O caminho até o carro seguiu leve, ainda carregado das risadas e provocações que tinham ficado para trás no restaurante, mas, conforme o silêncio começou a se instalar entre eles, algo mudou de forma quase imperceptível. Não foi brusco, nem evidente demais… foi sutil, como um fio de tensão que se estica devagar. A maneira como ele a olhava, mais atento do que deveria. A forma como ela evitava aquele olhar… e, ao mesmo tempo, não evitava o suficiente. Heitor abriu a porta para Laís com cuidado, segurando a mão dela no processo, e o toque demorou um segundo a mais do que o necessário, firme, presente, carregado de intenção. — Devagar… — Não estou doente. — ela respondeu, mas não soltou a mão de imediato. Ele apenas assentiu, os olhos ainda presos nos dela. O carro seguiu pela cidade iluminada, o reflexo das luzes deslizando pelo rosto dela, pelo colo marcado pelo vestido azul, pela curva evidente da barriga que, de alguma forma, a deixava ainda mais bonita. Heitor desviou o
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