Mundo de ficçãoIniciar sessãoMeses após um grave acidente, os recém casados Andressa e Jean viajam para uma pequena casa no campo. A intenção é resgatar boas lembranças em um momento de tamanha dificuldade. Logo estranhos acontecimentos começam a atormentar a mulher, que passa a perceber uma estranha presença no local remoto. Com o tempo segredos do passado são revelados, ligando o acidente à estranha presença que Andressa sempre sente tão próxima.
Ler maisEla se enxergava. Tinha seus olhos leitosos e mortos, mas algo estava diferente. Pela primeira vez tal detalhe não a limitava. Sua pele parda era acariciada pelos raios da primavera. Os pés caminhavam descalços, a brisa calma fazia seu vestido dançar ao ritmo dos ventos.
A morena enxergava seu sorriso e seu fascínio. Rendia-se àquelas lembranças. Viajar para o campo era sinônimo de renovação. E lá estava ele, em meio às rosas de infinitas cores. O rapaz vestia uma camiseta escura e sem mangas. Na parte de baixo um moletom cor de jeans lavado e relavado inúmeras vezes. Os cabelos estavam mais longos. Jean permanecia rebelde como um adolescente, calçando um all star surrado, com seus cabelos escuros presos em um rabo de cavalo mal feito. Os olhos negros se mostravam indecisos. Qual rosa escolher?
Em meio aos perfumes, um aroma reconhecido prevaleceu. Andressa se pôs ao lado do namorado. A mesma que os observava sentiu seu coração aquecer. Retornar a um tempo era literalmente um sonho, algo muito breve. Algo que se despedaçava sempre que seus olhos se abriam para a realidade. Foi o que aconteceu. Bastou o toque do celular e ela despertou. O quarto estava em uma temperatura agradável, do lado de fora a manhã se mostrava mais iluminada do que nunca. A primavera se iniciava.
A morena era incapaz de enxergar o céu azul. Despertar após o acidente era sempre se deparar com a escuridão. Pouco a pouco a sensação gostosa foi esmaecendo, dando lugar à melancolia. Ainda fazia pouco tempo, seria difícil se acostumar. Jean estava mais cuidadoso e apaixonado do que nunca. Mostrou-se tão seguro sobre como continuar que agora eram um casal. Mas Andressa ainda se sentia entristecer. Permanecer nas trevas poderia se tornar eterno. Desejava recuperar o algo, retornar ao passado, à cabana dos bons sonhos.
Caíque dedicava suas primeiras horas da manhã e últimas horas da noite às pesquisas sobre os mistérios que envolviam a floresta maldita.Muito havia acontecido nos últimos seis meses, desde a morte trágica de Andressa, a jovem que ele agora reconhecia como atormentadores…Jorge Antônio, o pai de Tiffany, indo parar em um manicômio não levantou muitas suspeitas, para muitos a morte da filha tinha enlouquecido o homem, mas Caique dava atenção às suas palavras que saiam em blogs sensacionalistas. Ele estava sendo as
Jean permanecia derrubado no chão quando foi surpreendido por uma idosa que parou ao seu lado de repente. Ela carregava uma bengala, guiava-se por ela e foi com o objeto que bateu nas pernas do rapaz, atraindo assim sua atenção. Ele a olhou. A senhora voltou seus olhos para baixo, era cega. Tinha suas íris num branco leitoso e começou a falar.— Não acabou, ela quer você, só você... Você pre... — Nem teve a chance de terminar suas palavras, um dos policiais a tirou de lá.— A senhora não pode passar por aqui, local de um acidente... — O policial a guiava para o lado oposto ao rapaz.— Mas, mas... Não... O que... — A idosa se mostrava desnorteada e Jean se mostrou curioso sobre ela, a olhava estranhamente.— Jean, você está aí?? — O rapaz ouviu aquela voz longe vindo de seu celular e voltou a falar no aparelho.— Estou.— O que aconteceu com a Andressa? — O médico precisava ter certeza do que estava acontecendo.<
Jean suspirou aliviado ao perceber que estava prestes a se livrar do engarrafamento, já era permitido acelerar um pouco mais. Como ele odiava aquele horário! Estava ansioso para encontrar com Andressa. Há muito tempo que eles não visitavam um restaurante.Pôde pisar um pouco mais no acelerador, agora estava certo de que em dez minutos estaria chegando em casa. Livrou-se daquele nó no trânsito. Enquanto dirigia imaginou o quanto sua vida havia mudado nos últimos meses. Não pôde negar, sentiu-se estranho! A vida é tão imprevisível, tudo o que podemos controlar são nossas decisões e às vezes nem isso. Em um passado não muito distante ele ainda não dava o devido valor à Andressa, mesmo estando com ela há anos.Deveria ter aproveitado melhor esses anos, mas tamb&eac
Mal o sol havia surgido no horizonte e Andressa já estava de pé, pronta para ir para o julgamento. Arrumada, ela olhava para o marido que ainda dormia. Deveria acordá-lo para que ele se preparasse para ir à firma, mas também gostava de admirar sua serenidade. Agora ela tinha certeza de que após o julgamento e a condenação eles seriam felizes, sem mais fantasmas para atormentá-los.Olhou para seu relógio, faltava pouco para às nove da manhã e precisaria acordá-lo para ele cumprir com seu compromisso. Aproximou-se da cama e carinhosamente deu-lhe um beijo:— Acorde, belo adormecido. Você não pode se atrasar. — Sussurrou em seu ouvido.Com lentidão ele abriu seus olhos, sorriu ao ver o rosto de Andressa. Ainda estava meio sonolento quando se sentou na cama e recebeu um rápido selinho da mulher, que avisou.&mdash





Último capítulo