Mundo de ficçãoIniciar sessãoLUÍS
Nara foi embora de novo e só me restou mergulhar de cabeça no trabalho. Não quis mais saber nada relacionado a ela, nem por onde andava. Nesse meio-tempo, tentei colocar minha vida em ordem. Organizei outra campanha para a minha empresa e a modelo continuou sendo Natália, que prontamente aceitou o convite, mesmo contra a vontade de Alfredo, seu marido, que morre de ciúmes dela. Nunca vi nada igual. Jamais imaginei que ele sentisse um amor tão grande por Natália. Minha vida agora se resume à empresa e ao hospital. Hoje foi mais um daqueles dias em que passei o expediente inteiro de plantão. Quando já estava quase encerrando o trabalho, Richard apareceu me convidando para sair. Mesmo cansado, aceitei, porque precisava respirar um pouco. Ele me levou ao barzinho que sempre frequentamos. Sentamos um de frente para o outro. — Luís, você vai morar no hospital agora? Que homem difícil você está ficando. — Richard disse, cruzando as mãos sobre a mesa. — Não moro lá, e você sabe disso. O que aconteceu dessa vez? — perguntei, desanimado. — Vai ficar assim para sempre por causa da Nara? Reage, meu amigo. — Richard aconselhou. — O que eu não consigo entender é a Nara viver de luto por um homem que já morreu. Ela confessou que ama esse homem do passado... e depois me beijou. Richard arregalou os olhos. — Quem diria que a Nara tomaria a iniciativa com você! — Ela só podia estar brincando comigo... ou então era carência. Nunca vi mulher mais complicada. — lamentei, irritado. — Luís, eu não sabia que as coisas tinham esquentado tanto assim, meu irmão. — Esquentaram... e, como sempre, ela resolveu fugir. Tentar manter ao meu lado uma mulher que ama outro homem seria humilhação demais. Richard concordou com um gesto. — Você tem razão. Não merece passar por isso. — Ainda bem que ela confessou que ama aquele homem. Eu ficaria muito pior se fosse usado por ela. Tomei mais um gole da bebida. Richard respirou fundo antes de mudar de assunto. — Eu já virei a página. Estou namorando. Sorri. — Parabéns! E a Ana? O sorriso dele desapareceu. — Infelizmente, não deu certo. Ela me contou um pouco da história dela e disse que eu não merecia uma mulher tão problemática. Richard explicou que Ana carregava muitos traumas do passado. Disse que ela nunca permitiu sequer um abraço mais demorado. Por mais que gostasse dela, entendia que não poderia esperar a vida inteira por uma cura para feridas que ele não havia causado. Os dois decidiram permanecer apenas amigos. Foi então que ele conheceu outra mulher, chamada Eva, que hoje é sua namorada. Richard é daquele tipo de homem que faz de tudo para ser feliz. Já eu... Não consigo amar outra pessoa enquanto meu coração ainda pertence à mesma mulher. Pouco depois, o ranzinza do Álvaro chegou acompanhado de uma bela mulher. Meu irmão sempre procura as mais bonitas da cidade. Nesse quesito, só perde para James. Ele nos cumprimentou e sentou conosco. Logo depois, Eva também chegou para encontrar Richard. Olhei em volta. Só havia casais. Respirei fundo. — Richard, vou para casa. Levantei-me. — Fica mais um pouco, irmão. Vamos nos divertir. — Álvaro insistiu. — Estou cansado demais para ficar no meio de tantos casais. Aproveitem a noite. Despedi-me dos dois e fui embora. Voltei para casa e para a minha solidão. Tomei um banho relaxante, pedi comida japonesa e jantei sozinho. Meu cachorro deitou ao meu lado até que eu adormecesse no sofá. Assim têm sido os meus dias. Com a sensação constante de estar vivendo um luto. --- Um mês se passou desde que Nara foi embora. Logo pela manhã, Richard me ligou para lembrar da reunião urgente que havíamos marcado. Precisávamos alinhar os detalhes da viagem para um grande evento de beleza e estética, na França, onde fomos convidados para apresentar nossos cosméticos e tratamentos. — Alô, Richard. Qual é o problema? — Luís, precisamos discutir muita coisa sobre essa viagem. Você anda muito disperso. — Está tudo certo. Não se preocupe. Vamos precisar levar modelos? Richard respirou fundo. — Sim. O difícil vai ser convencer nossas principais modelos, Ana e Natália. Sorri. — Quem diria que elas fariam tanto sucesso nessas campanhas? Aparece logo na empresa para alinharmos