Clara Marcos está aprontando algo. Eu conheço aquele olhar. Acordo no final da tarde e, assim que viro para a poltrona, me deparo com um vestido preto lindíssimo, delicadamente estendido, como se me convidasse para usá-lo. É elegante, simples, mas com aquele toque de sofisticação que é a cara dele. Só pode ser obra do Marcos. Resolvo entrar na brincadeira. Tomo um banho demorado, passo um perfume suave e visto o vestido. No fundo da gaveta, achei o batom vermelho parecido com o que Duda adorava. Me vi lembrando da última vez que a vi usá-lo. — “Um batom pode ser uma arma, amiga. Nunca subestime o poder de entrar numa sala e ter todos olhando pra você.” Ela riu, jogando os cabelos para trás. Ri junto na lembrança, mas o riso morreu rápido, sufocado pelo nó na garganta. Inspirei fundo e, com mãos trêmulas, passei o batom, como se fosse uma forma de trazê-la comigo, mesmo que só em memória. Quando desci a escada, lá estava ele, parado no pé, me esperando. Terno impecável, sorriso co
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