Mundo de ficçãoIniciar sessãoLiz
Os dias foram passando. Graças a Deus, não fui mandada embora do meu trabalho. Rezei muito, já que preciso dar um jeito na minha vida e sair dessa casa. Não aguento mais minha madrasta e sua filha, até meu pai. Já estava pronta para ir para a lanchonete quando a Cristiana entrou. — Já vai trabalhar naquele lugarzinho de puta! — fala entrando e me olhando com desprezo. — Se veio aqui para me provocar, é melhor ir embora. Juro que estou sem paciência hoje — falo, prendendo meus cabelos em um rabo de cavalo. — Nossa! Como ela está se achando! Só porque fez 18 anos, acha que já é dona de si — termina rindo, indo até minha maquiagem e jogando tudo no chão. — Você é louca, garota! — falo nervosa, voando em cima dela. Pego os cabelos dela e começo a puxar com muita força, fazendo ela gritar de dor. Então minha madrasta entra com meu pai. — O que está acontecendo aqui?! — ele grita comigo, bravo. Solto ela e ela sai correndo para perto da mãe, choramingando igual uma criança mimada. — Mamãe! Papai, eu só queria ajudar ela, mas ela, como sempre, me bateu! — Sua... puta! — grita brava a minha madrasta. — Liz, eu criei você, dei conforto, mas não dá. Realmente vejo que não dá para você continuar aqui. Hoje você não vai trabalhar. Arrume suas coisas, que vou te levar para um lugar — ele fala frio, me deixando apavorada. — Não se preocupe, pode deixar que eu mesma vou sair daqui — falo com raiva, me virando e arrumando minhas coisas. Mas ele fica nervoso e se aproxima com raiva. — Você acha que cuidei de você até agora para você sair assim...? — ele ri frio, me fazendo sentir medo. Realmente, eu não conhecia meu pai. — Como assim? Eu sempre me virei sozinha — falo indignada. Então, sem ao menos esperar, ele me acerta uma bofetada. Caio com a pancada, sentindo meu rosto vermelho e queimando. — Você me bateu... — falo colocando a mão no rosto. — Sua ingrata! — ele grita. — Arrume as coisas que eu vou levá-la a um lugar! — fala dando ordem, enquanto minha irmã e madrasta riem de mim. — Eu não vou com o senhor! — falo brava. — Já tenho 18 anos, você não pode me obrigar! — Não quero perder a paciência com você, Liz. Faça o que estou mandando. Ele sai do quarto junto com elas, me trancando lá dentro. Corro desesperada, mas dou de cara com a porta trancada. — Fique pronta e arrume suas coisas! — ele ordena do outro lado da porta. Encosto na porta, deslizo até o chão, me agacho e começo a chorar. Meu coração doía. A única família que eu tinha era ele e, mesmo assim, nunca me amou. Meus olhos enchiam de lágrimas. Sinto uma angústia terrível — medo, raiva, ódio. Juro que não sabia como descrever o que estava sentindo naquele momento. Eu me sentia abandonada, sozinha. Alguém que não tinha ninguém com quem pudesse contar ou que pudesse me proteger. Pior: eu não tinha para onde ir. Depois de algumas horas, meu telefone toca. Atendo já sem forças para pensar ou chorar. — Oi — falo para a minha amiga do outro lado da linha. — Oi, Liz! Cadê você? O chefe está aqui bravo, a lanchonete está bombando. Sua irmã acabou de chegar com o namorado dela, aquele playboy do Rodolfo — Geovana fala. — Ge, não vou conseguir ir hoje. Pode avisar o Hugo pra mim? Não estou me sentindo bem — minto, porque não podia dizer a verdade, que estava trancada no quarto e não conseguia sair. — Liz, se falar isso ele vai surtar. Tem certeza que não consegue vir? Você nunca faltou! — Eu sei... Fala que vou compensar, tá bom? — escuto passos e desligo sem me despedir. — Já está arrumada?! — ele grita destrancando a porta, mas eu continuava com a roupa do trabalho. — Como não se arrumou ainda?! — grita bravo. — Não pretendo sair — falo desafiando. — Já sabia que você iria fazer isso. Entrem! Começam a entrar três homens fortes, com tatuagens, me olhando. Sinto um calafrio. Algo me dizia que estava em uma enrascada. — Quem são eles? — me levanto, brava. — Como manda alguém entrar assim no meu quarto?! — grito, mas os homens só me olham como se eu fosse uma mercadoria. — É essa — meu pai fala, apontando para mim. — Vamos ter só algum trabalhinho, mas acho que serve. Aquilo que você falou é verdade? — um dos homens pergunta para ele, me deixando com medo. — Ah, sim. Pode ficar tranquilo — meu pai fala, e os homens sorriem, me assustando. — O que você vai fazer comigo? — pergunto com muito medo da resposta. — Calma, Liz. Isso é só para pagar esses anos todos que te criei e você viveu aqui de graça. Agora é hora de retribuir tudo, não acha? — O que você fez? — pergunto com os olhos cheios de lágrimas. Eu sentia perigo. Aquele homem não podia ser meu pai. Nunca um pai iria cobrar por ter criado a filha, e muito menos tratá-la como uma empregada. — Espero que já tenha caído — ele pergunta aos homens, rindo, e olha para mim. — Até que valeu a pena ter te criado. Bom, podem levá-la — fala frio, me deixando sozinha com aqueles três homens fortes me olhando. — Não tenha medo, garota. Juro que não vamos machucá-la — fala se aproximando, me assustando. Começo a gritar desesperada. Eles começam a me agarrar. Um deles segura meus braços, me imobilizando, e outro coloca algo no meu rosto, fazendo minhas vistas escurecerem. Meu medo aumenta. Queria que tudo aquilo fosse um sonho. Queria acreditar que meu pai não teria coragem de me vender. Então tudo se apaga, meu mundo escurece e eu desmaio.






