Coitado do meu amigo

Capítulo 3

Coitado do meu amigo

Fernando

Dou risada do Andrey. Ele é um jovem muito bonito! Alto, moreno claro, tem olhos castanhos, muito educado! É de uma família de classe média, a família Ferraz. Andrey Ferraz é advogado e se tornou meu assistente quando eu assumi a empresa; nos tornamos grandes amigos!

Coitado do meu amigo, tantas mulheres gostosas para se apaixonar. Se apaixonou logo por uma garota tão nova! Isso pode dar problemas: a menina já tem idade para namorar, mas precisa muito mais de atenção do que uma mulher já formada, fora que é uma idade difícil, está começando a vida agora e é tudo muito novo. É meu amigo, boa sorte!

Saio de meus pensamentos e voltamos para a empresa, temos mais duas reuniões. Vitória me liga de novo! Senhor, essa mulher vai me deixar doido! Vitória Santos, temos a mesma idade, ela é formada em marketing digital, é uma patricinha mimada e, para falar a verdade, sou o maior culpado disso, sempre fiz tudo por ela.

Na minha família, o homem sempre foi o supridor das necessidades, então quando comecei a namorar, assumi todas as despesas. Nunca disse não para ela, afinal, dinheiro nunca foi o problema para os Freitas. Não entendo qual a necessidade de querer casar tão rápido, tenho certeza que não a amo, nem ela a mim; começamos a namorar há dois anos.

Eu conheci Vitória na faculdade, nos tornamos amigos. Eu nunca quis várias mulheres, queria uma só, porém não queria namorar. Como sou amigo de Vitória, contei para ela. Ela deu risada e falou:

— Eu também não pretendo namorar. Que tal nós irmos nos pegando? Podemos só suprir nossa necessidade fisiológica, assim não precisamos nos envolver com ninguém!

Eu adorei a ideia, uma amizade colorida, mas as coisas mudaram na mesma semana. Nossas famílias descobriram e armaram um jantar para nós nos apresentarmos. Caralho! Isso não podia ter acontecido! E assim o que era para ser algo casual virou um namoro estressante. Eu dou tudo para Vitória, temos uma conta conjunta e dei um cartão ilimitado, ela pode comprar o que quiser. Qual a necessidade de casamento?

Atendo a ligação:

— Alô!

— Fernando, quero me casar, por favor, preciso de você diariamente!

— Vitória, estou com muitos problemas na empresa, a última coisa que preciso agora é me estressar com casamento. Você já tem de tudo, espera mais uns meses!

Ela, mais uma vez, desliga o telefone na minha cara, fico muito irritado.

Vou ter que descobrir por que essa maluca quer casar, se desde o começo tivemos um acordo que era cômodo para os dois lados: ela me satisfazia e eu satisfazia ela. Como falei, gosto de ter uma mulher só, sou fiel a mim, ao meu caráter, nunca concordei em ter várias mulheres, mas isso não é motivo para eu querer casar. Preciso de uma bebida para tirar esse peso do dia, ligo para meu melhor amigo, Paulo.

— Fala, Fernando! Está sentindo minha falta, me ligando no meio do dia?

— Engraçadinho, estou cheio de problemas, vamos sair à noite para beber?

Sinto o espanto do Paulo nas palavras:

— Beber, Fernando? Você beber! Meu amigo, o negócio é sério mesmo! Você não toma uma cerveja sequer. Nos encontramos às 21 horas no Centro.

— Ok, até lá!

Desligo o telefone e volto a ler os contratos que Aline deixou na minha mesa de manhã.

 

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