Leandro Caio O vento no topo do morro sempre batia diferente. Mais forte. Mais limpo. Como se ali em cima o mundo desse uma trégua, mesmo que fosse mentira. Eu subi na frente, como sempre fazia. Não por educação. Era instinto. Olhar antes, sentir o ambiente, ver se tinha qualquer coisa fora do lugar. Mania de quem vive cercado de problema. De quem sabe que um vacilo pode custar caro pra caralho. Mas naquela noite… não era só isso. Eu sabia que ela vinha atrás de mim. E por isso já mexia comigo mais do que deveria. Dei mais alguns passos até a beirada da mureta, de onde dava pra ver a maré lá embaixo. As luzes da cidade lá longe, o morro todo iluminado parecendo calmo… mas eu sabia que não era. Nunca foi, igual a gente. Escutei os passos dela pararem perto. Não olhei na hora. Dei um tempo. Porque, por mais que eu não quisesse admitir, eu precisava daquele segundo pra me ajeitar meus sentimentos por dentro. — Caralho… — ela soltou, baixinho. Aí eu olhei, Milena tava parada,
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