— Um hábito? Sério? — Gritei para ele. — Então talvez não me force a sair para um restaurante chique com você e sua família. Eu realmente não tive muita escolha quanto à roupa que vesti.Ele não respondeu. Apenas entrou de volta no banco de trás do carro e bateu a porta com força. Fiz uma careta e marchei até a porta da frente. Alcancei minha bolsa para pegar o chaveiro. Destranquei a porta e a empurrei, espiando o interior escuro da casa com um suspiro.Virei para trás e vi que o carro ainda estava lá; ele nunca ia embora até ter certeza de que eu havia entrado com segurança. Era uma das coisas que eu mais apreciava em Gavin Landry; me fazia pensar que talvez ele realmente se importasse.Assim que entrei, o carro finalmente partiu, e eu soltei o fôlego que nem percebera estar prendendo. Meu corpo inteiro tremia, e eu apertei o casaco dele contra mim, inspirando profundamente.Tinha exatamente o cheiro dele....No dia seguinte.— O que vamos treinar hoje? — Matt perguntou enquanto íam
POV de JudyEu não conseguia acreditar que realmente tinha concordado com isso. Encarei meu reflexo no espelho com uma expressão contrariada. Eu estava usando um terninho feminino que parecia ter me envelhecido alguns anos. Matt estava certo quando disse que eu podia perfeitamente me passar por mãe dele. Por um momento, tive dúvidas de que talvez fosse jovem demais e os professores jamais cairiam nessa. Mas essas dúvidas sumiram quando peguei uma das roupas de trabalho da minha mãe e a vesti.Olhei para o relógio e suspirei; só tinha mais alguns minutos antes do Uber chegar para me levar até a escola do Matt. Eu nem sequer sabia o que ele tinha feito para se meter em encrenca. Deveria ter perguntado, assim poderia me preparar melhor para responder. Tinha que ser a resposta de uma mãe, afinal; eu precisava parecer brava e dar uma bronca séria.Passei os dedos pelos cabelos, me perguntando se talvez fosse melhor prendê-los num rabo de cavalo baixo em vez de deixá-los soltos. Engoli em se
— Você é a esposa do Gavin Landry? — A recepcionista perguntou. — O Gavin Landry?— Sim. — Respondi cruzando os braços sobre o peito. — Tem algum problema?— Só o fato de que Gavin Landry não é casado e, se fosse, com certeza não seria com uma qualquer como você. — Disse ela estreitando os olhos. — Acha mesmo que eu sou idiota?— Eu acho que fui chamada para esta reunião porque meu filho se meteu em confusão. — Retruquei erguendo as sobrancelhas.— Olha, eu não sei quem você pensa que é, mas você certamente não é uma Landry. Nem parece ser mãe do Matthew Landry. Você parece uma criança grande vestida num terninho. Patética, fraca, e completamente inadequada pra ser uma Landry. — Ela cuspiu as palavras entre os dentes.— Lucy, tem algum problema aqui fora? — Perguntou um homem que apareceu à porta próxima. A placa indicava: Diretor Thorne.Era o diretor de Matt, o homem com quem eu deveria me encontrar.— Não, senhor. — Respondeu Lucy ainda me encarando como se quisesse me queimar viva
POV de Judy— O que exatamente está acontecendo aqui? — Gavin perguntou ao entrar na sala; seus olhos analisaram a situação e, então, se fixaram na mão que ainda segurava meu pulso com força, deixando a pele avermelhada. Vi os olhos de Gavin escurecerem de fúria ao perceber as marcas vermelhas causadas pelo diretor. — Alfa Landry. — Disse Lucy, curvando a cabeça em respeito. — É uma honra finalmente conhecê-lo. Sou uma grande fã. Eu sou a Lucy… — Eu não perguntei. — Disse Gavin, erguendo a mão para silenciá-la. Ela imediatamente calou a boca, suas bochechas ficando cada vez mais coradas. Seus olhos não deixaram os de Thorne nem por um segundo. — Solte o pulso dela. O diretor Thorne imediatamente me soltou, e eu puxei meu braço para junto do peito, massageando o local dolorido. Gavin fez um gesto com a cabeça em minha direção, e os Gammas se apressaram em me afastar do lado do diretor e me levar com delicadeza para junto de Gavin. — Alfa Gavin, houve um mal-entendido. Eu só estava p
