TieranEu percebi antes mesmo dela abrir a boca.Caminhamos em silêncio por quase quinze minutos, o tipo de silêncio que pesa nos ombros e aperta o peito. Nari não comentou a paisagem prateado do anoitecer, não fez perguntas bobas, não reclamou do cansaço. Em um momento, parou de repente, como se as pernas tivessem desistido, e pediu para se sentar. Obedeci sem questionar, sentando ao lado dela na areia ainda quente.Ficamos ali, o tempo arrastando-se devagar demais. Ela estava bem na minha frente, mas parecia a quilômetros. Os ombros rígidos, as mãos entrelaçadas com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, o olhar fugindo do meu toda vez que eu tentava capturá-lo.O silêncio dela não era vazio. Era carregado. Não era timidez. Era pavor.“Você tá estranha”, falei por fim, baixo, sem acusação. “Desde mais cedo.”Ela respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido, mas não respondeu.Aproximei-me devagar, dando espaço para ela não se sentir encurralada. Encostei os dedos de
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