PROLÓGO

"So close no matter how far

Couldn't be much more from the heart

Forever trusting who we are

And nothing else matters."

Metallica - Nothing Else Matters

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Em Califórnia, Los Angeles, há seus vários modos de se fazer uma cidade conhecida, vários pontos turísticos, praias maravilhosas, mas um deles é algo notório, porém outrora esquecido, os motoqueiros, popularmente chamados de MC, os que fogem das leis normais, os que fazem sua própria lei. Dentre vários clubes de MC existe um, que tem o nome de Hell's Angels, intitulado assim devido ao seu significado óbvio, eles são anjos do inferno, a caveira é o seu símbolo de clube, onde estiver essa caveira há um Hell's Angels lá.

Atualmente os Hell's Angels são liderados pelo pulso firme do Walter Jenpsen, primeiro filho do antigo Prez Wilson Jenpsen que morreu honrando seu colete em uma das batalhas contra os Mongols, outro MC perigoso, perdendo apenas para seus arque inimigos mortais desde o início do clube, os Hell's Angels. Walter tem como VP seu irmão Wayne Jenpsen que é o seu braço direito, ele foi escolhido pelo seguinte motivo, Wayne não tem coração, não um que tenha piedade com alguém além dos seus irmãos claro, Wayne é o carrasco.

Já Walter pondera no meio termo, então Wayne entra quando é preciso de coisas extremas, ele é assim porque seu pai o fez dessa forma, assim como com os demais irmãos, Willis, Wilf, Wyatt e Wylie. Nunca receberam um carinho vindo do pai, a mãe até tentava, mas o pai a proibia, dizia que ia lhes deixar fracos e seus sucessores deveriam ser fortes pelo MC, sempre o MC.

Por mais que Walter, o mais velho, tentasse levar a maior parte das punições para proteger os irmãos, ele nunca conseguiu controlar Wayne, por bater de frente com seu pai ele já teve mais ossos quebrados do que se pode contar, moldando assim seu lado obscuro. Porém, como seu velho pai queria, apto para um sem alma do MC, mas Wayne não era seu sucessor então Walter assumiu e lhe deu o segundo posto maior, sua vice-presidência.

— Walter! Eu juro que quero arrancar a cabeça desses Mongols idiotas! Mongoloides mesmo. — Wayne berra frustrado.

— O que houve dessa vez? — Walter entra no seu escritório terminando de arrumar a calça, ele estava com uma das vagabundas do clube.

— Ora o que! Aqueles bastardos nos roubaram de novo! — Ele berra furioso, um dos problemas de Wayne é a sua raiva descontrolada, isso também lhe fez apanhar muito mais.

— Respira irmão, você sabe o que acontece se não se acalmar. — Walter sempre cuidadoso com os irmãos o adverte.

— Wayne! — Willis entra também.

— O que está havendo dessa vez Willis? Ele só sabe bufa e rosnar como um cachorro raivoso. — Walter olha o irmão que está tentando se acalmar.

A última vez que Wayne se descontrolou ele quebrou toda a casa, e seu pai fez questão de lhe quebrar todo, esse dia Wayne quase morreu.

— O rato ataca novamente, levou todo nosso novo carregamento de armas, tinha AK 47, M1911, PKM, Fal, AR 15, RPG 7, UZI e outras mais. — Ele fala em lamúria.

— Porra! Nosso carregamento foda, os Outlaw estavam esperando por isso há meses, vamos perder a porra me muitos dólares, caralho! — Até Walter se irritou agora. — Preciso descobrir quem é esse rato maldito!

— E me dar ele, porque eu quero acabar com esse filho da puta do caralho, quero arrancar cada pedaço da sua pele e depois a carne até chegar no osso. — Wayne fala com um brilho no olhar, o brilho assassino que tanto Walter teme.

Seu irmão não era assim, ele se culpa por não o ter protegido das garras do pai abusivo, agora Wayne perdeu sua alma, Walter tem esperança de que um dia ele a obtenha de volta, não ter alma é o mesmo que ser o próprio demônio.

