Mundo ficciónIniciar sesiónSerena Bianchi
Deixei o meu quarto ainda bem cedo, eu precisava aproveitar as horas que tenho antes de começar a trabalhar, precisava treinar para ganhar esse prêmio, ou os meus pais perderiam a única casa que temos; eu sei que as pessoas podem achar que não, imagina se tomariam o nosso único teto, mas podem acreditar, eles tomam sim. O meu pai trabalha de segunda a segunda limpando estradas, mas ele não consegue pagar todas as contas, minha mãe não consegue mais trabalhar e as dívidas viraram uma bola de neve, como estou trabalhando, consigo pagar as prestações mensais, mas não as atrasadas, por isso a ideia de participar do campeonato. O segurança é meu amigo e me deixou entrar na estação de esqui, a maior do mundo; aqui tem hoteis, restaurantes, lojas, é enorme e tudo muito luxuoso, como é no alto da montanha e longe da cidade, temos alojamento com quartos privativos, eu passo dias aqui e só vou a cidade nas minhas folgas.
Me assusto com o toque do meu celular.
— Alô?
— Serena, você não precisa vir trabalhar hoje, pode tirar o dia de folga; se piorar vá ao posto médico.
— Não é necessário, srta. Norabel, eu estou ótima.
— São ordens do Sr. Lucca.
O meu coração acelera, a ansiedade quer me dominar, eu não posso perder o meu emprego. As horas não passam sem nada para fazer o dia todo, todo o pessoal desse andar está trabalhando agora, somos divididos por turnos.
Com o braço imobilizado e mancando, fui até o refeitório no horário do jantar. Ao longe vi Meredith, minha amiga e companheira de trabalho, notei quando ela abriu a boca espantada, com certeza a srta. Norabel não disse o que aconteceu comigo, Meredith fez sinal para que eu fosse me sentar e em seguida me fez escolher o que iria comer e pegou tudo que eu precisava.
— Como eu não soube disso, Serena? Então por isso você não foi trabalhar. — Meri disse nervosa com as mãos na cintura em pé ao lado da nossa mesa.
— Sim, eu precisei de atendimento médico, além do que, quem me encontrou na montanha foi o Sr. Lucca. — contei envergonhada por não ter dito nada a minha melhor amiga.
— Santo Deus! Ele é mesmo bravo como dizem, você se desesperou? — Meri perguntou se sentando e muito preocupada.
— Ele foi gentil, mas não sei como vai agir. — fui sincera, deixando todo o meu medo e ansiedade pesar em minha voz.
— Não tem o que temer, você estava fora do seu horário de trabalho. — Meri disse, tentando me acalmar, mas ela estava nervosa, falava sem parar e ainda não tinha ido buscar o seu jantar.
Eu estava contando para a minha única amiga como foi que tudo aconteceu, quando sou interrompida pela srta. Norabel.
— Boa noite, Serena! Como está? De qualquer forma, amanhã não precisa ir trabalhar. — disse deixando claro em seu tom de voz que era uma ordem do alto.
— Eu estou ótima, consigo fazer tudo com uma mão só, não tem necessidade de ficar sem trabalhar. — falei nervosa com medo de perder meu emprego ou de ser perseguida pela minha chefe quando eu voltar, chefe nenhum gosta de receber ordens.
— Ordens são ordens. — ela disse confirmando minhas suspeitas..
— Ordens de quem? – perguntei sem pensar.
— Dos médicos e do Sr. Lucca, ele que te encontrou na montanha, a cena o assustou.
— Não é para tanto.
— Para garantir o seu emprego, obedeça e não vá esquiar nesse estado. Estamos entendidas?
— Sim. — Recebi o olhar de compaixão de minha amiga Meredith, ela sabe o motivo dos treinos e de tudo que tenho vivido.
🏂🏻🏂🏻
A noite passou tranquila e Meri acabou dormindo no meu quarto, ficamos conversando até tarde. Decidida a acabar com esse marasmo fui ao centro médico, mas não consegui esticar o braço e fazer os movimentos que o médico pediu, mas, já estou mancando bem menos.
— Você não pode forçar esse braço ou vai demorar mais para sarar. — explicou.
— Quanto tempo demora a recuperação completa? — perguntei ansiosa eu quero voltar a treinar o quanto antes.
— Cerca de quinze dias. — o médico disse, sem imaginar o que é para mim não treinar por quinze dias, isso pode me custar o campeonato.
— Quantos outros campeonatos já disputou? — perguntou tranquilo como se eu fosse uma atleta.
— Nenhum, mas como sabe disso? — disse espantada.
— Todos sabem que uma funcionária se acidentou treinando às escondidas para o campeonato. — ele disse sorrindo, como se fosse obvio.
— Também, a ambulância subiu a montanha até onde pôde e os socorristas me desceram de maca. — falei mostrando como acho tudo isso um exagero.
— É assim que fazemos quando alguém se machuca, Serena. Você teve sorte de não usarmos o helicóptero.
— Graças a Deus! — dise aliviada, poderia ter sido pior.
— Mas por que vai participar desse campeonato? Você tem concorrentes que treinam o dia todo, é a profissão deles. — a voz do médico era carregada de pena de mim.
— E nem precisam do dinheiro. — disse, deixando toda a amargura preencher a minha voz e percebi que mesmo que eu não tenha dito o motivo, o médico entendeu a minha razão de disputar o prêmio.
Pouco tempo depois eu implorava as recepcionistas do prédio administrativo para ser atendida pelo Sr. Lucca,.
— Moça, você imagina como ele é ocupado. — ela disse tentando me fazer mudar de ideia.
— Por favor, tente mais uma vez. — implorei, e ela aceitou ligar novamente para a sala do assessor do Sr. Lucca.







