Capítulo 08

Quando olhei o homem mais de perto, percebi que era o mesmo que havia despertado meu interesse na noite anterior.

Acho que o destino realmente estava tentando nos unir de alguma forma.

Ele também me encarou por alguns instantes, até que um dos jogadores limpou a garganta e chamou sua atenção.

Antes de voltar ao jogo, lançou-me um discreto sorriso.

Enquanto observava cada movimento, fiquei impressionada com a precisão com que conduzia a partida.

Jogava com tanta maestria que era impossível desviar os olhos.

Mas o vovô Sanches havia me ensinado inúmeras técnicas, entre elas a arte de trapacear sem jamais ser descoberta.

Por isso reconheci imediatamente o que estava acontecendo.

Ele trapaceava.

Os movimentos eram tão sutis que ninguém naquela mesa percebia.

Ninguém... Exceto alguém que tivesse sido treinada pelo melhor.

Meu abuelito era conhecido como o "Rei da Trapaça."

Quando herdei seu legado, passei a ser chamada de "Princesa da Trapaça."

Já havia me aposentado daquela vida, mas agora precisava voltar ao jogo para conseguir a ajuda de que tanto necessitava.

Continuei acompanhando a partida quando meu celular vibrou.

Era uma mensagem da Bianca.

"Amiga, encontrei um alvo em potencial."

Li rapidamente e respondi.

"Já encontrei o que procurava. Avise às meninas que podem aproveitar a noite e se divertir."

A resposta veio quase no mesmo instante.

"Ok."

Travei o celular e voltei toda a minha atenção para a mesa.

A cada jogada, ficava ainda mais evidente a sutileza com que ele manipulava o jogo.

Lembrei-me de uma das últimas conversas que tive com meu abuelito.

Ele dizia que, se um dia eu precisasse enfrentar a família Vidal, deveria procurar ajuda em uma mesa de pôquer.

Quem diria que, por ironia do destino, encontraria esse homem justamente no primeiro cassino que meu avô me apresentou.

Meu alvo venceu mais uma partida.

Peguei o pequeno bloco de anotações que sempre carregava na bolsa, escrevi um breve recado e pedi a um funcionário que o entregasse discretamente.

Depois caminhei até o bar.

Pedi um shot de tequila e uma piña colada.

Enquanto aguardava as bebidas, observei novamente o movimento do cassino.

Poucos segundos depois, um homem aproximou-se tentando puxar conversa.

Despachei-o antes mesmo que terminasse de abrir a boca.

Se existia um tipo de homem do qual aprendi a manter distância, era aquele que falava demais.

Geralmente, esses eram os mais perigosos, falam além da conta e nos mete e furadas.

O barman colocou minhas bebidas sobre o balcão.

Quando fui pegá-las, ele sorriu de maneira exagerada.

Ergui uma sobrancelha.

— Se quiser esticar a noite, é só me chamar.

Estendeu um cartão.

Antes que eu pudesse responder, alguém tomou o cartão de sua mão, amassou-o e o jogou de volta sobre o balcão.

— Ela já está acompanhada.

A voz grave arrancou um sorriso dos meus lábios.

O homem a quem eu havia enviado o bilhete sentou-se ao meu lado.

— Desculpe pela demora.

Sorri.

— Não demorou tanto assim. Então... o que vai beber?

Ele abriu um sorriso cheio de malícia.

— O que eu realmente quero beber não seria apropriado dizer aqui.

Piscou para mim.

— Mas aceito uma dose tripla de uísque.

Chamei novamente o barman e fiz o pedido.

Enquanto sua bebida era servida, aproveitei para observá-lo melhor.

Era ainda mais bonito de perto.

Seus olhos lembravam um céu claro em um dia ensolarado.

— Acho que devemos começar pelas apresentações. O que acha? — perguntou.

Assenti.

— Prazer. Phillipa Sanches.

Estendi a mão.

Seu aperto foi firme, seguro e, ao mesmo tempo, cuidadoso.

— O prazer é meu. Leonardo Ferraz.

Aquele nome despertou uma lembrança.

Onde já o tinha ouvido?

Então a ficha caiu.

— Você é o CEO do Grupo Ferraz de Sá?

Ele sorriu.

— O próprio.

Fez uma breve pausa.

— E você é a famosa CEO e fundadora da Sanches Group?

Sorri de volta.

— A própria.

Ele riu.

— Ora, ora... como o mundo é pequeno.

— Nem me fale.

Retirei discretamente os brincos em formato de dados.

Fechei os olhos por um breve instante.

Se o destino realmente quiser essa parceria, a soma será maior que nove.

Lancei os dados sobre o balcão.

Eles giraram por alguns segundos antes de pararem.

Dez.

Sorri.

Recolhi os brincos e os coloquei novamente nas orelhas.

Voltei minha atenção para o homem à minha frente.

Além de ser um CEO extremamente conhecido, possuía um patrimônio semelhante ao meu.

As possibilidades daquela parceria eram praticamente infinitas.

Inclusive acabar, de uma vez por todas, com o Grupo Vidal.

Respirei fundo.

— Parece que o destino realmente quer nos unir.

Sorri.

— Tenho uma proposta para você.

Leonardo inclinou levemente a cabeça para o lado, apoiou um dos cotovelos sobre o balcão e sustentou o rosto com a mão.

Um sorriso curioso surgiu em seus lábios.

— Sou todo ouvidos.

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