Mundo de ficçãoIniciar sessão
O consultório do Hospital Central tinha um cheiro estéril de silêncio e presságio. Paola Arantes sentia o suor frio colar a blusa de seda às suas costas. Ao seu lado, a Sra. Sanches — uma mulher cuja nobreza era tão rígida quanto o gelo — tamborilhava os dedos cravejados de diamantes na poltrona.
— Doutor Moura, fale logo — ordenou a matriarca. — Minha nora está pronta para a inseminação? O herdeiro dos Sanches não pode esperar.
O Doutor Moura ajustou os óculos, a expressão sombria. O papel em suas mãos parecia queimar.
— Sra. Sanches... os exames revelam que o procedimento é desnecessário. Paola já está grávida de quatro semanas.
O mundo de Paola girou. O choque foi uma pancada física que a deixou sem fôlego. Grávida? Como, se seu marido, Fernando, definhava em uma cama de hospital em estado vegetativo desde o dia do casamento?
— O quê? — O grito da Sra. Sanches rasgou o ambiente.
Antes que Paola pudesse processar a própria confusão, o estalo de um tapa violento ecoou pela sala. A força do golpe jogou o rosto de Paola para o lado, o gosto metálico do sangue invadindo sua boca instantaneamente.
— Sua vadia imunda! — A nobre avançou, agarrando os cabelos de Paola e batendo sua cabeça contra a quina da mesa de carvalho. — Você se vendeu por dez milhões para ser a esposa de fachada do meu filho e agora ousa trazer o bastardo de outro homem para debaixo do meu teto?
— Eu... eu não sei como... — Paola tentou articular, mas a dor lancinante e o sangue que começava a escorrer por sua testa nublaram sua visão.
A expulsão foi impiedosa. Asturo Sanches interveio apenas para evitar um homicídio no consultório, arrastando a esposa enfurecida para fora. Naquela mesma noite, Paola foi jogada na rua com nada além de um acordo de divórcio assinado e a mancha da infâmia. Ela perdeu tudo: o sustento para o tratamento da mãe, sua dignidade e sua fé na justiça.
Seis anos depois...
O brilho dos refletores de um estúdio de elite em Pequim agora iluminava uma mulher diferente. Paola Arantes não era mais a jovem assustada com sangue na testa. Ela exalava uma aura de poder e mistério, observando seu filho, um menino de beleza hipnótica, posar para as lentes.
O fotógrafo, Alonso, um homem cujo sucesso só era superado por sua arrogância, aproximou-se com um sorriso lascivo.
— Ele é incrível, senhorita. Mas sabe... para ele chegar ao topo, você precisa de contatos. O número do meu quarto de hotel está no verso deste cartão. Me procure hoje à noite e farei dele uma estrela.
Paola sorriu. Era um sorriso frio, que não chegava aos olhos. No segundo seguinte, um estalo seco de osso ecoou pelo estúdio. Alonso gritou quando Paola torceu seu pulso com uma precisão cirúrgica.
— Eu não negocio com lixo, Alonso — sibilou ela, desferindo um chute certeiro que o fez dobrar-se no chão. — Se tocar em mim ou no meu filho novamente, eu garanto que você nunca mais conseguirá segurar uma câmera.
— Mamãe, o desinfetante — Diego aproximou-se calmamente, entregando um frasco para a mãe com uma maturidade assustadora. — Não deixe o rastro dele nas suas mãos.
Paola olhou para o filho e sentiu o coração apertar. Ele era a imagem cuspida e escarrada de Fernando, o homem que o mundo acreditava ser incapaz de gerar vida. O segredo por trás daquela gravidez impossível estava prestes a vir à tona, e desta vez, Paola não seria a vítima. Ela seria o pesadigo da família Sanches.







