POV LIANNAO centro cirúrgico é o único lugar onde o mundo cala. Ali, ninguém pergunta se estou bem. Só se estou pronta.E eu estou.A cirurgia começa tensa. Viviane está como segunda assistente, coincidência calculada, claro. Luvas calçadas com calma demais. Olhar atento demais. Gente assim não erra por descuido. Erra por intenção.— Tempo — peço, firme.Ela demora meio segundo a mais do que deveria.Eu sinto. Meu corpo sente.— Agora, Viviane.Ela obedece. Sorriso mínimo por trás da máscara. Joguinho barato.O procedimento segue. Cada passo meu é preciso, quase cruel de tão perfeito. Não porque quero provar algo a ela, mas porque não posso falhar. Não hoje. Não nunca. Falhar seria dar a ela exatamente o que quer: uma narrativa.Quando termino, o silêncio pesa. Depois, o bip estável do monitor.Vida salva. De novo.Tiro as luvas. Lavo as mãos. Meu reflexo no aço não me devolve vitória, só exaustão.No corredor, Viviane me alcança.— Sorte a sua — ela diz, doce demais. — Um dia ruim p
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