Mundo de ficçãoIniciar sessãoIAN
IAN ESTAVA FURIOSO. Além do mais, havia outros sentimentos que tomavam conta das atitudes e não apenas pelas Marcas que faziam parte do corpo. Era pela presença da garota que seria morta. A garota que era uma vizinha. Por que ele não a deixou morrer? Instinto. Algo o fez salvá-la. Ele só não sabia o quê. Talvez fosse o cheiro que emanava da pele dela e... Então era ela a fonte daquele aroma. Aquilo pareceu crescer um pouco dentro de si, ao mesmo tempo em que o sentimento de ódio aumentava. SIM!, a Marca da Ira exultou. Mate-o! Ian segurou Hugo pela garganta e o levantou sem dificuldade. Não se importou se alguém os veria, porque sabia que os irmãos estavam vigiando para que nada saísse do controle. Era sempre assim que as coisas funcionavam. — Quem é ela? — Ian apertava um pouco mais aquele pescoço. Hugo arquejou em busca de ar e o som fez com que a Marca do Javali vibrasse em euforia. Finalmente estava alimentando-a. — O que o Azira tem contra a garota? — Ian apertou mais um pouco, até que perdeu a paciência e bateu a cabeça de Hugo na parede. — Seu miserável de merda, não me teste. Você se perdeu e agora quer matar a garota — comentou, sentindo as presas crescerem dentro da boca. — Que tal soltar a língua, Davis? Ou posso arrancá-la, se isso ajudar. — Vá... se... foder! — foi tudo o que conseguiu ouvir. Antes que Ian se desse conta, as garras saíram dos dedos dele e havia sangue por todo o lugar. Hugo não tinha mais a cabeça no corpo. O Javali pareceu satisfeito, embora as asas de Ian quisessem sair das costas para aliviar a irritação. Estar daquela forma o transformava de um homem para um Monstro. Um Monstro Amaldiçoado que não tinha controle das ações, que não tinha consciência do que realmente fazia. Era como existir uma outra pessoa dentro de si, embora ele soubesse que não existisse ninguém além dele e as Sete Marcas. Ian respirou fundo, tentando encontrar autocontrole para não continuar a esquartejar aquele maldito. No meio daqueles odores detestáveis, o cheiro da vizinha o acalmou. Olhos dele a fitaram, e perceberam que ela estava inconsciente num canto. Ela era o alvo de um dos Clãs Amaldiçoados e não havia nada a ser mudado. Muito provavelmente ela seria morta por saber de algo que não devia. E, se fosse aquele o caso, Ian daria um jeito sem causar tantos problemas. NÃO!, a Marca da Luxúria se remexeu, lembrando-o daquelas deliciosas pernas, do jeito inocente e do quanto ela era linda. Inferno. Sabia que cabia aos Líderes dos Clãs preservarem os segredos da Maldição. Passaram tanto tempo sendo caçados por inúteis que já não tinham mais paciência para aquilo. Então, não podia simplesmente deixar de cumprir com uma das responsabilidades só porque uma das Marcas se agradou de uma garota. Trincou os dentes, tentando lembrá-la que já havia sido alimentada naquela noite, e ela relaxou. Aquilo também foi um incentivo para a Marca da Ira, que fez com que Ian voltasse à forma normal das mãos e das presas. Ele olhou ao redor e se deu conta de que Bamby e Bina os observava. Eles pareciam cautelosos. — Tudo bem, Chefinho? — Bina deu um passo à frente e Ian apenas assentiu. Voltou a atenção para a garota e os pés o guiaram até lá. Percebeu que ela tinha um corte no rosto, provavelmente tinha sido no momento em que levou um tapa. Sentiu uma leve irritação ao perceber aquilo, antes de se abaixar para poder pegá-la nos braços. Reparou que as mãos estavam sujas, grunhiu uma imprecação e tentou limpar nas calças. Ao ficar um pouco satisfeito com o resultado, se aproximou dela novamente, sentiu a fragrância mais uma vez, e se perguntou por que não havia percebido aquele cheiro pela varanda. O vento deve ter... Ele parou o pensamento quando notou as pernas dela de perto, e eram bem mais bonitas. A Marca nas costas ardeu em aviso. Ian imaginou correntes e cordas envolvendo aquele Pecado somente para controlar o que começava a sentir. — Ele era um Perdido, mas cedo ou mais tarde se tornaria um Malddos. Deem um fim ao corpo do Davis. — Ian falou para Bamby e Bina, embora soubesse que todos os irmãos estavam ouvindo através do comunicador. — Não deixem pistas sobre o que aconteceu aqui. Sejam rápidos, acredito que o Clã de Azira virá em breve. Sinto um pouco do cheiro de Frankie nela. Com aquelas últimas palavras, ele abriu as asas membranosas nas costas e voou rapidamente para a Mansão com a garota nos braços. * Ian olhava para a vizinha que estava deitada. Ele retirou a camisa pelo enorme calor que fazia e trocou a calça suja. O cheiro dela o deixou desnorteado, por isso estava próximo à varanda recebendo o pouco vento que provinha de fora; deu mais um gole no conhaque. Foi quando ouviu passos ecoarem das escadas e se recriminou por ser pego de surpresa. Malditos aromas. A porta foi entreaberta antes de notar alguns dos irmãos entrarem. Ambos pareciam surpresos por encontrar a garota inconsciente. Bina, Nano e Ariane fitaram-no. — O que ela faz aqui? — Ariane claramente fuzilou a garota que estava deitada. — Não devo explicações, Ariane — ele disse seriamente. — Desçam e me esperem no escritório — completou, ao deixar o conhaque em cima de uma das caixas. — Mas... — Ariane deu um passo para frente, pronta para falar tolices, e Bina a puxou para que todos pudessem sair. Ainda assim, ela ainda desafiou olhar para a garota e grunhiu antes de Nano fechar a porta. Ian suspirou parecendo cansado e se aproximou da cama. Ele sentia que algo importante poderia estar em torno da vizinha, mas não levou tanto em consideração. Ela não era uma Mestiça, porque não tinha o cheiro deles. Que tipo de segredo você está envolvida? As hipóteses começaram a surgir na mente de Ian deixando-o pensativo, mas com um tempo ele teria todas as respostas, sabia daquilo. Só era tedioso esperar por elas. Sentou ao lado da garota para afastar alguns fios cacheados. Provavelmente ela não faz ideia do que está acontecendo. Se realmente soubesse de algo, não ia ficar se divertindo em uma boate, mas fugiria e se esconderia, analisou. O ideal era investigar, ainda sem causar suspeitas, assim encontraria a resposta que tanto precisava para acabar de vez com o Clã de Azira. A concorrência seria menor quanto à procura do Último Malddos e a Maldição seria desfeita apenas para o Clã Valadares. O único Clã que ainda não tinha sido seduzido completamente pelas Marcas. Levantou-se da cama, antes de ir em direção ao escritório. Ele daria ordens sobre a segurança dela, e esperava que os irmãos cumprissem o mandado.