— Vão pegar algumas vagabundas do clube, principalmente você Wayne, resolvemos isso assim que nossa mente estiver mais calma.

— Isso, eu preciso mesmo me enterrar em uma boceta quente que vai engolir todo meu pau. — Willis fala animado, mas Wayne só assente.

— Que seja. — Ele passa pelos irmãos saindo sem mais outras palavras.

Sua mente quer sangue, ele teme por si mesmo, ele quer pegar o rato sujo que está lhe enganando, quer invadir o clube dos Mongols e atirar em cada filho da puta que respira, quer ver seu pai em cada bastardo imundo que matar. Isso que o motiva, ele vê o monstro que o tornou um monstro em cada vítima, isso lhe dá a necessidade de mais, Wayne tem sede de sangue, sangue do pai que jamais terá, então a sede nunca acaba.

Após despachar os irmãos Walter começou a encaixar algumas pontas soltas, como, quem mais sabia do carregamento, quem estava presente na entrega, e principalmente, o que aconteceu após o roubo. Infelizmente Walter tinha um suspeito, a questão é, o que fazer quando o rato é alguém que considera um amigo da família? Um dilema que será resolvido.

Distante desse mundo cruel, existe outro mundo cruel, onde uma adorável jovem vive, quando tinha 16 anos Rosie Rowland descobriu que nem mesmo sua progenitora a amava, como ela descobriu? Simples, em toda sua vida a pobre garota foi negligenciada pela mãe, por um motivo. Rosie nasceu com alguns problemas, o primeiro deles é que ela não pode falar, Rosie nunca conseguiu dizer uma palavra na vida, sua mãe, inconformada, lhe fazia de escrava pelo simples fato de ela ser defeituosa, um defeito que para Shania Rowland era como o um crime já que ela não teria como se gabar de um bebê quebrado.

— Você não presta para nada garota! Nada! Não fala, não lê ou escreve direito, não sabe trazer dinheiro para casa, o que espera da vida? Viver às minhas custas para sempre? — Sua mãe berra mais uma vez no dia, isso ocorre sempre, principalmente se ela beber.

Rosie não sabe o que fazer nessas horas, ela tenta não chorar ao ouvir as duras palavras da única pessoa que ela ama, da última vez que ela chorou sua mãe lhe deu uma surra, mesmo após ser adolescente, Rosie não tem a quem reclamar, a quem recorrer mesmo. Então ela engole cada palavra ruim, é isso ou viver na rua, mas o mundo lá fora é ainda mais cruel, ainda mais para uma menina tão linda quanto ela, sua mãe sente mais raiva devido ao fato de ela estar velha e feia enquanto a filha é quase a personificação do pecado.

— Suma da minha frente sua muda imprestável! Se eu ainda te ver hoje vou te dar uma surra bem dada, talvez nesse rosto maldito para ficar mais feio do que já é.

Rosie jamais fora feia, seus cabelos negros, olhos azuis e corpo esculpido jamais poderia ser considerado “feio”, porém invejosa como era, Shania jamais admitiria isso, então Rosie acredita piamente que é tudo o que a mãe diz. Mas essa noite ainda não tinha acabado para a Rosie, no meio da noite ela sentiu sede, não há como dormir bem em uma cama menor que você já que sua mãe não se importou de mudar a cama que ela tinha aos 10 anos.

Shania tinha a mania de ser namoradeira, a cada semana ela tinha um homem novo dentro de casa, mesmo tendo uma filha mulher ela nunca se importou em proteger a filha, sorte que nenhum homem até então tentou nada, mas agora Rosie era uma mulher feita, atraente e com curvas. E agora Shania conseguiu um homem que a olhasse com outros olhos, ele estava à espreita esperando a velha mulher sair de perto onde ele pudesse encontrar a Rosie sem nenhuma testemunha, afinal, Rosie jamais falaria o que aconteceu.

