Chamado de Urgência: A Conspiração no Hospital
Chamado de Urgência: A Conspiração no Hospital
Por: Montanha e Mar
Capítulo 1
Eu trabalhava como médica de emergência havia quase dez anos. Sempre considerei a vida dos pacientes mais importante do que a minha própria.

Por isso, quando atendi a ligação do setor, quase não hesitei. Dei meia-volta imediatamente e comecei a retornar. Já estava quase chegando à entrada do pronto-socorro quando algo completamente inacreditável aconteceu.

Bem diante dos meus olhos, surgiu do nada uma chuva de comentários, exatamente como aquelas transmissões ao vivo do TikTok. Fiquei paralisada. Balancei a cabeça com força e esfreguei os olhos, achando que o plantão noturno tinha me deixado em estado de exaustão mental. Mas os comentários continuavam lá, firmes, rolando acima da minha cabeça:

[Acabou, acabou. Assim que você pisar na sala de cirurgia, o hospital vai anunciar a morte do paciente.]

[Eles só estão esperando você entrar para te transformarem no bode expiatório.]

[Na hora decisiva, todo o centro cirúrgico vai encobrir a filha do diretor, Daise Rios, e vão atribuir a morte ao seu erro médico.]

[Você precisa ter muito cuidado!]

Abri a boca, em choque. Daise tinha sido minha colega de quarto durante quatro anos na faculdade, além de minha melhor amiga. Por que ela escolheria justamente a mim para levar a culpa?

Inúmeras perguntas começaram a girar na minha cabeça, e por alguns segundos eu não soube como reagir.

Nesse momento, ouvi pessoas na calçada comentando sobre um acidente de trânsito no cruzamento próximo.

— Há pouco, um Bentley caiu no rio. Vocês viram?

— O motorista já foi levado para a sala de reanimação. Pelo jeito, era alguém importante.

Logo em seguida, meu celular vibrou duas vezes. Eram mensagens da Daise:

[Viviane, onde você está? Ande logo!]

[A preparação pré-operatória já foi concluída, estamos todos esperando você subir para a cirurgia!]

[Se apressa, estou te esperando na porta do centro cirúrgico!]

Ao ler aquelas três mensagens urgentes, senti meu sangue gelar. Seria possível existir uma coincidência desse nível? Justamente um paciente com grande influência, justamente naquele momento, e justamente a Daise me pressionando para correr até a cirurgia.

Forcei-me a pensar com calma. Em teoria, era apenas mais um caso de emergência. O pronto-socorro tinha vários médicos de plantão. Que motivo poderia exigir especificamente que eu, uma médica que acabara de sair de um plantão noturno, voltasse imediatamente para operar?

Quando pensei dessa forma, as palavras que surgiam na tela invisível pareceram ainda mais plausíveis.

Se eu vestisse o uniforme cirúrgico, naquele instante eu me tornaria o cordeiro levado ao abate. Toda a responsabilidade pela morte do paciente recairia sobre mim.

Com todos os colegas confirmando a mesma versão e apontando o dedo contra mim, eu não conseguiria me defender nem se estivesse diante de Jesus em pessoa. Não tive coragem de continuar esse raciocínio. Quanto mais eu pensava, mais um arrepio percorreu meu corpo.

Encarei as mensagens insistentes da Daise e não respondi imediatamente. Já tinham se passado quase dez minutos desde o primeiro chamado.

Em questão de segundos, tomei uma decisão dentro da minha mente. Se aqueles comentários diziam que eu seria incriminada…

Então eu apostaria tudo nessa suspeita.

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