Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 2
Estou vivendo um inferno Fernando Estou vivendo um inferno! Acabei de me formar e assumi uma das empresas da família. Meu pai é o poderoso Hugo Freitas, dono da maior rede de farmácias do país, e, como ele é filho único, administra a Transportadora Freitas Nic de Remédios e Cosméticos e a Nic Cosméticos, que leva o nome da vovó e da minha irmã, Nic. Vovô está muito doente; ele passou a empresa para papai administrar e, com isso, ele ficou sobrecarregado e contratou um executivo para ajudar com a transportadora. Em cinco anos, o executivo quase levou a empresa à falência. Papai resolveu me passar a presidência e, com isso, me cobra resultados o tempo todo. Hoje de manhã, acordei atrasado! Tenho uma reunião às 7:30, muito importante, com fornecedores. No trajeto para a empresa, ligo para Andrey, meu assistente; ligo uma, duas e três vezes e nada dele atender. Quando dou por mim, estou com o carro derrapando para não atropelar uma estudante estúpida que não olha para o lado! Pior ainda, é boca dura, a garota me respondeu à altura, me deixando mais irritado do que eu estava; fiquei com tanta raiva! Ela tem muita sorte, pois estou com pressa! Saio com o carro em alta velocidade; não podia me atrasar para a reunião. Entro na empresa, quando chego à recepção cumprimento minha secretária, Aline, e entro na minha sala. Ela vem logo atrás com uma pilha de documentos para eu ler e assinar. Aline: — Andrey já está na sala de reuniões, chegou cedo, pois teve problema com o fornecedor de descartáveis! Vou para a reunião, Andrey está tão nervoso que nem olha para mim. Penso: por que tive que herdar tantos problemas? Já não bastavam os meus! Os fornecedores chegam, a reunião começa, não conseguimos entrar em um acordo! Eles querem lucro de 80%, ficaram loucos? Ainda fui obrigado a escutar que o outro administrador concordava. Não é à toa que a empresa está quase entrando na falência! Termino a reunião dispensando os fornecedores. Andrey fala: — O que vamos fazer? Os fornecedores de descartáveis também não aceitam a porcentagem! Entro na minha sala, Andrey atrás de mim, avisando que teremos mais duas reuniões na parte da tarde. Antes de eu responder, meu telefone toca, aparece o número de Vitória, minha namorada; tivemos uma discussão feia na noite anterior, ela quer casar. Atendo a ligação me lembrando da última briga. Antes de eu falar "alô", já me bombardeia com um monte de coisas, perguntou se eu já decidi casar, que eu teria uma semana para pensar! Fiquei tão irritado, como ela ousa me pressionar? Eu só tenho 23 anos e nem sei se a amo, sei que não vou casar. Peço para ela ter paciência, pois estou muito ocupado e pergunto se posso falar com ela mais tarde; ela fica tão irritada que desligou na minha cara! Meu Deus, mulher insuportável! Saio dos meus pensamentos quando papai entra na minha sala com tudo: — Fernando, o que você está fazendo? Se continuar assim, a empresa vai falir! Precisamos de fornecedores para distribuir para as redes de farmácia. — Papai, o senhor quer abraçar o mundo com as mãos! O senhor é o maior dono de rede de farmácias e distribuidora, como não faliu ainda? Seu administrador estava recebendo lucros só de 20% para a empresa, o capital não era suficiente para o giro. Tudo bem que ganhamos em quantidade, mas é muito gasto; mesmo a transportadora sendo nossa, tem custo com funcionários, gasolina, aluguéis, etc. Papai me olha apavorado: — Aquele idiota ficou louco, quer gerenciar uma empresa com lucros de 20%? Fico olhando para ele furioso e me pergunto: — Qual é sua estratégia? — Procurar novos fornecedores com porcentagens adequadas, afinal, lidamos com todas as classes sociais! — Ok, procure outros fornecedores e me avise assim que tiver outra estratégia. — Vou fazer algumas viagens essa semana, preciso ver pessoalmente como andam os estoques dos galpões e também gerenciar a transportadora, pois fornecemos para vários países! Papai me olha e fica em choque, como deixou os negócios chegarem a esse ponto? Me pede desculpas: — Desculpa, filho, negligenciei a empresa quando confiei nas mãos de um estranho. — Tudo bem, vamos resolver, e como anda o funcionamento da empresa do vovô? — Graças a Deus, essa está de vento em popa! Está difícil manter o estoque, o giro está ótimo; penso que não percebi que as farmácias estavam com problemas porque usamos a mesma transportadora e, através dela, o giro do dinheiro é ótimo. Eu respondo: — Sim, papai, a transportadora Freitas Nic não pode ser a responsável pelo sucesso das farmácias, estaríamos só mantendo trabalho nas farmácias sem lucro! — Sim, entendo, é muito trabalho para eu resolver sozinho, graças a Deus você assumiu as farmácias e vai me ajudar com a transportadora. Assim que Nic se formar, ela assume a Nic Cosméticos e eu fico responsável só pela transportadora. Vamos conseguir colocar tudo nos lugares! Ele sai sem se despedir; papai e sua mania autoritária! Hora do almoço, saio com Andrey, ele continua estressado, pergunto: — Andrey, qual o problema? Você hoje não atendeu minhas ligações e continua de mau-humor? — Não consigo tirar uma adolescente da cabeça! Ela mora no meu condomínio, é linda, estou começando a ficar com medo, ela é só uma menina, mas é maravilhosa! Um corpo perfeito, um sorriso cativante, muito educada. Eu o encaro: — Qual é o problema? — Ela é estudante, é novinha, eu tenho 23 anos e ela deve ter uns 17 anos, não quero atrapalhar os estudos dela! — Nossa, Andrey, do jeito que você fala parece um velho! Você também é novo, tem que conversar com a garota e ver se ela também é interessada em você. — Meu Deus, Fernando, como aguentar esperar? Você não entende, essa garota está me enlouquecendo, eu ficaria agora mesmo com ela! Eu dou risada e falo: — Se acalma, esfria a cabeça e toma cuidado para não assustar a garota!






