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Capítulo 5 — Olhos que Assustam

Liz

— Onde você estava, Liz? — Amanda falou, apressada, assim que o elevador abriu e eu saí praticamente correndo.

— Amanda… me ajuda. — Minha voz saiu trêmula. — Eu acabei entrando no quarto errado.

E ainda… — engoli em seco, tentando afastar da mente aquele olhar selvagem daquele homem.

— Calma, me conta direito. Como assim entrou no quarto errado? Lá só tem dois quartos VIP. E o cartão que eu te dei estava certo, não estava?

— Eu não sei. — Apertei a testa, sentindo meu coração acelerar outra vez. — Eu estava lá limpando, normal… e do nada um homem entrou. Começou a falar comigo, do jeito como se… como se ele fosse me obrigar a ficar ali. Ele começou a dizer coisas, Amanda… Eu fiquei assustada e dei um tapa nele.

Agora não sei se ele vai me denunciar e eu vou acabar perdendo meu emprego… justo agora que eu mais preciso!

Amanda arregalou os olhos.

— Nossa, Liz. Que homem era esse? O quarto já deveria estar desocupado. Ele parecia rico?

Eu fechei os olhos, lembrando da cena.

Ele não apenas parecia rico.

Ele era o tipo de homem que exalava poder.

— Sim… ele parecia muito rico. E poderoso. Quando eu saí, vi dois seguranças armados no corredor. Isso só me deixou ainda com mais medo.

— Tá, calma — ela segurou meu braço. — Vamos ver se ele vai reclamar de alguma coisa. Você não fez nada de errado. Ele não tinha o direito de te assediar. E se o quarto estava liberado, a culpa foi das meninas da recepção que deixaram ele subir sem avisar a gente. Certo?

Respirei fundo, tentando me acalmar.

Mas aquele olhar dele… aquele olhar frio…

Parecia que poderia me obrigar ao que quisesse.

— Vamos lá — disse Amanda. — Se ele estiver lá, conversamos. A gente explica. E pronto. Também ainda temos que terminar a limpeza para irmos embora.

Voltamos juntas para o corredor.

Mas os seguranças não estavam mais ali.

Entramos no quarto e… nenhum sinal de que ele esteve ali. Nada fora do lugar.

Amanda me olhou e deu um sorriso leve.

— Provavelmente ele só veio pegar algo que esqueceu. Já aconteceu isso antes.

— Ele foi até a cama — respondi, cruzando os braços. — Foi nessa hora que aproveitei e saí correndo.

Amanda começou a rir.

— Ei, isso não é engraçado! — falei, irritada e nervosa. — Ele me deu medo. Fora que ainda perguntou se fazemos outros tipos de serviço e que pagaria bem. — Senti o estômago embrulhar só de lembrar.

— Dependendo de quem fosse… — ela provocou, rindo. — Se fosse lindo, né? Para, Liz! Parece até que você nunca namorou ninguém!

Fiquei em silêncio.

Porque, na verdade… eu realmente não tinha experiência.

— Eu… — meu rosto esquentou. — Eu fico tímida pra falar disso.

Amanda abriu a boca em choque.

— Não acredito! Liz! Você é virgem?! Meu Deus! Como uma garota tão linda nunca teve namorado?

— Shhh! — fiz sinal para ela abaixar a voz.

— Eu vou te levar para sair e conhecer uns gatinhos — disse ela, rindo.

— Eu nunca tive tempo pra isso… sempre trabalhei e estudei. Acho que por isso nunca namorei.

— Mas você é linda, Liz. Não é possível que os garotos não tentavam ficar com você.

Lembrei da época da escola.

Lembrei de como os meninos mexiam comigo, mas eu odiava aquela sensação de ser observada, julgada.

Eu até fiquei com um deles na festa da escola… e odiei.

Quando ele tentou passar dos limites, eu simplesmente saí dali e terminei tudo.

— Acho que eu nunca tive tempo… ou vontade — finalizei.

Amanda respirou fundo, mas sorriu.

— Tá… mas o homem de hoje. Pelo menos… ele era bonito?

Senti minhas bochechas queimarem.

Os olhos dele… negros, intensos.

Alto.

Cabelos escuros.

Pele clara com toque de bronze.

Um Deus.

Bonito era pouco.

Mas isso não dava o direito dele falar aquelas coisas para mim.

Eu pisquei, afastando o pensamento.

— Isso não importa — murmurei.

Mas no fundo eu sabia…

Importava sim.

— Claro que importa! — Amanda abriu um sorriso malicioso. — Se ele fosse lindo, eu dava tudo até de graça, Liz! — disse rindo, me deixando ainda mais constrangida.

Acabei rindo também.

Amanda tinha esse jeito… ela me fazia rir até quando eu achava que ia desabar.

Ela transformava o pesado em leve.

Começamos a limpar o quarto juntas.

Mesmo tentando esquecer, minha mente insistia em voltar ao momento em que ele me encarou, como se pudesse ver tudo dentro de mim.

Terminamos depois de quase uma hora.

Estávamos exaustas. Pegamos nossas coisas e descemos para ir embora.

Enquanto caminhávamos pelo corredor, eu só conseguia rezar, mentalmente:

Que ninguém venha falar comigo… que ninguém venha atrás de mim.

O medo dele reclamar que me encontrou deitada no quarto, ou que eu bati nele, me consumia.

Ele tinha seguranças, tinha poder, poderia fazer qualquer coisa comigo… e com meu emprego.

A cada passo, meu coração parecia pulsar na garganta, queria esquecer, mas aquele olhar poderoso… não saia da minha cabeça.

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