se afogando.Ergueu o o
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