Ele me conduziu até as cadeiras e me fez sentar em uma delas enquanto ele se acomodava na outra, seus dedos ainda entrelaçados aos meus de forma gentil.— Então, nos diga o que nosso filho fez. — Gavin disse, voltando sua atenção ao diretor, que nos observava com cautela.O diretor Thorne pigarreou e olhou de um para o outro.— Matthew se envolveu numa briga ontem no refeitório. — Explicou, me fazendo engasgar. — Não toleramos brigas nesta escola, e a única razão pela qual ele não foi expulso é por ser um Landry. Eu queria discutir com vocês a punição adequada para o garoto.Eu esperava que Gavin listasse diferentes punição para Matt; brigar na escola certamente não era aceitável, e se ele não podia ser expulso por causa do sobrenome, então teria que haver outra consequência. Esperei Gavin explodir de raiva com Matt por esse comportamento.Mas o que eu não esperava foi a calma que se instalou nele ao encarar o diretor, como se o culpado ali fosse o próprio Thorne. Ele se recostou na ca
POV de Judy— O, o que você está fazendo aqui? — Matt perguntou, os olhos arregalados enquanto encarava o pai.Gavin arqueou uma sobrancelha e encarou o filho de volta.— Fui chamado para uma reunião entre pais e professores. — Explicou. — Fiquei surpreso ao ver que sua mãe já estava aqui.Matt lançou um olhar na minha direção, as bochechas ficando vermelhas, iguais às minhas.— Minha... minha mãe... — Matt sussurrou, agora olhando para o chão.— Sim. — Gavin disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e passando os dedos pela minha bochecha, fazendo arrepios percorrerem meu corpo. — Achei que ela teria que trabalhar hoje e não conseguiria vir. Fiquei surpreso ao vê-la aqui.Matt ergueu o olhar para nos observar; perguntas surgiam em seus olhos, além de uma grande confusão. Ele estava tão perdido quanto eu. Não conseguia acreditar que o pai estava mesmo entrando na nossa mentira.— Eu pedi para ela vir no seu lugar. Não queria que você ficasse bravo comigo. — Matt admiti
Matt veio logo atrás de nós.Só paramos de andar quando já estávamos fora da escola, perto do carro em que o Beta Taylor nos esperava. Os outros guerreiros Gamma estavam posicionados ao redor, não perto o bastante para ouvirem a conversa, mas próximos o suficiente para intervir se algo acontecesse.— Querem me contar que diabos vocês dois estavam pensando? — Gavin perguntou, finalmente soltando minha mão.Baixei o olhar para o chão.— A culpa foi minha, pai. Eu pedi pra ela fingir que era minha mãe. — Matt se apressou em dizer, tentando justificar nossa atitude. — Eu não queria que você ficasse bravo. Fiquei com medo, então pedi ajuda pra Judy ontem, durante a aula.Os olhos de Gavin se voltaram para mim.— E você foi na onda? — Ele perguntou, estreitando os olhos.— Eu provavelmente deveria ter feito mais perguntas sobre o que tinha acontecido. — Admiti. — Me desculpe, Alfa. Não era minha intenção enganá-lo.— Vocês foram tolos e infantis. Acharam mesmo que ninguém faria perguntas so
POV de Judy— E ele sabe que você não é o pai biológico dele? — Perguntei, olhando para Matthew adormecido ao meu lado.Gavin assentiu.— Sabe. — Respondeu suavemente. — Ele se lembra da época com a mãe... não foi boa, e até hoje ele tem pesadelos. Começou a me chamar de pai depois que veio morar comigo.— Foi um gesto bonito da sua parte acolhê-lo. — Comentei, sentindo meu coração se aquecer com a ideia de Gavin se importar tanto com alguém a ponto de fazer qualquer coisa por essa pessoa. Ele tratava Matt como se fosse seu filho de sangue, e nunca houve qualquer motivo para eu pensar o contrário.— Ele é família. — Gavin disse com um leve dar de ombros.Eu queria dizer mais, mas não tinha certeza do que seria apropriado naquele momento. Então, fiquei em silêncio até o carro parar diante da mansão.— É melhor a gente acordá-lo pra começarmos a aula de hoje. — Falei.Gavin assentiu.Eu dei um leve empurrãozinho em Matt e deslizei minha mão pelo lado do rosto dele. Ele parecia tão tranqu