Tranquei a porta. Não bati. Tranquei.
O som do trinco foi mais alto que o salto da minha sandália. Mais alto que a voz dele chamando meu nome. Mais alto que a culpa que eu não ia carregar.
Encostei a testa na madeira. Respirei. Uma, duas, três.
O corpo ainda treme. Não de prazer. De raiva.
Porque ele achou que podia me desmontar no sofá e remontar como se nada tivesse acontecido. Como se gozar fosse sinônimo de esquecer.
Não é.
Tirei o batom vermelho com o dorso da mão. O espelho me devolve