Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 8 — Coincidência
Depois do jantar, a cidade parecia mais calma. A maioria das lojas já estava fechada, e as ruas estavam iluminadas apenas pelos postes e pelas luzes distantes dos carros que passavam de vez em quando. Kendra caminhava ao lado de Ethan, segurando a bolsa com uma das mãos enquanto observava a rua à frente. O silêncio entre eles não era estranho. Na verdade, parecia confortável. — Então — disse ela finalmente — você costuma levar todas as pessoas que conhece na cafeteria para jantar? Ethan sorriu. — Não. — Então eu deveria me sentir especial? — Talvez. Ela virou o rosto para ele, fingindo analisar a resposta. — Essa palavra novamente. — Qual? — Talvez. — É uma palavra útil. — Ou uma forma elegante de não dar respostas diretas. Ele riu. — Você é muito observadora. — Designer. — Eu vou ter que parar de usar essa desculpa. Eles continuaram caminhando por alguns metros até chegarem a uma pequena praça iluminada. Havia alguns bancos de madeira e árvores altas que balançavam suavemente com o vento da noite. Ethan diminuiu o passo. — Quer sentar um pouco? Kendra olhou ao redor. — Claro. Eles se sentaram em um banco próximo a uma árvore. Por um momento, apenas observaram o movimento tranquilo da praça. Uma bicicleta passou pela rua ao lado, e ao longe era possível ouvir alguém tocando violão. — Posso confessar uma coisa? — disse Kendra. — Claro. — Quando eu descobri quem você era… achei que nossa conversa na cafeteria ia mudar completamente. Ethan inclinou a cabeça. — Como assim? — Normalmente quando alguém descobre algo sobre mim ou sobre meu trabalho, tudo vira conversa profissional. — E você não gosta disso? — Às vezes sim… mas nem sempre. Ela olhou para ele. — Com você não foi assim. — Porque eu não queria que fosse. — Por quê? Ethan demorou um pouco para responder. — Porque eu gostei da forma como nos conhecemos. — Quase derrubando café? — Exatamente. Ela riu. — Foi uma introdução memorável. — Foi real. Kendra ficou em silêncio por um momento, pensando na palavra que ele havia usado. Real. Ela percebeu que raramente tinha conversas assim. Sem expectativas. Sem pressão. — Eu gostei também — admitiu. O vento passou suavemente entre as árvores da praça. Algumas folhas caíram lentamente ao redor deles. Ethan observou o rosto de Kendra por alguns segundos. — Posso confessar outra coisa? — Agora estou curiosa. — Quando eu entrei na cafeteria no primeiro dia… eu já tinha visto você antes. Ela franziu a testa. — Sério? — Sim. — Onde? — Em uma revista sobre design. Kendra abriu um sorriso surpreso. — Então você sabia quem eu era desde o começo. — Sabia. — E mesmo assim fingiu que não sabia? — Não foi fingimento. Eu só preferi não mencionar. Ela cruzou os braços, divertida. — Você é misterioso. — Eu diria estratégico. — Empresário. — Exatamente. Os dois riram. O silêncio voltou por alguns segundos. Mas dessa vez havia algo diferente nele. Algo mais intenso. Kendra percebeu que Ethan estava olhando para ela de uma forma mais profunda agora. E, sem perceber, ela também estava fazendo o mesmo. O rosto dele estava iluminado pela luz suave do poste próximo. O olhar tranquilo de sempre agora parecia carregado de algo novo. Ela sentiu o coração acelerar levemente. Ethan se aproximou um pouco mais no banco. Não muito. Apenas o suficiente para diminuir a distância entre eles. Por um momento, parecia que o mundo ao redor havia ficado completamente silencioso. Kendra sentiu a respiração prender. Ethan inclinou levemente o rosto na direção dela. Mas então… Um carro passou pela rua ao lado com os faróis iluminando a praça. O momento quebrou. Kendra piscou e desviou o olhar, rindo nervosamente. — Acho que está ficando tarde. Ethan recostou novamente no banco, também sorrindo. — Acho que sim. Eles ficaram em silêncio por mais alguns segundos. Ambos sabiam exatamente o que quase tinha acontecido ali. E, de alguma forma, aquilo tornava tudo ainda mais interessante. Depois de alguns minutos, eles se levantaram e começaram a caminhar novamente. — Posso te acompanhar até sua rua? — perguntou Ethan. — Pode. Enquanto caminhavam lado a lado, Kendra percebeu algo importante. Aquilo já não parecia apenas uma coincidência. Nem apenas encontros aleatórios na cafeteria. Era o começo de algo que estava crescendo lentamente entre eles. Algo que nenhum dos dois parecia disposto a interromper. Quando chegaram à esquina da rua dela, Kendra parou. — Obrigada pelo jantar — disse ela. — Eu que agradeço por ter aceitado. Ela sorriu. — Acho que vou precisar voltar à cafeteria amanhã. Ethan levantou uma sobrancelha. — Pelo café? Kendra abriu um pequeno sorriso. — Talvez. Ethan riu. — Boa resposta. Ela se virou para ir embora, mas antes de entrar na rua, olhou para trás. Ethan ainda estava ali. Observando. E sorrindo. Naquele momento, Kendra percebeu algo curioso. Ela já estava ansiosa pela manhã seguinte.






