Cap.118O covil estava irreconhecível.As jaulas de aço ainda estavam lá, as fileiras e fileiras de celas que antes guardavam homens encolhidos, gemidos, desespero. Mas agora, dentro delas, não havia mais prisioneiros.Havia cães.Cachorros abandonados de todas as espécies e tamanhos. Vira-latas caramelo, labradores de pelos desgrenhados, pastor alemão mancando, pinscher tremendo no canto. Cada jaula continha um ou dois animais, com tigelas de água e ração, cobertores limpos, brinquedos de borracha.O chão, que antes era manchado de sangue, estava limpo, tão limpo que refletia a luz das lâmpadas novas no teto.As paredes, antes cobertas de mofo e manchas escuras, haviam sido pintadas de branco. O cheiro de desinfetante misturado a pelo de cachorro preenchia o ar e também de tinta. Como se realmente o lugar tivesse sido recentemente pintado.— O que... — Axel começou, a voz falhando.Adon caminhou devagar pelo corredor central, os olhos percorrendo cada jaula, cada animal. Alguns se ap
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