POV de EnzoA luz da manhã entra pelas janelas da cobertura com uma insolência dourada, mas, pela primeira vez em anos, isso não me incomoda. Fico imóvel na cama, observando o ritmo pausado das costas de Elena enquanto ela dorme. A seda negra dos lençóis se molda às suas curvas, aquelas que eu mesmo memorizei antes que o bisturi as tocasse.Ontem à noite não foi um combate. Foi uma rendição. Ou, pelo menos, é o que meu ego quer acreditar.Levanto-me com um esforço contido, tentando não acordar a mulher que finalmente parece ter aceitado sua gaiola. Ao descer para a cozinha, Marcello me espera com o café e um maço de relatórios, mas seu rosto reflete uma inquietude que não combina com meu estado de euforia.— Senhor, os extratos de conta da divisão de transporte estão prontos para sua assinatura — diz Marcello, evitando meu olhar. — Mas há algo mais. Uma chamada interceptada há dez minutos.Bebo um gole de café, sentindo o calor queimar minha língua. — De quem?— De Antonio Wilson.O n
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