O sol ainda não tinha vencido a linha do horizonte quando o comboio surgiu na zona portuária como uma mancha de sombra em movimento. Furgões pretos e blindados avançavam sem pressa, com faróis reduzidos e motores contidos, deslizando pelas ruas vazias da Praça Mauá como se a própria madrugada abrisse caminho para a guerra. O céu tinha aquele tom indeciso entre chumbo e cinza, e o porto parecia suspenso num silêncio doentio, como se soubesse que, em poucos minutos, deixaria de ser território com