KAELEN O silêncio que se seguiu à minha revelação foi tão denso que parecia ter peso. Meus pais, criaturas de uma raça que há séculos esculpira a arte da contenção emocional em sua própria biologia, estavam, pela primeira vez em minha memória, completamente desarmados. As linhas ao redor dos olhos do meu pai, normalmente tão controladas, estavam tensas; a boca da minha mãe, sempre curvada em um sorriso diplomático, estava aberta em uma expressão que beirava o horror. Se eles tivessem sido humanos, eu poderia ter visto palidez, tremores, talvez lágrimas. Mas a expressividade aurélia era um espectro limitado; mesmo assim, eu conseguia ler o espanto gravado na rigidez de seus ombros, no brilho congelado de seus olhos dourados.Respirei fundo, sentindo o peso do momento. A mentira, ou a omissão, já não era uma opção. O segredo maior havia sido revelado, e agora a única maneira de proteger Maya e nosso filho era assumir o controle da narrativa.— A situação é mais complexa do que parece —
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