429. O grande dia
Gabrielle Goldman O vestido era mais pesado do que parecia, e não, eu não estou falando de tecido, de costura, de renda francesa ou das camadas delicadas que Leslie fez questão de escolher como se estivesse montando uma vitrine e não vestindo uma mulher prestes a atravessar um altar, estou falando de um peso que não se mede com as mãos, que não se calcula em gramas, que não se alivia soltando um botão ou desfazendo um laço, porque ele não estava sobre o meu corpo, estava sobre o significado daquele corpo ali naquela noite, sobre o que ele representava para todos os que aguardavam do lado de fora, para as famílias, para os contratos, para as expectativas que jamais foram verbalizadas com honestidade. Eu sentia como se cada ponto daquela costura tivesse sido feito para me manter ereta, impecável e silenciosa, como se o próprio vestido fosse um lembrete de que não havia espaço para fraqueza sob o branco impecável que simboliza pureza, promessa e algo que eu já não sabia se poss
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