Capítulo Quatro

Da sacada do 12º. andar, Felipe avistou quando um Corolla cinza estacionou em frente ao prédio.

        Papai!

O dia de sábado era sempre um dia especial para Felipe, pois era o dia que seu pai ia buscá-lo para passear.

Instantes depois, a campainha tocou e o menino abriu a porta e pulou nos braços de Daniel.

−  Papai!

−  E aí, garotão, como estão as coisas por aqui?

−  Joia, papai!

−  E na escola?

−  Tudo joia também. Pra onde vamos hoje?

Daniel sorriu.

−  Você é quem sabe.

O menino pensou por apenas um segundo.

−  Quero ir ao parque do Ibirapuera.

−  Por que não vamos ao clube de tênis? O vovô deve estar lá.

−  Prefiro ir ao parque.

Daniel colocou o menino no chão.

−  Tudo bem. Então, vá lá vestir um bermudão, um tênis e uma camiseta, como o papai. Hoje está muito quente.

Felipe deu uma boa olhada no pai.

−  OK, papai! Já volto.

Assim que o menino virou as costas, uma mulher alta e loura, usando um chambre rosa, apareceu na sala e questionou:

−  Aonde vão hoje?

−  Ao Ibirapuera – respondeu Daniel, que continuava parado ao lado da porta.

−  Tome cuidado com ele. Ouvi falar que recentemente sequestraram uma criança lá.

−  Você sabe que não há porque se preocupar.

−  A única coisa que eu sei é que vocês homens são muito distraídos.

Daniel fingiu não ouvir. Sabia que Célia, desde a separação, havia quase um ano, vivia arrumando motivos para tirá-lo do sério.

A verdade era que Célia, por ainda não ter se conformado com a separação, tornara-se ainda mais imprevisível. Por isso, ora ela tratava Daniel com completa indiferença e frieza, ora com dedicação e amizade.

Mas no fundo ela reconhecia que a culpa da separação fora muito mais dela do que dele, pois, apesar de Daniel sempre ter sido muito calmo e atencioso, ela sempre se sentira insegura e descontente, nunca valorizou a vida privilegiada que levava. Reconhecer isso, porém, não fazia que Célia mudasse o seu jeito de ser.

−  Aproveitando... – continuou ela, depois de se sentar no confortável sofá branco e cruzar as pernas compridas e elegantes. – Você já depositou o dinheiro da pensão? Consultei a minha conta ontem e não achei nada.

Daniel não fora convidado a sentar, mas, mesmo que fosse, não conseguia mais se sentir à vontade no apartamento que um dia fora seu. Por isso, continuou parado no mesmo lugar.

−  Fiz a transferência ontem à noite. Com certeza, o valor aparecerá em sua conta na segunda-feira.

−  Ainda bem. Estou precisando do dinheiro para fazer umas compras para o Felipe.

Sem comentários!, pensou Daniel, consciente de que quase todo o dinheiro que dava, Célia gastava consigo mesma.

−  Ah! Já ia esquecendo! – tornou ela novamente. – O valor da mensalidade do colégio aumentou mais de 15% este ano...

−  Eu já sei. O boleto seguiu lá para casa.

Antes de desviar os olhos para Daniel, Célia examinou as unhas que fizera havia menos de uma semana e lembrou que tinha de agendar um horário com a manicure e com a esteticista.

−  Pedi que a escola mandasse os boletos diretamente para a sua casa, para evitar atrasos no pagamento...

−  Atrasos nos pagamentos?! Sempre fiz os depósitos com pelo menos três dias de antecedência, Célia. Não havia motivos para... – Mas Daniel parou de falar, preocupado que aquele assunto levasse a uma nova discussão, como aconteceu da última vez que fora buscar o filho. – Deixa para lá. Talvez seja melhor que os boletos sigam mesmo direto lá para casa, assim posso controlar os pagamentos.

Sentindo-se insultada, Célia jogou os cabelos brilhantes como ouro para trás e perguntou:

−  Você não está querendo dizer que eu não pago as mensalidades, está?

Por Deus, pensou Daniel, que mulherzinha encrenqueira!

