Leonel tirou o pé da porta, mas não se moveu. Sua voz era baixa e firme, quase um pacto.— Ele não está aqui. E mesmo que estivesse, eu não permitiria outra cena como a de hoje. Eu sou Leonel Dias. Ele pode ser um monstro, mas tem medo de que o mundo, e especialmente eu, veja a extensão da sua monstruosidade. Você precisa comer. São ordens médicas, e você precisa de forças para o que ele a mandou fazer no jardim.Ravid, que estava quieto ao lado do pai, deu um passo à frente, seus grandes olhos fixos nela.— Natali, o tio Apolo se foi. Vem. Por favor. Eu prometo que vou sentar ao seu lado e te dou um pedacinho da minha comida. O abraço mágico só funciona se você ficar forte.A inocência de Ravid atingiu Natali como um golpe suave. A fome era uma dor incômoda, o frio da humilhação, uma agonia maior, mas a ternura do menino era uma necessidade da alma. Ela pensou nas ordens de Apolo: Mas para cumprir essa sentença de vida, ela precisava viver. Precisava de força.Ela olhou para o chão,
Ler mais