Mundo de ficçãoIniciar sessãoAs portas duplas do quarto principal de Dante se fecharam com um clique pesado. O silêncio que se seguiu foi quase desconfortável, quebrado apenas pelo som da chuva que começara a bater forte contra as janelas de vidro.
O quarto dele era ainda maior que o meu. Dominado por tons de cinza escuro, chumbo e madeira negra, o ambiente exalava a mesma aura intimidadora do dono, uma lareira acesa no canto projetava sombras dançantes pelas paredes, e no centro, a imensa cama king-size. Eu ainda conseguia sentir o cheiro metálico de sangue na minha memória recente, minhas mãos tremiam levemente. Dante caminhou até o bar no canto do quarto, tirou o paletó e o jogou sobre uma poltrona de couro, ele serviu dois copos de uísque, em seguida, virou-se e me estendeu um dos copos. — Para os nervos — disse ele, a voz calma, como se não tivesse acabado de tirar a vida de um homem há menos de vinte minutos. — Eu não quero nada de você — recusei, mantendo distância e abraçando o próprio corpo. — Você é um monstro, Dante, matou aquele homem sem piscar. Ele deu um gole no uísque, os olhos azuis fixos em mim sobre a borda do copo. — Eu matei um traidor, Chloe. Neste mundo, se eu hesitar por um segundo, é o meu sangue que vai parar no chão. Ou o seu. — Não tente me convencer de que fez aquilo para me proteger! Dante colocou os copos sobre a mesa de apoio e caminhou devagar na minha direção, a cada passo dele, meu instinto mandava recuar, mas minhas costas bateram contra a coluna de madeira da cama. Eu estava encurralada. ele parou tão perto que pude sentir o calor do seu corpo. Ele ergueu a mão e, com a ponta dos dedos, segurou meu queixo, me forçando a olhá-lo nos olhos. — Não se engane, cara mia. Eu não sou um santo e nunca pedi que me visse como um — ele sussurrou, a voz rouca caindo como um feitiço perigoso. — Mas a partir do momento em que seu pai te entregou como garantia, você virou responsabilidade minha. E ninguém toca no que é meu. — Eu não sou sua! — sibilei, tentando virar o rosto, mas o aperto dele era firme, embora surpreendentemente cuidadoso. — Por enquanto, é — ele rebateu, um sorriso sombrio surgindo nos lábios. — E enquanto os Moretti estiverem caçando qualquer brecha para me atingir, você não sai da minha vista. Nem por um segundo. — E onde eu vou dormir? No chão? Dante olhou para a imensa cama atrás de mim e depois voltou a me encarar, com um brilho provocante no olhar. — A cama é grande o suficiente para nós dois, Chloe. A menos que você tenha medo de não resistir a mim. Senti minhas bochechas queimarem de raiva — e de algo mais que me recusei a nomear. — Você nojo de você — menti, sustentando o olhar dele. Dante se aproximou ainda mais, sua respiração roçando a minha orelha enquanto ele se inclinava. — Minta o quanto quiser para si mesma... mas seu coração tá disparado. E não é de medo. Ele se afastou, deixando um vazio frio no ar, e caminhou em direção ao banheiro. — O lado esquerdo da cama é seu. Se tentar fugir pela porta, os guardas lá fora têm ordens para te trazer de volta... nos braços deles. Escolha com sabedoria. A porta do banheiro se fechou. Eu me deixei cair na beirada da cama, o peito subindo e descendo rapidamente. O perigo não estava apenas lá fora com a máfia rival. O maior perigo estava dentro daquele quarto — e do jeito que meu corpo reagia à presença de Dante Rossi.