−  Não estou querendo dizer coisa alguma, além do que disse.

Ela ia continuar, porém Felipe reapareceu e salvou a pele de Daniel.

−  Vamos, papai.

−  Vamos! – respondeu ele, verdadeiramente aliviado.

Adriana abriu as janelas de seu quarto e contemplou com alegria o sol e o céu azul límpido. Estava feliz porque Roberto havia viajado na sexta-feira à noite para Ourinhos, interior de São Paulo, para analisar uma obra, e só voltaria na segunda à tarde.

Ah, que dia magnífico para passear!, disse a si mesma, enquanto se dirigia para o quarto da filha.

−  Vamos, querida, acorde. Vamos passear!

A menina levantou-se de um salto.

−  Passear?! – Aquela palavra era mágica. – Onde? Onde?

−  Humm... – Adriana fingiu-se pensativa. – Que tal irmos a um parque e depois ao shopping para pegar um cineminha? Também podemos comer um lanche no Bob's ou no McDonald's, o que acha?

A menina bateu palmas.

−  Oba, oba!

−  E aí, topa?

−  Topo!

−  Então vá logo tomar seu banho enquanto eu arrumo as coisas. Não quero perder um minuto a mais do que o necessário.

Não era preciso pedir mais de uma vez, a menina correu em direção ao banheiro.

Minutos depois, Adriana e Letícia, ambas de shorts e camiseta, penduraram a bicicleta no carro e seguiram para o Ibirapuera.

Feliz, Adriana batucava no volante ao mesmo tempo em que dirigia. Ela adorava dirigir, mas fazia muito tempo que Roberto não permitia que ela dirigisse e muito menos que saísse sozinha com a filha. Contudo, naquele sábado, as coisas seriam diferentes. Completamente diferentes, prometeu a si mesma.

Letícia ainda não tinha discernimento suficiente para entender por que a mãe estava tão contente, mas isso era o que menos importava naquele momento. O importante era que a mãe estava feliz, e ela também. Afinal, iam passear juntas e fazer um monte de coisas legais!, pensou, enquanto a mãe aumentava o volume do som do carro e cantava Livin'la Vida Loca, com Ricky Martin.

Após dar algumas voltas com Letícia na garupa da bicicleta, Adriana levou a filha até os brinquedos. E enquanto a menina se divertia, junto a outras crianças, ela, sentada em um banco ali perto, refletia sobre a própria vida.

Entretanto, antes que a tristeza estragasse seu dia, ela decidiu:Não! Hoje eu não vou pensar no Beto, nem em nada que me faça lembrá-lo. Não vou!

Um sorriso então voltou a iluminar o seu rosto, principalmente quando avistou um amigo, um grande amigo. Ele aproximava-se rapidamente e estava bonito, naturalmente bonito, de óculos escuros, bermuda e camiseta.

−  Dani?!

−  Dri?!

Num impulso, ela se levantou e se jogou nos braços dele. Logo em seguida se arrependeu. Não era mais uma menina de 14 anos. Ao contrário disso, era uma mulher feita... e casada.

−  Oh, me desculpe, Dani!

Ele não respondeu. Simplesmente a puxou de volta para si e a envolveu em seus braços.

−  Creio que ainda não seja proibido um primo abraçar uma prima.

Ela sorriu. E, por um instante, apenas um instante, se deixou ficar envolvida nos braços de Daniel.

−  Que surpresa boa encontrar você por aqui – disse ele, quando enfim se sentaram no banco.

−  Eu vim trazer minha filha para brincar e respirar um pouco de ar puro.

−  Eu também trouxe o meu filho.

−  E onde ele está?

−  Está ali. – Daniel apontou para um garotinho branquinho, de olhos verdes e cabelos castanhos. – E sua filha, onde está?

Coincidentemente, Letícia brincava junto ao filho de Daniel. Adriana apontou a garota de longos cabelos castanhos.

−  Acho que não vamos precisar apresentá-los.

Obviamente, Daniel percebeu que Adriana parecia mais alegre, mas não compreendeu por que a cada dez segundos ela lançava olhares para trás. Será que ela estava aguardando alguém?

