Fechei a porta do quarto atrás de mim e me joguei na cama, mas não consegui descansar. A raiva e a dor ainda estavam ali, latejando. Não queria me deixar levar por esses pensamentos, então me levantei e fui até a escrivaninha. Abri o diário, respirei fundo e escrevi:"Foi você, né? Que falou comigo mais cedo? Pela minha cabeça?"Esperei alguns minutos, o silêncio quase me sufocando, até que a resposta surgiu: "Sim, fui eu."Um sorriso escapou, mesmo com o coração apertado. Peguei a caneta novamente: "Como fez aquilo? Digo, de se comunicar assim comigo?"A resposta veio rápida, mas curta: "É complicado."Sorri sozinha, mordendo o lábio. "Esqueci, lindinho, que você é misterioso."Demorou alguns segundos, e então as palavras apareceram na página: "Vai teimar com esse negócio de lindinho, né, coisinha?"Ri baixinho, sentindo o peso da noite se aliviar um pouco. Pela primeira vez desde a assembleia, meu peito não parecia tão sufocado.A caneta parecia pesar na minha mão, mas escrevi mesmo
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