“Aquilo que é reprimido retorna, muitas vezes de forma violenta.” Sigmund FreudHelena acompanhava o movimento crescente do pavilhão com atenção serena. O fluxo de pessoas se intensificava: visitantes curiosos, lojistas atentos, decoradores, repórteres, engenheiros, arquitetos, consultores. Tudo se misturava num vaivém constante. Ela ouvia as explicações precisas das recepcionistas da Orsini para quem se aproximava do balcão — ninguém saía dali sem um panfleto, um cartão, um contato. Dentro do estande, seus colegas também se destacavam, conduzindo conversas que despertavam ainda mais o interesse em cada novo visitante.Não havia euforia. Havia permanência.As pessoas ficavam. Demoravam-se. Faziam perguntas que iam além do preço — queriam saber de onde vinha a ideia, o porquê das formas, o sentido das escolhas de materiais. Aquilo a atravessou com uma satisfação calma, quase íntima.Funcionava.O estande não competia com os outros. Ele acolhia. Criava um intervalo dentro da feira — um
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