Mundo ficciónIniciar sesiónAs mãos dele em minha cintura pareciam marcar a minha pele através do tecido fino do espartilho. Eu tentei empurrar os ombros largos de Adrian, juntei as poucas forças que me restavam para apoiar as palmas das mãos contra o peito dele, mas era como tentar mover uma parede de concreto.
— Para... Adrian, para — o protesto saiu fraco, sufocado pelo hálito quente dele que descia pelo meu pescoço.
— Eu tentei — ele murmurou contra a minha pele, a voz tão rouca que parecia vibrar dentro do meu próprio peito. Os olhos dele me encararam, nublados pela névoa daquela substância, mas fixos em mim com uma possessividade assustadora. — Eu juro que tentei passar direto por você. Mas eu não consigo respirar, porra.
O palavrão saiu baixo, uma confissão de derrota que me pegou desprevenida. O homem implacável que tinha me olhado como se eu fosse lixo duas horas atrás estava ali, desarmado, implorando com os olhos por algo que ele claramente não entendia.
Antes que eu pudesse raciocinar, ele segurou meu rosto com as duas mãos. O toque não foi bruto como antes; os dedos dele acariciaram a linha do meu maxilar com uma urgência trêmula. Quando seus lábios cobriram os meus novamente, a resistência que eu tentava sustentar ruiu. O desespero da ligação do hospital, o medo de perder minha tia, a solidão esmagadora que eu carregava há anos... tudo sumiu, engolido pelo calor da boca dele.
Eu cedi. Meus dedos se enroscaram nos cabelos escuros da nuca dele, o puxando para mais perto enquanto o som da chuva finalmente começava a estalar no asfalto do beco.
Adrian soltou um gemido baixo, um som de aprovação que me arrepiou inteira. Ele abriu a porta traseira do carro com um movimento rápido, sem quebrar o beijo por um segundo sequer, e me puxou para dentro com ele. O espaço do banco de couro cheirava a luxo e isolamento. O motorista não estava lá; éramos apenas nós dois e o som da tempestade do lado de fora.
As mãos dele eram ágeis. O espartilho que me sufocava a noite toda foi aberto com uma facilidade que me fez soltar o ar dos pulmões de uma vez. Quando a pele dele tocou a minha, direta e sem barreiras, meu corpo reagiu com um espasmo de pura eletricidade. Ele desceu os beijos pelo meu pescoço, pela linha da minha clavícula, mapeando cada centímetro meu como se estivesse faminto.
— Você está queimando — sussurrei, sentindo o suor leve em sua testa quando ele voltou a erguer o rosto sobre o meu.
— É você, garçonete — ele respondeu, os olhos azuis focados na minha boca. — Você está fazendo isso comigo.
— Victoria, meu nome é Victoria.
Adrian deu um sorriso de canto. Havia uma intensidade ali que me assustava, mas o desejo era um incêndio que já tinha saído do controle. Quando a mão dele subiu pela minha coxa, tateando a barra da saia curta, um lampejo de pânico me trouxe de volta à realidade por um milésimo de segundo. Eu segurei o pulso dele.
— Espera... Adrian, por favor. Vai devagar.
Ele parou instantaneamente. A respiração dele estava ofegante, os ombros subindo e descendo, lutando contra o próprio impulso que a bebida tinha amplificado. Ele me encarou, tentando decifrar o medo nos meus olhos.
— O que foi? — a voz dele saiu mais suave, um sussurro rouco e estranhamente protetor.
— É... é a minha primeira vez — confessei, o rosto queimando de vergonha. Eu mal conseguia olhar para ele. Esperava que um homem como Adrian Foley risse, largasse uma garçonete virgem de bar e mudasse de ideia.
Em vez disso, o olhar dele mudou. A névoa selvagem nos olhos azuis pareceu recuar por um instante, dando lugar a uma surpresa profunda e a algo que parecia... cuidado. Adrian exalou o ar lentamente, relaxando o peso do corpo para não me esmagar no banco.
Ele levou a mão até o meu rosto, afastando uma mecha de cabelo que estava colada no meu rosto suado.
— Olhe para mim, Victoria — ele pediu. Foi a primeira vez que ele usou meu nome, e o som na voz dele fez meu coração errar uma batida. — Eu vou ser gentil. Eu prometo.
A promessa não parecia vir do CEO arrogante, mas de um homem que, mesmo perdido em seus próprios sentidos alterados, escolheu me proteger. E ele cumpriu.
Cada toque que se seguiu foi uma lição de paciência. Adrian me despiu dos restos daquele uniforme humilhante como se estivesse lidando com algo precioso. Quando ele finalmente me possuiu, a dor inicial foi rapidamente afogada por uma onda de calor e uma atenção tão meticulosa aos meus limites que eu me esqueci de quem ele era do lado de fora daquele carro.
Fomos um só sob o ritmo compassado da chuva, em uma bolha onde o gélido Adrian Foley era puro fogo e devoção.
O cansaço e o efeito do estresse dos últimos dias finalmente me venceram quando a madrugada começou a clarear. Adormeci com a cabeça apoiada no peito dele, ouvindo o batimento calmo do seu coração, acreditando ingenuamente que o mundo tinha mudado.
Acordei com o feixe de luz do sol batendo direto nos meus olhos.
Não estávamos mais no carro. Eu estava deitada em uma cama king-size enorme, lençóis de fios egípcios brancos cobrindo meu corpo nu. O quarto de hotel era a definição de luxo minimalista. Olhei para o lado, esperando encontrar o mesmo homem que tinha me abraçado a noite toda.
A cama estava vazia.
O som do chuveiro parou no banheiro adjacente. Segurei o lençol contra o peito, o coração acelerando de repente, uma sensação ruim começando a se instalar no meu estômago. Poucos minutos depois, a porta se abriu.
Adrian Foley saiu de lá de dentro. Ele já estava vestindo uma calça social preta e abotoando as mangas de uma nova camisa branca, impecável. O cabelo estava penteado para trás, ainda úmido. Mas o que me fez congelar na cama não foi a beleza dele.
Foi o olhar.
Os olhos azuis que tinham me encarado com tanto cuidado horas atrás agora eram duas pedras de gelo. Não havia um traço do homem da noite passada. Ele sequer olhou na minha direção enquanto terminava de ajustar o relógio de ouro no pulso. A aura de desprezo e controle absoluto estava de volta, mais forte do que nunca.
Ele caminhou até a escrivaninha do quarto, pegou uma caneta e um talão de cheques, assinando um papel com movimentos rápidos e frios.
Girei o corpo na cama, sentindo o choque térmico daquela mudança drástica paralisar meus músculos. Ele se virou em minha direção, segurando o pedaço de papel entre os dedos.
— Acordou — ele disse, a voz seca, cortante como uma lâmina. — Ótimo. Vamos resolver isso de uma vez. Quanto você quer para esquecer que essa noite aconteceu?







