Amanda desceu as escadas como quem engole vidro.Cada degrau era um insulto que rebatia na sola do salto, ecoando pela mansão com uma fúria silenciosa. O coração batia rápido, mas o que a movia não era fragilidade, era orgulho ferido. Orgulho de mãe, de mulher que sempre controlou tudo e todos ao redor. Orgulho de quem tinha certeza de que a vida da filha era uma extensão do próprio roteiro.E, naquele quarto, Clara tinha arrancado o roteiro de suas mãos.A cada passo pelo corredor, Amanda revia a cena: os olhos da filha firmes, a postura ereta, as respostas afiadas, a ousadia de dizer que aquela vida, por mais emprestada que fosse, pertencia a ela. Que usaria o nome da irmã, o lugar da irmã, o marido da irmã&hel
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