— Sem sono doçura? — Rosie quase derruba seu copo de água ao ouvir a voz grossa do namorado da vez.

Ela sempre teve com ela que nunca, absolutamente nunca mesmo nem chegar perto dos namorados de sua mãe, não só por sua própria proteção, mas pelo fato de que se algo acontecer Shania dirá que a culpa é da menina, sempre é. Nessa noite ela provou mais uma tese, nenhum homem é confiável, com um sorriso esperto e um andar sorrateiro Gus tentou lhe estuprar, Rosie não sabia o que fazer, gritar? Como? Correr? Só por um milagre para ela se soltar do seu aperto forte contra a parede da cozinha.

Ela sentiu nojo de si mesma, das mãos daquele homem a tocando, tentando lhe fazer mal, já Gus estava mais do que pronto, duro feito rocha, queria se enterrar na doce boceta apertada de uma virgem que ele iria descartar assim que o fizesse, ele jamais quis Shania, uma velha decrépita, sempre foi a Rosie. Como se em algum lugar do universo, alguém tivesse tido compaixão por Rosie, sua mãe desce as escadas sonolenta e dá de cara com a cena, o que toda mãe faria nesse momento? Defender a filha das garras do abusador, mas não Shania, ela jamais fora uma mãe.

— Sua vadiazinha, está querendo roubar meu homem? — Ela berra indo na direção dos dois. Até Gus se surpreendeu pela atitude da mãe.

— Querida eu posso explicar. — Rosie ainda assustada e magoada só balançava a cabeça em negativa enquanto ele falava.

— Nem se dê ao trabalho, conheço a cobra que tenho em casa. — Ela olha para Rosie com ódio e agarra os cabelos da filha pela nuca, ela sente uma dor excruciante. — Você vai embora da minha casa seu parasita, eu nunca te quis, você só estragou minha vida!

Rosie só chorava no conforto do seu quarto quando ninguém podia vê-la, ela não queria mostrar que era mais fraca do que pensavam, porém, ao ouvir isso da sua mãe as lágrimas vieram sem freio, ela amava a mãe, amava mesmo ela sendo ruim toda a sua vida. Só que ela preferiu um estranho a pessoa saída de si, ela nunca a quis, então ela descobriu que ninguém nesse mundo jamais a amou e jamais a amará, ela percebeu por fim que ela não é nada mais que um parasita no mundo, ninguém vai sentir falta.

— Quero ver como vai se virar nesse mundo fodido sozinha vadiazinha. — Ela joga Rosie porta a fora como se fosse um saco de lixo.

A garota tropeça nos próprios pés até achar o equilíbrio necessário, ela olha uma última vez para a porta onde a mulher bufa com puro ódio no olhar.

— Chora mesmo, vai fazer muito isso antes de ser morta por algum bandido, espero que não demore, agora suma, tudo que tem aqui é meu, até sua roupa do corpo, então não levará nada. — Com suas palavras ditas ela fecha a porta bruscamente deixando a jovem Rosie chorando do lado de fora sozinha na noite fria com sua roupa de dormir, um short velho e uma blusa gasta.

E assim a vida de uma bela jovem negligenciada mudou, ela teve que aprender a sobreviver nas ruas, o único jeito de ela conseguir isso foi sendo uma sombra, em um abrigo ela achou roupas novas, grandes e bem masculinas, ela não queria ser ela, isso só lhe causou dor.

Ninguém poderia ver seu corpo debaixo de tanto pano, ninguém poderia ver seu rosto feio com a sujeira e o capuz, ela estava segura, um dia iria morrer, mas por doença ou causas naturais e não como a mãe desejou, ela já aceitou o fato de não ser ninguém no mundo, um parasita solitário.

Tradução do trecho da música:

"Tão perto, não importa o quão distante

Não poderia ser muito mais do coração

Sempre confiando naquilo que somos

E nada mais importa."

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