O som estridente não era um convite, era uma sentença. As batidas secas na madeira da porta ecoaram pelo quarto pequeno, arrancando-me de um sono sem sonhos, tinham sido assim durante os últimos meses. Levantei-me num sobressalto, o coração já acelerado por um instinto que eu não sabia que possuía. Joguei uma blusa qualquer sobre os ombros e abri a porta, esperando encontrar o silêncio da madrugada, mas dei de cara com o pânico. Tia Rose entrou como um furacão de ansiedade. Seus olhos, normalmente gentis, estavam arregalados. — Luna, acorde seus irmãos. Agora! Vão se esconder — ela ordenou, a voz falhando num sussurro urgente. Eu a encarei, a mente ainda enevoada pela sonolência. Queria perguntar o que ela fazia ali àquela hora, por que suas mãos tremiam tanto, mas a visão dela colada à janela, vigiando as sombras da rua com o corpo rígido, silenciou minhas dúvidas. O medo dela era contagioso. Corri para o quarto dos gêmeos. Milena e Igor dormiam o sono pesado da inocência, alheios
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