−  Ela é tão linda quanto você. Na verdade, é a sua cara.

−  Obrigada. Seu garoto também é muito parecido com você.

−  Todo mundo diz isso... E o seu marido? Ele não veio?

Instintivamente, ela olhou mais uma vez para trás.

−  Não. Ele foi viajar. Volta só segunda-feira à tarde.

−  Que bom! – Daniel falara sem pensar. – Desculpe, eu... eu não quis dizer isso.

Ela fitou-o por um segundo, antes de cair na gargalhada.

−  Claro que quis.

As faces do rosto de Daniel ficaram vermelhas no mesmo instante. E Adriana lembrou que ele sempre fora tímido, desde criança.

−  Estava só brincando, Dani.

Ele soltou uma pequena risada.

−  Eu sei.

Com ar pensativo agora, Adriana olhou para a frente por alguns instantes. Depois, comentou subitamente:

−  É esquisito...

−  O que é esquisito?

−  Faz tanto tempo... tanta coisa mudou e, de repente, cá estamos nós dois... com nossos filhos... Eles parecem conosco quando éramos crianças, não parecem?

−  Parecem. – Daniel também estava olhando para a frente e pensando exatamente na mesma coisa. – Por que nunca entrou em contato, Dri?

Adriana ficou em silêncio por um momento.

−  Não é tão simples responder a essa pergunta, Dani. Mas... eu... eu nunca me senti como parte integrante da família. Sempre fui uma estranha no ninho.

Daniel estava agora com os olhos fixos no rosto de Adriana. Nunca imaginara que ela se sentisse dessa forma.

−  Por que nunca me contou que se sentia assim?

Ela lançou-lhe um olhar rápido.

−  Talvez porque doesse muito. Eu não conseguia compreender, naquela época, por que o vovô, a vovó e sua mãe me tratavam com certa indiferença. Mas depois que a verdade veio à tona, e, sobretudo, depois da morte da mamãe Filomena, eu compreendi que todos já desconfiavam que o papai... que eu...

Ela fez uma pausa. Ainda doía bastante.

−  Dri, não precisa falar disso, se não quiser.

−  Não. Tudo bem. Eu quero falar. Foi um baque descobrir que eu não era filha legítima da mamãe Filomena. Eu a amava demais. Mas muito mais difícil foi descobrir que era filha de uma prostituta beberrona. – Ela tentou sorrir diante da própria piada. – Levei muito tempo para aceitar isso, e para perdoar ao papai também. Mesmo assim, quando ele decidiu mudar-se de São Paulo e se afastar da família, eu respeitei sua decisão, porque o amava, apesar de tudo.

Ela fez uma nova pausa.

−  Eu sei que é difícil entender, Dani. Mas meu pai preferiu assim. A família da mamãe o magoara demais.

Daniel compreendia, sim, como Adriana se sentia, por isso colocou a mão discretamente sobre a dela e limitou-se a dizer:

−   Senti muito a sua falta.

−   Eu também, Dani – e respirou aliviada. – Eu também senti muito a sua falta.

Letícia e Felipe aproximaram-se de repente e, como se tivessem combinado, puxaram os pais.

−  O que foi, filha? – perguntou Adriana, curiosa.

−  Queremos ver os patinhos.

−  Patinhos?

−  Tem um lago aqui perto – explicou Daniel.

−  Bem, então vamos lá ver.

A manhã passou rapidamente, principalmente para Letícia e Felipe que adoraram passear, brincar e correr juntos.

−  O que estava pensando em fazer agora à tarde? – perguntou Daniel, algum tempo depois, quando seguiam calmamente para o estacionamento.

−  Pensei em levar a Lê ao shopping e pegar um cineminha.

−  É uma boa opção – disse Daniel, ao mesmo tempo virando-se para o filho. – O que acha, Felipe? Vamos acompanhar as garotas a um cinema?

O menino sorriu satisfeito.

−  Vamos nessa!

−  E para qual shopping vocês pretendem ir? – voltou a perguntar Daniel.

−  Ah, eu... – Adriana hesitou – nós...

−  O que foi? Não quer companhia?

−  Não, não é isso – respondeu Adriana. – É que... Bem...

