O carro parou em frente ao prédio do Grupo Ferraz.
Assim que desceu, Melina viu um entregador segurando um enorme buquê de rosas vermelhas entrando apressado.
Melina conhecia muito bem a embalagem das rosas e o estilo do cartão: ambos eram característicos da sofisticada floricultura onde Leonardo costumava encomendar flores.
O coração de Melina apertou, e ela inconscientemente cerrou os punhos.
Ela se adiantou e entrou no elevador com o entregador. Ao espiar o cartão, viu escrito: "Feliz aniversário, Débora. Do seu marido", e sentiu como se uma agulha atravessasse seu coração.
Então, não era apenas o quinto aniversário de casamento dela e de Leonardo, era também o aniversário de Débora.
A suposta hora extra na empresa não passava de uma desculpa para, escondido dela, comemorar o aniversário da verdadeira esposa.
Melina apertou ainda mais os punhos, tanto que suas unhas ficaram esbranquiçadas pela força.
Assim que saiu do elevador, uma voz masculina familiar soou inesperadamente em seus ouvidos.
Era Leonardo, e seu melhor amigo e sócio, Jonas Santana.
— Jonas. — A voz de Leonardo era grave e gentil, como sempre. — Hoje é o meu quinto aniversário de casamento com a Melina. Me ajude a enviar para casa aquela pulseira que fiz pessoalmente e prepare 999 rosas brancas com um cartão. Escreva: "De mãos dadas contigo, até que a morte nos separe."
— Tenho que admitir, você realmente não tem limites quando se trata da Melina. A fama de marido obcecado pela esposa é bem conhecida. Mas estou curioso, se você a ama tanto, por que insistiu em registrar casamento com a Débora? — Jonas soltou uma risada, com certo tom de curiosidade.
No corredor, restaram apenas a risada baixa do homem e o brilho intermitente da ponta do cigarro.
— Melina é o tipo de mulher que posso amar sem esconder de ninguém. Débora, porém, é diferente. Ela é quem realmente marcou minha vida. Ficou ao meu lado em silêncio, sem exigir nada, sempre compreensiva, obediente. E ainda me deu uma filha tão adorável. Eu me casei com ela como uma forma de compensar tudo o que ela fez por mim.
Melina permaneceu na sombra, com o rosto pálido e uma expressão gélida.
— Mas já se passaram cinco anos. — A voz de Jonas trazia um traço quase imperceptível de compaixão, interrompendo Leonardo. — Melina queria tanto ter um filho, e você derramou óleo no chão de propósito para fazê-la escorregar e perder o bebê. Até hoje ela não sabe... — Ele mudou o tom. — Já Débora está grávida de novo. Leonardo, você não tem medo de que Melina enlouqueça se descobrir a verdade?
O corpo de Melina enrijeceu, seu sangue parecia congelar.
Então, aquela queda inexplicável foi armada por ele!
— Débora está disposta a manter segredo para sempre. Melina não vai descobrir. — A voz de Leonardo fez uma pausa de alguns segundos, firme. — Eu amo a Melina. — Acrescentou, com sinceridade. — Quando eu não tinha nada, foi ela quem me acompanhou durante quatro anos de estudo duro. Foi ela quem juntou, tostão por tostão, os cinco milhões para eu abrir o negócio. Ela me acompanhou em silêncio no momento mais difícil da vida. Mas Débora sofreu tanto ao meu lado, não posso tratá-la mal. Quero as duas mulheres ao meu lado!
Ele ainda lembrava quem havia estado ao seu lado nos momentos mais difíceis. Mas aquelas lembranças não eram suficientes para impedir que amasse outra mulher.
Que ridículo.
As vozes se afastaram gradualmente.
Com os olhos vermelhos, Melina olhou através da parede de vidro do escritório. Lá dentro havia flores e um painel de balões, uma cena festiva.
Todos os funcionários estavam reunidos, e no centro estava Débora, sorrindo radiante, com Leonardo ao lado. Os dois estavam próximos, trocando olhares de ternura.
