Capítulo 4
Em frente aos familiares estava Daise, vestida com o pijama cirúrgico.

Ela abaixou o olhar e soltou um suspiro carregado de falsa dor:

— Sinto muito. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas o paciente não resistiu à reanimação. Ele foi a óbito.

Os familiares desabaram imediatamente. O choro explodiu pelo corredor, desesperado, dilacerante.

Daise mudou o tom de repente. Sua voz passou a carregar uma leve insinuação de culpa, direcionando o foco de forma calculada para mim.

— Na verdade, havia uma boa chance de sobrevivência. Infelizmente, a cirurgiã responsável, a Viviane, cometeu uma série de erros e, por isso...

As palavras dela foram como uma faísca jogada em um barril de pólvora. Em segundos, a fúria de todos explodiu:

— Cadê a Viviane? Por que ela não aparece?

— Assassina de jaleco! Isso não vai ficar assim!

Os familiares entraram em completo descontrole, gritando que eu deveria pagar com a vida.

Eu permaneci sentada na cadeira de rodas, em silêncio, apenas observando a expressão cínica dela distorcer completamente a verdade.

No meio da confusão, um dos familiares fixou o olhar no meu crachá no peito. Ele leu palavra por palavra:

— Médica de emergência... Viviane.

No instante em que ele falou, todos voltaram o olhar para mim ao mesmo tempo.

A esposa do paciente, que até então estava caída no chão, chorando sem forças, entrou em colapso ao ouvir meu nome. Ela se levantou de repente, com os olhos vermelhos, e avançou na minha direção como se tivesse perdido completamente o controle.

— Foi você! Foi você que foi irresponsável e matou o meu marido!

Ela agarrou com força a gola da minha roupa. As unhas dela cravaram na minha pele. O puxão violento fez a dor na minha perna direita explodir novamente.

Os demais familiares avançaram de uma vez, totalmente fora de controle. Começaram a me empurrar, me xingar e me cercar por todos os lados:

— Médica incompetente! Você matou uma pessoa!

— Você tirou uma vida! Não sente nada?

— Ela tem que pagar com a própria vida!

A fratura na minha perna direita me deixava completamente incapaz de reagir. Eu só conseguia me apoiar na cadeira de rodas, suportando a dor aguda e a humilhação.

Ainda tentei falar, reunindo forças para me defender, mas minha voz era constantemente engolida pelos gritos de raiva:

— Não fui eu! Essa cirurgia não teve nada a ver comigo! Eu não participei da reanimação em nenhum momento!

Mas, diante de familiares dominados pela fúria, minhas palavras soavam frágeis e inúteis.

Ao fundo, Daise observava tudo com frieza, vendo-me ser cercada e atacada. O canto de sua boca revelava um sorriso cruel, quase imperceptível.

— Viviane, a essa altura você ainda quer negar? — Disse Daise, fingindo estar profundamente abalada, mas elevando a voz de propósito. — Sua conduta causou um erro médico grave. Em vez de assumir a responsabilidade, você ainda finge que quebrou a perna. Eu acho que isso foi só uma forma de fugir da culpa!

Com essas palavras, ela consolidou de vez a "culpa" sobre mim.

A situação saiu completamente do controle. No meio do caos, um homem jovem gritou, tomado pela raiva:

— Quebrou de mentira, né? Vou te mostrar o que é quebrar de verdade!

Antes mesmo de terminar, ele ergueu o pé e chutou violentamente a lateral da minha cadeira de rodas. O impacto a fez tombar imediatamente.

Meu corpo perdeu o equilíbrio e despencou no chão frio.

Em seguida, ele ergueu o pé novamente e, com toda a força, atingiu minha perna direita recém-engessada.

— Aaah!

Uma dor aguda, como se meus ossos estivessem sendo rasgados, tomou conta de mim. Eu não consegui conter. Soltei um grito desesperado.

A dor era tão intensa que meu corpo se encolheu no chão, tremendo sem controle.

Ao ouvir a confusão, os policiais e Márcio correram até o local. Um dos policiais avançou no meio da multidão, me puxou para trás e me colocou sob proteção:

— Chega! Isto aqui é um hospital!

A esposa do paciente avançou e agarrou a manga do policial:

— Seu policial, por favor! Foi essa médica que tratou a vida do meu marido como lixo! Ela matou meu marido! Prendam ela! Ela tem que ir para a cadeia!

As acusações começaram a surgir de todos os lados, sobrepondo-se umas às outras. Para todos ali, eu já era, sem dúvida, a responsável por aquele "erro médico".

Apenas Daise reagiu de forma diferente ao ver os policiais. Seu primeiro reflexo foi de estranhamento, e era evidente que ela não fazia ideia do que havia acontecido comigo fora dali.

O policial que parecia ser o chefe varreu os familiares com um olhar frio e falou pausadamente, palavra por palavra:

— Então, segundo vocês, a Dra. Viviane acabou de cometer um erro na sala de cirurgia e, por causa disso, o paciente morreu?

Os familiares responderam em coro, sem hesitar:

— Sim! Foi ela!

O policial soltou uma risada curta e fria:

— Isso é completamente absurdo.

Em seguida, ele retirou o celular do bolso, ergueu-o bem alto e mostrou a tela para todos os presentes:

— Então olhem com atenção para isto aqui.

Quando Daise viu o que aparecia na tela, suas pupilas se contraíram imediatamente. Todo o sangue desapareceu de seu rosto em um instante.

Um a um, os familiares de paciente também perderam a cor. O corredor inteiro mergulhou em um silêncio absoluto.

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