Letícia deu um puxão na mão de Adriana e quase implorou:

−  Ah!, mamãe, vamos, vamos.

−  De qualquer forma, eu preciso dar um pulinho em casa e trocar de roupa. Afinal, não fica legal ficar desfilando no shopping de shorts e camiseta.

Com esse belo par de pernas vai realmente chamar a atenção, pensou Daniel.

−  Então vamos combinar o seguinte: eu também vou para casa trocar a minha roupa e a do Felipe, que por sinal está bem sujinha, e passo na sua casa...

−  Não! Na minha casa, não.

Daniel arqueou uma sobrancelha.

−  Só não quero dar margem para fofoca de vizinhos. Você sabe, né? – tentou explicar Adriana. – Sou uma mulher casada.

−  Neste caso, eu posso esperá-la em outro lugar.

Quando Adriana tornou a hesitar, Letícia puxou novamente sua mão.

−  Ah!, mãezinha, vamos. Vamos.

Ela olhou para a filha e para Felipe. É, era mesmo difícil resistir àqueles dois pares de olhinhos que aguardavam uma resposta positiva sua.

−  Tudo bem – aceitou por fim, apesar de continuar preocupada. – Nos encontramos em duas horas neste mesmo lugar.

−  Tem certeza que não quer que eu...?

−  Não, não. Aqui está ótimo.

Daniel olhava ansioso para o seu relógio quando um táxi parou quase à sua frente. Não esperava que Adriana e Letícia viessem de táxi, mas também não especulou o motivo.

−  Desculpe o nosso atraso.

−  Não tem problema algum. – Ele esperaria quanto tempo fosse preciso, embora Felipe já estivesse agoniado ao seu lado. – Vamos?

−  Vamos.

Ela fez um esforço para relaxar. Afinal, não estava fazendo nada de errado, disse a si mesma, enquanto Daniel acomodava as crianças no banco de trás do carro, afivelava seus cintos.

−  Para onde nós vamos?

−  Eu ia fazer a mesma pergunta – disse ele, após dar a partida. – Alguma preferência?

−  Não exatamente. Mas quanto mais longe melhor.

Ela procurou dar um tom divertido a sua fala, mas Daniel não pôde deixar de notar o nervosismo por trás de seu sorriso.

−  Está tudo bem, Dri? Parece um pouco tensa.

−  É impressão sua. Está tudo ótimo.

Não era impressão, Daniel tinha certeza disso. Mesmo assim, durante os mais de vinte quilômetros que percorreu para chegar a Santo André, ele não tornou a tocar nesse assunto. Até porque era quase impossível conversar qualquer coisa séria com a algazarra que as crianças estavam fazendo no banco de trás.

Ele elevou a voz para perguntar se Adriana se lembrava do quanto era sapeca quando menina e recebeu como presente um sorriso espontâneo.

−  Claro que lembro. Eu era de fato uma capetinha.

Era bom vê-la sorrir de novo, pensou Daniel, enquanto relembravam um monte de coisas engraçadas da infância em comum. Adriana começou a relaxar pouco a pouco, mas foi somente quando Daniel estacionou o carro no shopping que ela conseguiu relaxar por completo.

E ela permaneceu sorrindo facilmente durante todo o tempo em que desfilava pelo shopping ao lado de Daniel, como se fossem um mero casal passeando com seus filhos.

Depois, levaram as crianças no Bob's e comeram enormes sanduíches e batatinhas fritas, enquanto continuavam relembrando o passado. A seguir, foram ao Playland e, no final da tarde, enfrentaram a imensa fila da bilheteria para assistir a um filme que Letícia e Felipe escolheram.

E uma vez dentro da sala mal iluminada do cinema, discretamente, Daniel segurou a mão de Adriana e entrelaçou os dedos, como fazia quando criança. Ela estremeceu com o contato, mas não retirou a mão.

Já era quase meia-noite e meia quando Daniel estacionou o carro a alguns metros da casa de Adriana.

−  Obrigada, Dani. Foi um dia maravilhoso.

−  Pena que passou tão rápido – comentou ele, após dar uma olhada de relance para o banco de trás e confirmar que Letícia e Felipe estavam dormindo.

