CAPÍTULO 2
Depois de deixar Camila em casa, Isabela pisou no acelerador e voltou para a própria casa.

Assim que saiu do carro, recebeu uma resposta.

"Daqui a sete dias, nos vemos na porta do cartório."

Ela sorriu, guardou o celular e entrou na mansão onde tinha vivido com Daniel por cinco anos.

Desde que acordou, tudo ali continuava igual.

Na parede ainda estava pendurada a foto do casamento, tirada oito anos antes.

Na imagem, ela sorria radiante.

Daniel era jovem, seguro de si e muito bonito.

O casamento dos dois tinha sido arranjado entre as famílias, mas eles também tinham crescido juntos.

Eles tinham sentimentos um pelo outro e, desde o casamento, passaram a ser um casal admirado em seu círculo social.

Daniel sempre tinha sido rebelde, mas por Isabela estava disposto a controlar o próprio temperamento.

Antes, frequentava bares e casas noturnas com frequência. Depois de se casar, nunca mais voltou.

Isabela, que antes nem entrava na cozinha, também passou a cozinhar para ele com as próprias mãos.

Mesmo quando queimava os dedos e ficava cheia de bolhas, nunca reclamava.

Se não fosse por aquele acidente, se Daniel não tivesse acreditado que ela jamais acordaria e acabado encontrando uma substituta para preencher o vazio, talvez os dois não tivessem chegado a esse ponto.

Isabela afastou aqueles pensamentos.

Também estava na hora de se desfazer das coisas daquela casa.

— Dona Marta, tire a foto do casamento da parede e jogue fora.

— Senhora, mas essa era sua foto preferida.

— Não é mais. — Isabela apontou para outras partes da casa. — E jogue fora esses objetos também. Tudo.

— Senhora, eu sei que o Sr. Daniel quase não vinha para casa enquanto a senhora estava em coma, mas agora que acordou, deveria tentar salvar seu casamento.

Isabela balançou a cabeça.

— Não vale a pena.

A empregada não teve escolha e foi obedecer.

Isabela estava cansada e se preparava para subir quando Daniel chegou.

Ele entrou furioso. Pelo jeito, não era coisa boa.

Como esperado, logo em seguida agarrou seu braço e a interrogou.

— Isabela, você é mesmo cruel. Achei que depois de três anos em coma seu temperamento tivesse mudado. Não imaginava que continuasse tão perversa!

— Você sabia que Bento é alérgico a pólen, então colocou uma pétala naquele envelope, não foi? Ele tem só um mês! Você queria matar ele? Ficou louca?

— Que alergia? Que pétala? Eu não faço ideia do que você está falando!

Isabela se soltou da mão dele, mantendo a voz calma.

— Daniel, eu nunca neguei nada do que fiz. Hoje foi a primeira vez que vi essa criança. Como eu saberia que ele é alérgico a pólen? E mesmo que soubesse, por que colocaria uma pétala no envelope e deixaria a prova pronta para você vir me acusar?

— Esse é exatamente o seu jeito de agir. Você se acha esperta demais!

Daniel não acreditou.

O peito de Isabela apertou com uma pontada.

— Acredite ou não, tanto faz. Eu disse que não fui eu, então não fui eu.

Ela se virou para sair, mas os seguranças de Daniel bloquearam seu caminho.

Isabela parou.

— O que você quer fazer?

A voz de Daniel estava gelada, como a de um demônio vindo do inferno.

— Eu me lembro de que você é alérgica à pasta de amendoim.

Naquele instante, o sangue de Isabela pareceu congelar.

Ela o encarou, sem acreditar.

Desde pequena, tinha uma alergia grave a amendoim. Bastava um pouco para seu corpo ficar coberto de manchas vermelhas e sua garganta começar a fechar.

Em crises mais fortes, podia até sufocar e desmaiar.

Daniel sabia disso melhor do que qualquer pessoa.

Por isso, sempre que saíam para comer, ele confirmava várias vezes com os garçons se os pratos continham amendoim.

— Vou fazer você provar do próprio veneno. Lívia disse que não se importava, mas você fez algo errado. Precisa sentir na pele o que é uma crise alérgica.

Assim que terminou de falar, dois seguranças imobilizaram Isabela.

Uma empregada pegou a pasta de amendoim e começou a enfiar colheradas na boca dela, uma após a outra.

Mesmo contraindo a garganta com toda a força, a pasta fria e pegajosa ainda acabou descendo por sua garganta.

A reação veio rapidamente.

Pequenas manchas vermelhas começaram a surgir ao redor de sua boca.

Sua garganta se fechou, e até respirar ficou difícil.

Isabela caiu no chão, sem forças, e agarrou o braço de Daniel.

— Me leve ao hospital... Eu estou passando mal...

Daniel não se moveu. Apenas a encarou com frieza.

— Agora sabe como é passar mal? Quando usou a pétala para provocar a alergia de Bento, pensou no quanto ele sofreria? Se admitir que errou, eu levo você ao hospital agora.

Isabela se encolheu no chão, sufocada e desesperada.

Ainda assim, insistiu.

— Eu já disse... não fui eu...

— Você não se arrepende de nada! Isabela, eu achei que você tivesse mudado! Mas ficou ainda pior!

Furioso, Daniel se virou para ir embora.

Nesse momento, uma empregada gritou.

— Senhor, a Sra. Isabela desmaiou!

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