KieranO sonho começa com escuridão. Não a escuridão comum da noite, mas aquela escuridão pesada que antecede tragédias. Estou de pé no meio da floresta, o chão coberto por neve escura, e sei que algo está errado antes mesmo de ver.— Melissa… — chamo.Minha voz não ecoa. O vínculo existe, mas está fraco, distorcido, como se alguém estivesse apertando meu coração com mãos invisíveis. Fenrir se agita dentro de mim, rosnando baixo, desconfiado.— “Isso não é real.”Mas parece. Caminho alguns passos e a vejo. Melissa está à frente, de costas para mim, parada no meio da clareira. O cabelo solto, o vestido branco sujo de sangue na barra. Corro até ela.— Melissa, sai daí!Ela se vira devagar. Os olhos dela não são mais dela. São negros. Vazios. Profundos como um poço sem fundo.— Você demorou. — ela diz, com uma voz que não é a dela.O ventre dela se ilumina, não com luz da Lua, mas com um brilho escuro, pulsante. O som de um segundo coração ecoa alto demais, errado demais.— Não… — sussurr
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