−  É verdade.

Daniel sentia vontade de tocá-la, sentia tanto que seus dedos chegavam a comichar. Não conseguiu conter-se e roçou um dedo delicadamente pelo rosto dela.

−  Então, por que não marcamos um novo encontro para amanhã? Nossos filhos iriam adorar.

Ela estava descontraída, feliz. Fazia tempo que não se sentia assim. Porém, de repente, a expressão de seu rosto se fechou.

−  Eu sei. Mas...

−  O que foi? Já tem algum compromisso?

−  Não, não.

−  Então, por que não?

−  É que meu marido pode voltar de viagem.

−  Você disse que ele só voltaria na segunda-feira à tarde.

−  Foi o que o Beto me disse, mas ele é um homem cheio de surpresas.

Ela falou em tom jovial, mas Daniel percebeu a transformação em sua expressão.

−  Dri, é impressão minha ou você tem medo do seu marido?

Ela se espantou com a pergunta e recuou para trás.

−  Por que está perguntando isso?

Pressentimento, intuição, Daniel não saberia dizer.

−  Porque às vezes você parece um passarinho assustado.

−  Oh!, eu não... – ela deu um sorriso nervoso – eu não sabia que passava essa impressão.

−  Desculpe, eu não queria deixá-la embaraçada, mas... eu preciso muito perguntar: Você é feliz com o seu marido?

−  Feliz? Será que alguém é completamente feliz neste mundo?

−  Você não respondeu à minha pergunta.

Ela correu os olhos pela rua arborizada e tranquila, antes de observar a própria casa, um sobrado branco de janelas amplas e telhas vermelhas que se destacavam com elegância por trás do muro alto, cuja reforma exigira todo o empenho do marido, mas ela pudera expressar seu gosto ao cuidar pessoalmente de toda a decoração.

−  Acho que não poderia pedir mais do que já tenho. Beto é simplesmente louco por mim.

−  Não foi isso que perguntei – insistiu Daniel, um pouco impaciente. Ele precisava muito saber.

−  Desculpe, Dani, mas já está tarde. Eu preciso entrar.

−  Dri, – ele pegou-a pelo queixo e girou o rosto em sua direção –– você não respondeu a nenhuma de minhas perguntas.

Adriana conseguiu manter a voz sem alteração, embora, no fundo, sentisse vontade de encostar a cabeça no peito de Daniel e desabafar todas as suas mágoas.

−  Dani, por favor, não vamos estragar um final de dia tão maravilhoso, tá legal?

−  Tudo bem. – A última coisa que Daniel queria era estragar aquele dia. – Então, você me liga amanhã?

Adriana tinha receio de que Roberto tivesse colocado grampos nos telefones de casa, mas, antes que pudesse recusar, Daniel pegou uma caneta e um bloquinho de rascunho no porta-luvas, anotou um número de telefone e insistiu:

−  Por favor, não me negue o prazer de ter mais um dia como este.

Adriana sorriu delicadamente, antes de guardar o pequeno papel na bolsa.

−  Está bem. Eu ligo.

Daniel tornou a roçar o dedo delicadamente pelo rosto de Adriana, enquanto tentava conter o desejo quase desesperado de envolvê-la em seus braços e beijá-la.

−  Já fazia muito tempo que eu não me sentia tão feliz, Dri. E eu...

Adriana sentiu o coração disparar, quando as mãos de Daniel deslizaram para a sua nuca, e ele se aproximou lentamente.

−  ...Mal posso esperar pelo dia de amanhã.

O rosto de Daniel estava muito próximo agora, tão próximo que Adriana podia sentir até o calor de sua boca. Entretanto, antes que ela conseguisse esboçar qualquer reação, ele depositou um beijo terno em sua testa e se afastou.

Adriana suspirou aliviada, embora, por um breve e atordoado momento, que ela mal conseguiu compreender, mas que tratou de reprimir, seu coração tenha desejado que ele a envolvesse em seus braços e a beijasse, como fizera havia muito tempo.

−  Eu também, Dani. Eu também.

Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >

Capítulos relacionados

Último capítulo