Mundo de ficçãoIniciar sessãoAssim que Madson encerrou a transmissão, a internet entrou em estado de choque térmico.
Sempre houve boatos nos bastidores de que o CEO do Grupo Empire era um narcisista de carteirinha, mas a live provou que ele habitava um nível de autoadoração quase patológico. Em questão de minutos, o veredito dos internautas era unânime: ele era absurdamente bonito, absurdamente rico e... um completo idiota.
"Eu achei que ele fosse o homem dos meus sonhos, mas ele é só um pavão deslumbrado. Meu coração partiu! Compartilhem para mais gente ver essa vergonha!" comentou uma ex-fã.
"A 'mulher mais bonita do mundo' provavelmente fugiria desse ego gigante antes de aceitar ter um filho dele", ironizou outro.
Madson , alheio à autocrítica, atualizou sua página na internet e quase deixou o celular cair. Seus 80 milhões de seguidores haviam despencado para 50 milhões em um piscar de olhos.
— Secretário Kaleb — ele chamou, genuinamente confuso. — Eu provei que não tenho filhos bastardos. Por que perdi 30 milhões de seguidores? Isso é mais do que quando o boato começou!
O secretário Kaleb deu uma tossidinha seca, medindo cada palavra para não acabar na rua.
— Presidente... Talvez, se o senhor desse um tempo das lives, o pessoal das Relações Públicas conseguisse dar um trato na sua imagem com umas fotos mais profissionais. Garanto que os fãs voltam.
— Dar um trato na minha imagem? — Madson franziu a testa, sentindo-se genuinamente ofendido. — Com esse rosto e esse cérebro, eu fiz o faturamento da família Sanches explodir. Eu não preciso de propaganda, eu sou a própria propaganda. Quem parou de seguir não era fã de verdade. Não inventa moda e não faz nada desnecessário.
Apesar de toda a banca de arrogante, Madson sentiu lá no fundo uma pontada de mágoa. Como alguém tinha coragem de dar unfollow em um queixo esculpido daqueles, que dava gosto de admirar todo santo dia?
Enquanto isso, no escritório da Paola, o silêncio era total. Ela encarava a tela apagada do tablet, tentando digerir a personalidade, no mínimo, excêntrica do Madson.
— Diego, Anthonela... é só isso? — Paola perguntou, sem entender a estratégia do filho. — Você não disse que queria encontrar seu pai? Por que editou aquela foto se ele ia desmentir tudo em rede nacional?
Ela ainda tentava entender: se Madson fosse realmente o pai, em que momento do passado eles teriam se cruzado? Tudo parecia um quebra-cabeça faltando peças.
— Mamãe, isso foi só o aquecimento — Diego deu um sorriso de canto, idêntico ao de Madson. — Espere e verá. Eu vou fazer o próprio Madson vir pessoalmente até nós.
— O verdadeiro show começa hoje à noite, mamãe — completou Anthonela, olhando para o irmão com uma admiração radiante. — O Diego é muito capaz, não se preocupe!
Naquela madrugada, enquanto o mundo dormia, a internet voltou a ferver.
Desta vez, não era uma montagem em um portal de fofocas. Uma famosa conta de modelos infantis postou uma atualização "casual" de bastidores. Nela, um garotinho — Diego — aparecia sentado em uma cadeira, lendo um livro.
Não havia filtros. Não havia edição. O rosto da criança era, de forma incontestável e orgânica, a versão em miniatura de Madson.
Os fóruns de discussão entraram em combustão. Apostas foram feitas: "É o mesmo garoto da live? Mas o CEO disse que era montagem!", "Aquela foto da live era fake, mas este vídeo parece real demais!", "Será que o 'Rei dos Diamantes' foi enganado pelo próprio filho?"
Ao acordar cedo na manhã seguinte, Madson abriu as redes sociais por hábito e viu a nova imagem. Ele imediatamente levou o tablet para sua mesa e começou a rodar seus softwares de análise.
Dez minutos depois, o silêncio no escritório era mortal.
As mãos de Madson tremeram levemente. Seus algoritmos de reconhecimento facial deram 99,9% de compatibilidade. Mais do que isso: a análise de pixels confirmou que a imagem não fora manipulada.
Como se uma bomba tivesse explodido em sua mente, o homem que se considerava o ápice da genética humana olhou atônito para a foto.
— Não pode ser... — sussurrou ele para as paredes vazias. — Como pode existir alguém exatamente igual a mim?
Madson percebeu, com um frio na espinha, que o "garoto da montagem" não era uma invenção digital. Ele era real. E ele estava em algum lugar da cidade, esperando por ele.