— Feliz aniversário, chefe! Que a senhora e o presidente sejam sempre apaixonados! E que venham muitos filhos!
As felicitações eram como agulhas cravando-se no coração de Melina.
"Chefe"?
"Que venham muitos filhos"?
Então, nesses anos em que ela ficou em casa, Débora já havia assumido abertamente o lugar de "esposa do chefe".
Não era de se admirar que Leonardo não a deixasse mais pisar na empresa. Ela sempre pensou que ele apenas queria poupá-la do cansaço de anos de trabalho duro. Mas agora sabia, ele já havia construído outro ninho de amor para outra mulher, secretamente feliz, começando sua vida dupla.
Uma para exibir, outra para satisfazer. Que conveniente.
O buquê em sua mão caiu no chão, pétalas espalharam-se como aquele relacionamento.
Vendo os rostos familiares sorrindo para Débora e a aparência feliz de todos aconchegados juntos, Melina sentiu uma profunda ironia.
Ela respirou fundo, conteve o gosto metálico na garganta e empurrou a porta.
— Ora, que animado. — Melina entrou, com a voz elevada.
Todos os olhares se voltaram para ela.
O barulho cessou instantaneamente.
No segundo seguinte, Leonardo e Débora se afastaram como se tivessem levado um choque.
— Melina, por que você veio? — Leonardo ficou visivelmente confuso por alguns segundos, caminhou rápido e segurou o pulso dela.
— Como você ainda não tinha voltado para casa, pensei em vir ver. A hora extra... você já terminou? — Melina manteve o sorriso rígido, olhando ao redor e depois fixando o olhar nele.
— Melina, você chegou na hora certa. A assistente Débora conseguiu um contrato de dez bilhões com o Grupo Oceania. É uma grande notícia, então organizei uma comemoração e aproveitamos para celebrar o aniversário dela. Você sempre foi generosa, não vai ficar brava, certo? — Leonardo apertou sua mão, a expressão tensa.
Melina ficou atônita.
Grupo Oceania era uma filial do Grupo Andrade. Eles só se associaram ao Grupo Ferraz por influência dela. Desde quando foi Débora quem conseguiu esse contrato?
Vendo o silêncio, Leonardo se apressou e fez sinal para Débora.
— Débora, você e Melina são amigas. Explique para ela.
A palavra "amiga" foi como um tapa ardente.
Melina olhou para Débora, lembrando-se de todo apoio e carinho que havia dedicado a ela nos últimos anos, seus olhos se encheram de lágrimas.
Débora congelou por alguns segundos, depois sorriu e segurou o braço dela.
— Melina, não fique brava. O presidente Leonardo não quis faltar ao aniversário de casamento de vocês. É que todos ficaram felizes por conseguir o contrato com o Grupo Oceania. O meu aniversário foi só coincidência. — Ela olhou para os outros. — O Sr. Leonardo acabou de dizer que queria terminar o expediente logo para voltar e passar o aniversário com a esposa, não foi?
Os funcionários concordaram:
— Claro, todos sabem que o Sr. Leonardo é um marido dedicado e amoroso.
— Melina, não leve a mal...
Ao ver aqueles rostos familiares que a apoiaram nos primórdios do negócio, agora seguindo Débora e proferindo palavras insinceras, o coração de Melina disparou e seus dedos cravaram na própria pele.
Ela afastou as mãos dos dois e caminhou até o bolo. Na mesa coberta por tecido vermelho, havia um broche de diamante e o buquê de rosas vermelhas.
Era o broche que ela desejava há tempos, mas havia sido informada de que já havia sido comprado.
Então, o comprador era Leonardo, mas a pessoa para quem ele o daria não era ela.
— Esse broche e as flores são lindos... — Melina desviou o olhar do rosto pálido de Débora e fitou Leonardo. — São presentes para mim do nosso aniversário de casamento?