Mundo de ficçãoIniciar sessãoJOSÉ RICARDO
Vejo seus olhos se encherem de lágrimas com a minha pergunta.
— Eu já sabia desde mais cedo, mas não. Absolutamente não. Meu bebê não tem pai. O homem que eu estava prestes a construir uma família, me colocou para fora da sua vida. Carlos Eduardo Velaz me dispensou como se eu fosse uma qualquer. Quer dizer, meu bebê não tem pai, eu sou mãe solteira e vou cuidar do meu filho, sozinha.
No seu olhar eu vejo uma determinação invejável.
E se eu já odiava o desgraçado do Carlos Eduardo e toda a corja dos Velaz, odeio ainda mais.
— O médico falou sobre a necessidade de você ficar em repouso. Realmente não tem alguma pessoa que eu possa ligar?
— Não, eu realmente sou sozinha. Era filha única e meus pais morreram há cinco anos em um acidente. Bem, quer dizer, eu era sozinha, pois agora tenho meu bebê que será meu companheiro.
Maria Fernanda acaricia a sua barriga demonstrando já amar o seu bebê.
— Eu não posso te deixar aqui e ir embora.
— Não precisa se preocupar Sr. José Ricardo, vou me cuidar.
Como?
Quase não se sustenta nas próprias pernas.
— Posso pelo menos te levar até sua casa?
Ela abaixa a cabeça acho que envergonhada e responde:
— Ainda não sei para onde vou, pois entreguei meu apartamento. Hoje à noite eu iria me mudar para casa do Cadu. Então, para ser sincera, a única coisa que eu tenho por lá são as minhas malas arrumadas, mas darei um jeito, sempre dei.
Meu coração fica apertado por testemunhar o seu sofrimento.
— Então você vai para a minha casa e vou pedir para minha governanta cuidar de você até se sentir melhor.
Maria me olha assustada.
— Essa oferta é demais para mim. Ainda assim, agradeço.
Eu imaginava esta reação.
— Não posso aceitar uma resposta negativa. Você ficará lá até se sentir melhor. Eu também sou sozinho desde que os amores da minha vida morreram, minha esposa e filha. Ter alguém em casa, pode me fazer bem, e por outro lado um vai fazer companhia ao outro. E eu tenho algo a lhe confessar.
— O que, senhor?
Me aproximo.
— Odeio os desgraçados dos Velaz e dá para ver que você é mais uma vítima deles, aceite a minha ajuda Maria Fernanda e venha morar comigo, eu serei um pai para você e um avô para o seu filho.
Ela fica pensativa.
É normal, sou um desconhecido. Acabo de chegar em sua vida.
— Eu não sei. Não parece certo.
— Por favor, pense com cuidado. Quando Carlos Eduardo descobrir que você terá um filho dele, poderá tirar o seu bebê e estando em minha proteção, isso não acontecerá.
Ela fica atordoada.
— Isso me dá muito medo. Não sei o que fazer, não posso perder meu bebê.
Vou para o seu lado.
— Venha comigo, por uma semana ou mais, você decide, fique apenas o necessário até se sentir segura. Você e esse bebê pode ser a segunda chance que a vida me deu para eu ter uma família.
MARIA FERNANDA
Fico pensativa, na minha cabeça passa um filme de tudo. Das lutas que enfrentei sozinha e venci, porém agora tenho um bebê em minha barriga e não posso pensar mais somente em mim.
E sem apoio, como conseguirei concluir os meus estudos.
Será que é certo aceitar essa proposta do Sr. José Ricardo?
Depois das suas palavras, os meus olhos se abriram, ter a possibilidade de perder o meu bebê para o Carlos Eduardo seria terrível e isso me apavora.
Estou sem moradia, perdi a minha família e nunca fui de ter muitos amigos. Os que restam, não vão poder me acolher nesse momento. Mas por outro lado acabei de conhecer o Sr. José, ele não parece querer me fazer algum mal, muito pelo contrário, está me oferecendo a chance de criar meu filho com dignidade.