tudo. — Estou indo. Vou fazer o impossível para convencer as meninas. Richard chegou pouco tempo depois. Passamos horas organizando todos os detalhes da viagem. Precisaríamos de três modelos. Ana confirmou presença imediatamente. Só faltava Natália dar a resposta definitiva, porque agora, além de Alfredo, ela também precisava pensar no bebê. A namorada de Richard também viajaria conosco, assim como toda a equipe. Ficou decidido que Richard seguiria na frente com todos. Eu viajaria alguns dias depois, pois ainda tinha cirurgias marcadas. No fundo, senti que essa viagem me faria muito bem. Precisava respirar. Precisava viver. Mesmo assim, continuava aguardando a confirmação de Natália. Sabia que Alfredo não gostava da ideia de ela viajar comigo, mas precisava de uma resposta. Assim que terminamos a reunião, liguei para ela. — Alô, Natália. — Olá, Luís. Como vai? — Vai viajar conosco? Ela respondeu animada. — Vou! Acredita que o Alfredo decidiu me acompanhar? Vai a família inteira. Comecei a rir. — Quem diria... Você realmente manda naquele homem. Conversamos mais um pouco sobre o evento. Expliquei a importância daquela oportunidade. Seria um dos maiores eventos de beleza e cosméticos do mundo. Tudo caminhava para ser um grande sucesso. Meu telefone não parava de tocar. Atendi uma ligação após a outra. Em uma delas, porém, ninguém respondeu. Desliguei. Não tinha tempo para perder com trotes. Pouco depois, Carola entrou na minha sala. A famosa "gerente sorridente", como Nara costumava chamá-la. Ela é meus braços, minhas pernas e minha cabeça dentro da empresa. Extremamente competente. — Olá, chefe. Quer uma massagem? Estou achando você muito tenso. Sorri discretamente. — Estou bem, Carola. Só preciso que você resolva tudo relacionado à viagem. Estou sobrecarregado. — Você vai conosco? Seu nome não apareceu na lista enviada pelo Richard. — Não. Ainda tenho alguns assuntos para resolver. Vou viajar sozinho alguns dias depois. Ela concordou e saiu da sala. O restante do dia foi extremamente agitado. Recebi a visita dos meus pais. Richard voltou ao escritório trazendo uma pilha de documentos. Como sempre, ele conseguiu organizar um almoço de última hora com Ana e Natália. Deixei a papelada sobre a mesa e seguimos para o restaurante. Cumprimentei as meninas e conversamos apenas sobre assuntos profissionais. Como era de se esperar, Nara acabou entrando na conversa. Todos perguntaram se ela havia entrado em contato comigo. Respondi que não. Ela nunca mais enviou sequer uma mensagem. Resolvi mudar de assunto. Também queria testar uma teoria. Precisava descobrir se Richard ainda sentia algo por Ana. Olhei para ela e sorri. — Com todo o respeito do mundo, Ana... você está cada dia mais linda. Ela ficou completamente sem graça. — Obrigada... Natália sorriu. — Isso é verdade. Eu vinha dizendo exatamente isso no caminho. Olhei discretamente para Richard. Ele praticamente me fuzilava com os olhos. Sorri por dentro. Adoro provocar ciúmes nele. Richard ainda ama Ana. Só ela insiste em fingir que não percebe. Torço muito para que um dia ela consiga vencer os traumas que carrega e permita que meu amigo faça parte da sua vida. As duas estavam radiantes com a viagem. Seria a primeira viagem internacional delas. Pouco depois, encontramos os sogros de Natália, que se juntaram à nossa mesa. Como sempre, dona Lili fez questão de lembrar que ainda sonha em me ter como genro. Quando o almoço terminou, Natália foi embora com dona Lili. Fiquei encarregado de levar Ana para casa. Enquanto ela foi ao banheiro, Richard me cutucou. — Que história foi aquela de tantos elogios para a Ana? Olhei para ele e comecei a rir. — Queria saber se você ainda sentia ciúmes. Bati de leve em seu ombro. — Agora tenho certeza de que você ainda ama essa mulher. Richard apontou o dedo para mim. — Só toma cuidado. Se eu descobrir que está arrastando asa para cima dela, vai se ver comigo. Caí na gargalhada. — Fica tranquilo. Essa mulher ainda vai ser sua. O ciúme realmente cega. Richard sabe melhor do que ninguém que sou completamente apaixonado por Nara. Espero, de verdade, que um dia ele consiga viver ao lado da mulher que ama. Assim como um dia eu sonhei viver ao lado da minha.






