65. Muito Sangue
Sinto o mundo desacelerar no minuto em que entro em casa. As luzes estão apagadas, o silêncio é quase sufocante — pesado, denso, frio. Tudo parece parado no tempo, como se a casa, de alguma forma, soubesse o que está prestes a acontecer. Subo as escadas às pressas, o coração disparado, cada passo ecoando pelo mármore. Quero encontrá-la. Quero dizer que vamos resolver tudo, que ficaremos bem sendo só nós dois e o Alek. Quero dizer que eu me exaltei, que o medo falou mais alto. Que eu não quis magoá-la. Mas, quando cruzo a porta do quarto, tudo o que encontro é silêncio… e destruição. Cacos de vidro espalhados pelo chão, o porta-retrato que ficava ao lado da cama está quebrado, a foto de nós dois coberta por estilhaços. O lençol amassado, a cortina aberta, o vento frio entrando sem pedir permissão. O quarto parece um retrato perfeito do que eu me tornei: ruína. — Sophie? — chamo, a voz embargada. Nenhuma resposta. O coração b**e mais rápido, pesado, quase dolorido. Caminho sob o
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