A cachoeira rugia como um coração antigo.A água despencava pelas pedras, espalhando uma névoa fria que brilhava sob a luz pálida do céu. Rocco e Helena chegaram de mãos dadas, trazendo os filhos, e por um instante nenhum deles falou. Aquele lugar guardava tudo: o primeiro toque, o primeiro beijo, o instante em que o destino deles havia sido selado.Rocco estendeu a toalha sobre a grama úmida.As crianças, sorrindo, correram até a borda da floresta.“ Mamãe, podemos nos transformar?”,um deles perguntou, os olhos dourados faiscando de excitação.Helena sorriu, com aquela doçura feroz que só uma mãe e uma bruxa podiam ter.“ Sim.”Em segundos, os pequenos assumiram suas formas lupinas e dispararam mata adentro, uivando, rolando, brincando entre árvores e sombras como filhotes livres.Rocco os observou por um momento, depois puxou Helena para perto e se sentou. Abraçou-a por trás, apertando-a contra seu peito.Beijou-lhe o pescoço, o maxilar, o canto dos lábios.Ela fechou os olhos, sorri
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