Depois de deixar Camila em casa, Isabela pisou no acelerador e voltou para a própria casa.
Assim que saiu do carro, recebeu uma resposta.
"Daqui a sete dias, nos vemos na porta do cartório."
Ela sorriu, guardou o celular e entrou na mansão onde tinha vivido com Daniel por cinco anos.
Desde que acordou, tudo ali continuava igual.
Na parede ainda estava pendurada a foto do casamento, tirada oito anos antes.
Na imagem, ela sorria radiante.
Daniel era jovem, seguro de si e muito bonito.
O casamento dos dois tinha sido arranjado entre as famílias, mas eles também tinham crescido juntos.
Eles tinham sentimentos um pelo outro e, desde o casamento, passaram a ser um casal admirado em seu círculo social.
Daniel sempre tinha sido rebelde, mas por Isabela estava disposto a controlar o próprio temperamento.
Antes, frequentava bares e casas noturnas com frequência. Depois de se casar, nunca mais voltou.
Isabela, que antes nem entrava na cozinha, também passou a cozinhar para ele com as próprias mãos.
Mesmo quando queimava os dedos e ficava cheia de bolhas, nunca reclamava.
Se não fosse por aquele acidente, se Daniel não tivesse acreditado que ela jamais acordaria e acabado encontrando uma substituta para preencher o vazio, talvez os dois não tivessem chegado a esse ponto.
Isabela afastou aqueles pensamentos.
Também estava na hora de se desfazer das coisas daquela casa.
— Dona Marta, tire a foto do casamento da parede e jogue fora.
— Senhora, mas essa era sua foto preferida.
— Não é mais. — Isabela apontou para outras partes da casa. — E jogue fora esses objetos também. Tudo.
— Senhora, eu sei que o Sr. Daniel quase não vinha para casa enquanto a senhora estava em coma, mas agora que acordou, deveria tentar salvar seu casamento.
Isabela balançou a cabeça.
— Não vale a pena.
A empregada não teve escolha e foi obedecer.
Isabela estava cansada e se preparava para subir quando Daniel chegou.
Ele entrou furioso. Pelo jeito, não era coisa boa.
Como esperado, logo em seguida agarrou seu braço e a interrogou.
— Isabela, você é mesmo cruel. Achei que depois de três anos em coma seu temperamento tivesse mudado. Não imaginava que continuasse tão perversa!
— Você sabia que Bento é alérgico a pólen, então colocou uma pétala naquele envelope, não foi? Ele tem só um mês! Você queria matar ele? Ficou louca?
— Que alergia? Que pétala? Eu não faço ideia do que você está falando!
Isabela se soltou da mão dele, mantendo a voz calma.
— Daniel, eu nunca neguei nada do que fiz. Hoje foi a primeira vez que vi essa criança. Como eu saberia que ele é alérgico a pólen? E mesmo que soubesse, por que colocaria uma pétala no envelope e deixaria a prova pronta para você vir me acusar?
— Esse é exatamente o seu jeito de agir. Você se acha esperta demais!
Daniel não acreditou.
O peito de Isabela apertou com uma pontada.
— Acredite ou não, tanto faz. Eu disse que não fui eu, então não fui eu.
Ela se virou para sair, mas os seguranças de Daniel bloquearam seu caminho.
Isabela parou.
— O que você quer fazer?
A voz de Daniel estava gelada, como a de um demônio vindo do inferno.
— Eu me lembro de que você é alérgica à pasta de amendoim.
Naquele instante, o sangue de Isabela pareceu congelar.
Ela o encarou, sem acreditar.
Desde pequena, tinha uma alergia grave a amendoim. Bastava um pouco para seu corpo ficar coberto de manchas vermelhas e sua garganta começar a fechar.
Em crises mais fortes, podia até sufocar e desmaiar.
Daniel sabia disso melhor do que qualquer pessoa.
Por isso, sempre que saíam para comer, ele confirmava várias vezes com os garçons se os pratos continham amendoim.
— Vou fazer você provar do próprio veneno. Lívia disse que não se importava, mas você fez algo errado. Precisa sentir na pele o que é uma crise alérgica.
Assim que terminou de falar, dois seguranças imobilizaram Isabela.
Uma empregada pegou a pasta de amendoim e começou a enfiar colheradas na boca dela, uma após a outra.
Mesmo contraindo a garganta com toda a força, a pasta fria e pegajosa ainda acabou descendo por sua garganta.
A reação veio rapidamente.
Pequenas manchas vermelhas começaram a surgir ao redor de sua boca.
Sua garganta se fechou, e até respirar ficou difícil.
Isabela caiu no chão, sem forças, e agarrou o braço de Daniel.
— Me leve ao hospital... Eu estou passando mal...
Daniel não se moveu. Apenas a encarou com frieza.
— Agora sabe como é passar mal? Quando usou a pétala para provocar a alergia de Bento, pensou no quanto ele sofreria? Se admitir que errou, eu levo você ao hospital agora.
Isabela se encolheu no chão, sufocada e desesperada.
Ainda assim, insistiu.
— Eu já disse... não fui eu...
— Você não se arrepende de nada! Isabela, eu achei que você tivesse mudado! Mas ficou ainda pior!
Furioso, Daniel se virou para ir embora.
Nesse momento, uma empregada gritou.
— Senhor, a Sra. Isabela desmaiou!