437. Negação
Lucas Park Eu soube antes mesmo de entender o que estava acontecendo, antes que qualquer lógica tivesse tempo de se formar, senti aquele vazio se abrir no centro do meu peito como uma câmara sem ar, um buraco que não doía como quando a vi sem vida deitada naquela maca fria, imóvel demais para ser real, não era o vazio da morte explícita, brutal e final, mas um vazio novo, desconhecido, mais traiçoeiro, porque vinha da ausência, do desaparecimento súbito de algo que deveria estar ali e, por algum motivo, já não estava mais. Não houve grito, não houve alarme, não houve nenhuma cena digna de chamar atenção, nenhuma comoção coletiva, nenhum indício externo de que algo tinha saído do lugar; houve apenas a falta dela ao meu lado, como se o eixo em torno do qual todo o meu mundo girava tivesse sido arrancado sem aviso, e o universo, acostumado ao seu próprio movimento automático, continuasse girando por inércia, ignorando completamente que o processo de implosão já havia começado,
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