Mundo ficciónIniciar sesión
Lucas, ficou realmente surpreso com a cabana que mais parecia uma casa de sonhos no meio de uma paisagem tão encantadoramente antiga que poderia ter saído de uma página de contos de fadas. A cabana era de pedra com um pé alto e pilares, entre copas de oliveiras e árvores que ele não reconhecia a espécie nem seus frutos alaranjados pêssegos ou damascos, talvez... Lucas notou um jardin lateral, uma adorável cerca baixa de pedra calcaria, um lindo alpendre de colunas com mesa e cadeiras tudo na pedra clara e bem talhada .
O grande e circunspecto soldado sempre com o rosto coberto e olhos camuflados que até aquele momento não havia voltado do interior da casa, finalmente o retornou depois de uns minutos e foi direto pegar Naeem em seu colo que dormia tranquilo... Lucas imaginou que ele tinha ido revistar a casa para saber se havia alguma ameaça.
-Vamos entrar levar o pequeno mestre a seu quarto e mostrarei o seu a vc sr. Wang. Fica logo ao lado - Ren disse a Lucas pegando uma bagagem na mala do suv.
Lucas os seguiu pegando as mochilas. Dentro, ficou mais encantado com o lugar ainda. Era como se seus sonhos tivessem sido observado por quem construira a cabana. Uma lareira de pedra alva, tapete rustico sob o piso impecável de pedra polida, tudo de cores marfin, limpo e organizado, madeira, pedra e vidro. Do lado esquerdo uma janela abobadada e abaixo o sofá marfin com almofadas de linho, um cesto com bichinhos feito de pano e algodão cru , um vaso de cerâmica , centro de madeira baixo e havia mais tres comodos dois quartos e uma cozinha. O minimalismo era puro frescor a seus olhos, tão diferente do palacio. Quando ele entrou atras do mercenário no quarto de Naeem ele estancou, coração acelerado.
Na prateleira ao lado da cama, havia livros gastos do bom uso - como os que ele tinha na escolinha de Aya- estavam bem arrumados por ordem de tamanho e nas outras prateleiras mais baixas, para que pudessem ser tocados por uma criança, havia uma coleção de animais esculpidos em madeira . Girafa, ursos, dragões, leão mas o que lhe chamou a atenção foi um inacabado e pequeno cervo com metade de um dos chifres...ele conhecia aquele brinquedo, esculpido por mãos grandes e hábeis que sabiam causar dor e morte mas também salvara varias vidas tres anos atras. Imediatamente , Lucas olhou para o mercenário, as mãos, as tatuagens na mão direita. O homem que o salvara naquele dia o" deus da guerra" tinha uma tatuagem como aquela. Seria ele também o salvador de Naeem? Como foi dele?
Naquela época, ferido na virilha por um tiro de soldados de oposição e em luto pela perda de sua pequena Aya, ele e os sobreviventes viajaram com a cruz vermelha á fronteira da Jordania, na Cisjordânia, terreno mais seguro onde dificilmente algum pais iria querer atacar por ser região de tratado de paz desde as cruzadas. Era sagrado para todas etinias do ocidente e do oriente.
A equipe especial do guerreiro grande, todo de preto, só olhos camuflados fora do gorro típico de agentes e botas militares pesadas os escoltava. Protegendo a comitiva de medicos de uma ONG humanitária e carga de água, remedio e alimentos. Eles haviam acampado junto ao hospital de campanha atentos. Aos poucos, enquanto se curava fisicamente Lucas o via sempre alerta, vigiando examinando mapas, falando com sua equipe alto e imponente pernas afastadas voz forte e grave quando precisava e nas raras horas de pausa se sentava em uma pedra e com um pedaço de madeira e uma faca, esculpia paciente e detalhadamente aquele pequeno animal fragil e bonito. Lucas só lembrou de ve-lo ir embora do acampamento antes de terminar totalmente a pequena arte e Lucas poder agradece-lo por ter se arriscado para salvar os sobreviventes e a ele.
Lucas voltou a realidade longe de lembranças dolorosas vendo-o deitar com carinho e cuidado o pequeno Naeem, tirar suas sandálias e deixar o garotinho só com a camisa e roupas íntimas por causa do calor.
- Foi ele quem salvou Naeem, não foi ?
Lucas perguntou um dia quando estava ajudando Ren na cozinha, preparando um almoço leve. Fazia calor e Naeem e o mercenário estavam á sombra da damasqueira. O menino loiro angelical com o pequeno corpo pendurado na perna longa e musculosa de seu "Hades" que esculpia outro brinquedo de um pedaço de madeira.
-Como o senhor soube? - Ren perguntou olhando pela janela de onde dava para ver as duas figuras ímpares em tão harmonia sem sequer estarem falando.
-Crianças que sofrem traumas como os de Naeem, geralmente evitam o pai biologico por medo e por se sentirem culpados por terem deixado para tras um dos pais. Criam uma ligação profunda de confiança e apego com seu salvador. Desde que os vi juntos percebi exatamente isso. Naeem confia no soldado como em ninguém.
Ren, que tinha cabelos acinzentados e feições tranquilas e confiáveis observava Lucas agora com atenção.
- Está certo, o comandante Kael foi o salvador de Naeem naquele tragico dia do sequestro.
-Sequestro?
Lucas ficou em alerta, olhos calmamente procurando o comandante
- Faz tres anos, o pequeno tinha apenas vinte e quatro meses. A patroa quis voltar para o palacio porque o patrão estava muito tempo fora... em reuniões, cuidando de negócios com seus associados em outro pais. Ela nunca gostou daqui da villa. Foi quando soubemos que o avião comercial que ela e o pequeno patrãozinho estavam, havia sido sequestrado por um inimigo antigo do patrão.
Então foi isso. Foi para ajudar no resgate da esposa e filho do Emir que o general Kael fora embora naquela época.
-Então o avião foi sequestrado por terroristas?
Sequestros de aeronaves de milionários do oriente medio, eram mais comuns do que se imaginavam. Lucas sabia como ninguém.
- Não, o patrão descobriu, nas investigações do acidente, foi da traição de sua esposa. Ela estava fugindo com a criança direto para os braços do inimigo do Emir. O irmão do Emir.