Capitulo 5

Alison Mashini sentou-se ao lado da cama de Miguel, observando o semblante inquieto da criança adormecida, com uma expressão um tanto complexa no rosto.

Um instante depois, a porta se abriu de leve. Era a Sra. Martins, a governanta pessoal da matriarca, que veio avisar que Mariana Brits já estava de saída.

Embora Mariana tivesse vindo com o próprio carro, a Sra. Martins transmitiu o recado da velha senhora, pedindo para que Alison a acompanhasse e a levasse de volta.

Alison cobriu Miguel cuidadosamente com o cobertor e desceu as escadas.

Mariana estava parada junto à porta da sala de estar, olhando para o lado de fora. Ao ouvir os passos se aproximando, ela abaixou a cabeça rapidamente e enxugou os olhos com pressa.

Alison aproximou-se e disse apenas: "Vamos."

Os dois caminharam em silêncio até o estacionamento, um atrás do outro. Assim que entraram no carro, Mariana quebrou o gelo: "A vovó me contou que a medula óssea da senhorita Fontes não é compatível."

Ela olhou para Alison e sugeriu: "Os outros membros da família Fontes ainda não fizeram o teste de compatibilidade de medula. Por que não deixamos que eles tentem também? Quem sabe não encontramos um doador compatível entre eles?"

Alison deu a partida no motor. "Quando a família Fontes foi ao hospital para aquele exame físico geral, pedi discretamente que fizessem o teste de compatibilidade cruzada no laboratório." Ele completou, frio: "Nenhum deles serve."

Mariana Brits sobressaltou-se e, após um longo silêncio, gaguejou: "Entendo..."

Ela franziu os lábios, parecendo ponderar por um momento antes de continuar: "Se realmente não houver outra alternativa, teremos que ouvir o médico e tentar de novo. Não é o fim do mundo; a tecnologia está tão avançada hoje em dia, a fertilização in vitro é super prática. Só vai custar um pouco mais de dinheiro, e a senhorita Fontes certamente aceitaria. Afinal, naquela época, depois de tudo o que aconteceu, eles levaram a gravidez adiante e trouxeram o Miguel para cá só para vendê-lo. Isso prova que eles topam qualquer negócio por dinheiro."

Antes mesmo que ela pudesse terminar a frase, Alison afundou o pé no acelerador e o carro arrancou com um rugido violento.

Uma onda súbita e clara de repulsa emanou dele, fazendo Mariana calar-se abruptamente.

Ela conhecia bem o gênio de Alison e sabia que ele tinha ficado profundamente irritado pelo fato de ela ter tocado no incidente de quatro anos atrás.

No passado, ela teria sido sábia o suficiente para mudar de assunto e ficar quieta, mas hoje o ciúme e a insegurança falaram mais alto.

Assim que o carro terminou de descer a montanha, ela tentou uma nova abordagem: "Eu conheço alguns especialistas renomados que ajudaram muitos casais com problemas de fertilidade. Talvez eu devesse ligar para eles amanhã?"

Alison franziu a testa, virou o rosto e lançou-lhe um olhar cortante: "Não precisa." Ele voltou os olhos para a estrada. "Já consultei o médico chefe. O Miguel não tem tempo para esperar."

Mariana abriu a boca, mas desta vez nenhuma palavra saiu.

Alguns segundos depois, ela se virou para olhar o movimento pela janela, respirou fundo algumas vezes para se controlar e conseguiu estabilizar a voz: "É verdade... o Miguel não pode esperar."

A velha senhora já havia lhe dito exatamente a mesma coisa, mas Mariana simplesmente se recusava a aceitar. Ela ainda queria tentar convencê-lo de qualquer maneira, na esperança de evitar que os dois se aproximassem novamente.

O carro finalmente parou em frente à antiga residência da família Brits. Mariana desceu, permaneceu de costas para o veículo por alguns segundos para se recompor e respirar fundo.

Então, fingindo que nada havia acontecido, bateu de leve no vidro do carro e perguntou em um tom casual: "Você tem um tempo livre amanhã? Quer almoçar comigo?"

"Não vai dar", respondeu Alison. "Estarei extremamente ocupado nos próximos dias."

Os olhos de Mariana ainda estavam marejados e vermelhos e, com aquele sorriso forçado, ela parecia vulnerável e profundamente magoada. "Tudo bem, então tome cuidado na estrada."

Alison sequer respondeu; apenas pisou no acelerador e foi embora imediatamente.

Mariana Brits permaneceu imóvel ali até que as lanternas traseiras do carro sumissem de vista. Naquele instante, sua máscara de doçura desmoronou por completo. Com um semblante sombrio e tomado pelo ódio, ela entrou rapidamente na casa.

Assim que pisou na sala de estar, arremessou a bolsa de grife contra o sofá com violência.

Havia pessoas na sala que se assustaram com o baque. "Mariana, o que aconteceu?"

Mariana olhou para a pessoa à sua frente, com os olhos transbordando de lágrimas, mas cheios de um profundo ressentimento: "Por que você me instigou a fazer aquilo quatro anos atrás?! Você tem noção do tamanho do estrago que me causou?!"

Pouco tempo depois de dar a partida e deixar Mariana em casa, o celular de Alison começou a tocar no painel.

Ele pegou o aparelho, olhou o visor e atendeu a ligação. "Senhorita Fontes."

Do outro lado da linha, ouvia-se o som forte do vento cortando o ambiente. Anita Fontes falou, com a voz firme: "Sr. Mashini, eu pensei bem. Eu aceito o conselho do médico."

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