4 O SABOR DA CULPA

Aquí tienes la traducción exacta al portugués, manteniendo de forma estricta la misma estructura de párrafos, puntuación, diálogos y palabras, respetando el tono y la intensidad del texto original:

A luz do amanhecer em Puerto Andraka não teve piedade, entrou pelas janelas panorâmicas da cobertura como um refletor de interrogatório, iluminando a desordem de lençóis de seda cinza, a roupa jogada no chão e a realidade do que acabava de acontecer.

Nuria abriu os olhos, desorientada, o aroma de sândalo e almíscar impregnava o travesseiro, por um segundo, um sorriso bobo curvou seus lábios; seu corpo se sentia pesado, dolorido no bom sentido, vivo, lembrou das mãos grandes de Alejandro percorrendo suas curvas, sua voz rouca adorando-a, chamando-a de "banquete".

But então, seu olhar caiu sobre o espelho de corpo inteiro na frente da cama e o sorriso morreu instantaneamente.

À luz crua da manhã, os fantasmas regressaram, viu a curva suave de seu ventre desnudo sobre o lençol, viu a plenitude de seus braços, viu a mulher que Gael havia chamado de "vaca" fazia menos de doze horas.

«O que eu fiz?»

O pânico fechou-lhe a garganta, havia se deitado com um desconhecido, um homem perigoso e poderoso que, certamente, agora que a visse à luz do dia, se daria conta de seu erro, a magia da noite e o álcool haviam se dissipado. Girou a cabeça com cuidado, Alejandro dormia de bruços ao seu lado, sua foto ancha e musculosa subia e baixava ritmicamente, parecia um deus pagão descansando após a batalha, era demais homem para ela, demais perfeito, se se despertasse e a olhasse com decepção… Nuria não suportaria, preferia fugir com a lembrança de seu desejo intacta a enfrentar a rejeição matinal, além disso, o medo legal a atingiu: Gael, se seu marido se inteirasse disto, a destruiria, a deixaria na rua acusando-a de adultério e usaria sua infidelidade para tirar-lhe até o sobrenome, tinha que desaparecer antes de que este homem soubesse quem era ela.

Deslizou-se para fora da cama contendo a respiração, seus pés descalços tocaram o tapete frio, recolheu seu vestido creme do chão; estava amassado e tinha uma mancha de licor seco, mas era o único que tinha, vestiu-se com mãos trêmulas e buscou sua roupa íntima, mas não encontrou a calcinha de renda preta entre o caos dos lençóis e não se atreveu a revirar por medo de despertá-lo, colocou o vestido diretamente sobre a pele desnuda, sentindo-se exposta e vulgar.

Olhou para Alejandro uma última vez, uma parte dela queria ficar, aconchegar-se contra essa foto forte e pedir-lhe proteção, mas a parte racional, a que levava três anos sendo massacrada psicologicamente, ganhou.

— Adeus — sussurrou ao ar.

Saiu do quarto descalça, com os sapatos na mão, cruzou o imenso salão e chamou o elevador, quando as portas de aço se fecharam, ocultando o paraíso proibido, Nuria apoiou-se contra o espelho e rompeu a chorar em silêncio.

León despertou vinte minutos depois, sua mão se esticou instintivamente em direção à direita, buscando calor, seus dedos encontraram lençóis frios. Abriu os olhos de golpe, seus instintos de alerta ativando-se instantaneamente, incorporou-se, o quarto estava vazio.

— Nuria? — sua voz saiu rouca, profunda pelo sono.

Ninguém respondeu.

Levantou-se nu e caminhou em direção ao banheiro, nada. Revisou o salão, nada.

Havia se ido.

— Merda — rosnou, passando uma mão pelo cabelo bagunçado.

Sentiu uma pontada de frustração no peito que o surpreendeu por sua intensidade, fazia anos que uma mulher não escapava de sua cama antes do café da manhã, normalmente, eram elas as que tentavam ficar. Mas Nuria… Nuria apenas havia buscado refúgio e agora fugia como se ele fosse o monstro.

Voltou ao quarto, ao pé da cama, algo preto chamou sua atenção no chão. Agachou-se e o recolheu.

Sua calcinha de renda.

