O Bilionário Que Quebrou o Contrato
O Bilionário Que Quebrou o Contrato
Por: Aurora Grace
01 - UM CASAMENTO SEM AMOR

((VALENTINA))

Muitas mulheres sonham com esse dia. Eu também sonhava com o dia em que me casaria com o amor da minha vida, em que viveria uma grande paixão, um amor verdadeiro.

Sonhava em casar, entrar na igreja de véu e grinalda, olhar para meu futuro marido com lágrimas nos olhos, emocionada, com o coração disparado e sentindo as famosas borboletas no estômago, construir uma família, ter filhos correndo pelo quintal, finais de semana com a família reunida. Mas isso não está naquele maldito contrato, e muito menos o amor. Nele só existem palavras, assinaturas e o peso que elas carregam.

Se alguém tivesse me dito, anos atrás, que eu pisaria em um altar usando o sobrenome Castellani, eu teria rido da cara dessa pessoa.

Casar justamente com Dominic?

Nem no meu pior pesadelo.

Ele foi o único homem capaz de transformar admiração em raiva. O único que eu prometi nunca perdoar.

Mas aqui estou, prestes a entrar naquela igreja e me casar com um homem que não amo. E que também não me ama. As circunstâncias me trouxeram até aqui. Mesmo conhecendo esse troglodita há tantos anos, eu nunca imaginei subir ao altar com ele.

Se ao menos minha mãe estivesse aqui comigo, talvez esse peso não estivesse me esmagando por dentro. Talvez eu não estivesse olhando esse dia lindo e, ao mesmo tempo, tão triste e vazio por essa janela. Mas ela não está.

Saí daqueles pensamentos quando ouvi batidas na porta, como se alguém soubesse que eu precisava de algum carinho. Minha querida madrasta surgiu. Foi ela quem me criou como filha desde pequena e sabia exatamente quando eu precisava de um abraço. Mesmo não sendo minha mãe, era a referência que eu tinha.

— Querida, como você está linda. — Isabel sorriu ao me ver parada em frente à janela, observando o jardim da igreja.

— Como é bom ver você, Bel. — Suspirei enquanto ela se aproximava de mim.

Isabel segurou minhas mãos frias e olhou nos meus olhos como se enxergasse o fundo da minha alma. Ela não fazia ideia do motivo daquele casamento. Não sabia por que eu estava me casando com alguém que nunca havia sequer namorado.

— Tina, por que está se casando se vejo nos seus olhos que não ama esse rapaz? E sei que você não está grávida... ou está? — perguntou daquele jeito doce que sempre teve comigo.

Suspirei pesado antes de responder.

— Porque é preciso, Bel. Eu amo você e meu pai. A vida adulta exige sacrifícios que não estão em nenhum roteiro.

Antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa, a porta tornou a bater.

— Senhorita Valença, está na hora. — disse a moça que havia me acompanhado até ali, firme, seca, sem rodeios.

— Tudo bem. Já estou indo.

A porta permaneceu aberta. A garota ficou parada do lado de fora, usando um terninho preto impecável, os cabelos presos em um coque tão perfeito que parecia ter sido desenhado. Parecia um cão de guarda esperando a ordem para agir.

Isabel acariciou meu rosto.

— Você pode não ter nascido do meu ventre, mas é a filha que sempre vou amar. Quando quiser conversar, estarei esperando.

Ela beijou minha testa.

— Obrigada, Bel. Você sempre será minha mãe de coração. Eu sei que sempre poderei confiar em você.

Retribuí seu carinho e ela saiu.

O corredor de pedra daquela igreja parecia não ter fim.

Quando finalmente cheguei à porta principal, meu pai já me esperava. Assim que segurou minha mão, seus olhos ficaram marejados.

— Filha, me perdo...

Interrompi antes que terminasse.

— Não, pai. A decisão foi minha. Cabeça erguida.

Encaixei meu braço no dele e fiz um sinal para que abrissem a enorme porta de madeira que separava minha liberdade daquele contrato.

As portas se abriram.

A música começou.

Todos se levantaram.

E então eu o vi.

Dominic permanecia imóvel diante do altar.

Nem um sorriso.

Nem um olhar.

Nem um sinal de nervosismo.

Olhava para frente como se estivesse esperando o fim de uma reunião de negócios. De vez em quando consultava o relógio discretamente.

Bossal.

Continua exatamente igual.

Frio.

Controlador.

Como na faculdade.

Meu pai caminhava ao meu lado em silêncio.

Quando chegamos perto do altar, ele beijou minha têmpora e sussurrou:

— Obrigado.

Assenti sem conseguir responder.

Dominic estendeu a mão para mim.

Foi o único toque que tivemos desde o aperto de mãos quando assinamos aquele maldito contrato.

Durante a cerimônia, percebi algumas pessoas cochichando. Outras apenas observavam em silêncio. No altar estavam apenas nossos pais, nossas madrastas, um casal de amigos meus e um casal de amigos dele como padrinhos.

Eu tremia por dentro enquanto o padre iniciava os votos.

Mesmo assim...

Eu sabia por que estava ali.

E faria tudo de novo, se fosse preciso.

— Dominic Alessandro Castellani, aceita Valentina Valença como sua legítima esposa? — perguntou o padre.

— Sim.

A resposta saiu firme.

Sem emoção.

Sem hesitação.

Sem absolutamente nada.

Quando chegou minha vez, o silêncio dentro da igreja ficou pesado.

Demorei alguns segundos para responder.

Foi quando ouvi Dominic pigarrear discretamente ao meu lado.

Revirei os olhos por dentro.

Até nisso ele conseguia ser irritante.

— Aceito.

— Eu os declaro marido e mulher. Troquem as alianças e pode beijar a noiva.

Ficamos frente a frente.

Trocamos as alianças.

Eu não esperava nenhum gesto de carinho. Na verdade, esperava apenas um aperto de mão protocolar.

Mas, para manter as aparências diante dos convidados, Dominic segurou minha mão por alguns segundos a mais do que precisava.

Seus dedos estavam quentes.

Aquilo me irritou.

Ele se aproximou devagar.

Por um instante pensei que realmente me beijaria.

Em vez disso, encostou os lábios no topo da minha testa.

Meu corpo congelou.

Raiva.

Era só raiva.

Precisava ser.

— Haja com naturalidade, Valentina... ou quer que alguém descubra nosso acordo? — sussurrou perto do meu ouvido.

Era exatamente isso que eu odiava nele. Dominic nunca perdia o controle. Nem quando estava destruindo alguém

Logo depois abriu um sorriso falso para as fotos, como se fosse o homem mais apaixonado do mundo.

Canalha.

Sorri também.

Não porque queria.

Mas porque aquele teatro ainda estava só começando.

Seguimos para o coquetel que seria realizado na mansão Castellani.

A partir daquele momento, aquela casa deixaria de ser apenas um lugar cheio de lembranças.

Seria minha nova prisão pelos próximos dois anos.

Mas eu ainda não sabia que aquele maldito contrato não destruiria apenas a minha liberdade. Ele revelaria verdades que nenhum de nós estava preparado para enfrentar

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