León segurou a peça delicada em sua mão grande, o tecido era suave, rasgado em uma lateral por sua própria impaciência da noite anterior, levou-a ao nariz, cheirava a ela, fechou o punho ao redor da peça, sentindo como a possessividade escura despertava em seu sangue.

— Não vais escapar tão fácil, linda — murmurou.

Caminhou em direção à mesa de cabeceira, pegou seu telefone e discou um número rápido.

— Diga-me, senhor — respondeu Adrián ao primeiro toque.

— Ela se foi — disse León, sem preâmbulos, enquanto se dirigia à ducha —. Quero que a encontres agora.

— A garota do bar?

— Sim. Revisa as câmeras de segurança do edifício, quero saber a que horas saiu e em direção a onde foi e quero o relatório completo de quem é: Nome, endereço, antecedentes, tudo.

— Senhor, tenho uma reunião com os advogados em uma hora…

— Cancela-a — cortou León —. Prioridade absoluta, Adrián. Quero saber quem é Nuria antes de que chegue ao escritório.

Uma hora mais tarde, no 40º andar da Torre Armand Holdings.

León estava de pé em frente à janela panorâmica que dominava Puerto Andraka, usava um terno preto feito sob medida, impecável, projetando a imagem do CEO intocável que todos temiam.

A porta abriu-se e Adrián entrou, não trazia sua habitual expressão estoica, parecia tenso e incômodo.

— A tens? — perguntou León, girando-se.

— Sim, senhor. O reconhecimento facial do lobby deu positivo.

— Bem. Quem é? Está casada? Mencionou um marido imbecil.

Adrián pigarreou e afrouxou o nó da gravata.

— Senhor… creio que é melhor que veja isto você mesmo.

Deixou o tablet sobre o escritório de mogno e o deslizou em direção a León, ele se aproximou e olhou a tela, havia uma foto oficial de um evento social e nela, uma mulher posava rigidamente junto a um homem, levava o cabelo preso em um coque severo e um vestido que ocultava sua figura, fazendo-a parecer mais velha e apagada, seu sorriso era triste.

León tardou um segundo em reconhecer os olhos cor de mel, era ela, mas uma versão cinza, reprimida e triste da deusa apaixonada que havia tido em sua cama.

Depois, seus olhos moveram-se para o homem que estava ao seu lado na foto, o homem que lhe passava o braço pelos ombros com arrogância possessiva.

Gael.

O ar congelou no escritório.

León leu o texto ao pé da foto: NURIA ALCÁZAR DE ARMAND, esposa de Gael Armand.

León sentiu como se o chão desaparecesse sob seus pés.

— Gael? — sua voz baixou a um sussurro letal —. É a mulher de Gael?

— Sim, senhor — confirmou Adrián, dando um passo atrás por precaução —. Casaram-se há três anos, você estava em Singapura, enviou um presente, mas nunca a conheceu em pessoa, os relatórios diziam que era uma… caça-fortunas superficial.

León soltou uma risada seca, escura, carente de humor.

«Caça-fortunas».

Lembrou de su propio preconceito, como havia desprezado "la esposa de su sobrinho" sem conhecê-la e lembrou da noite anterior: a vulnerabilidade, as cicatrizes emocionais, a forma como ela acreditava que su corpo era um defeito quando na verdade era um paraíso.

Gael a tinha, Gael tinha esse tesouro em casa eo tratava como lixo, chamava-a de "vaca".

A fúria de León não foi glacial.

— Senhor — advertiu Adrián —, é a esposa de su sobrinho, é família política e se isto se sabe… é um escândalo.

León levantou a vista do Tablet, sus ojos cinzentos brilhavam com uma determinação aterrorizante.

— Gael a quebrou — disse León, apertando o punho —. Humilhou-a, fez com que se sentisse uma nulidade, perdeu seu direito sobre ela no momento em que a fez chorar, importa-me uma merda o escândalo, Adrián.

Caminhou em direção à porta, pegando su paletó.

— A onde vai, senhor?

— A buscá-la.

— Para quê?

León deteve-se no umbral, y su sombra parece a lo largo de sí, cobrindo todo el escrito.

— Para recordar ao meu sobrinho que nesta familia, quem não sabe cuidar do que tem, perde-o, vou reclamar o que é meu.

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