Mundo de ficçãoIniciar sessãoDanu acreditava no que podia ver e tocar, não se apegava a crenças e a coisas fantásticas, sempre buscando respostas racionais sobre tudo que ocorria com ela e com o mundo. Estava no meio de uma fase de muita falta de sorte, mas seguia firme porque sabia que ficar parada esperando milagres acontecerem não a levaria a lugar algum. Até que após um desastre marcante em sua vida, suas forças seriam levadas a prova, quando uma sequência de desventuras culminaria em um evento inimaginável. Alerta de gatilho! Esta obra trata de temas como depressão, suicídio e violência. Caso seja sensível a esses conteúdos, leia com cautela, e se sentir algum incômodo, interrompa a leitura e busque ajuda.
Ler maisMeses atrás, quando o caso de desaparecimento dos conhecidos jovens esportistas repercutiu, chocou a cidade do interior e ninguém sabia mais do que o (não) dito por Danu. O mistério é o suficiente para motivar as crianças a criarem uma canção: “Danu, Danu, com eles, partiu. Danu, Danu, com eles, seguiu. E um dia, sozinha, surgiu. Danu, Danu, onde estão? Danu, Danu, perdida do rio. Comeu suas palavras? Comeu suas almas? Danu, Danu? Onde estão? Sua cuca, o rio levou!” Só escutara essa canção infantil uma vez, o suficiente pa
Sem dizer uma palavra, ela sorri, vira e segue para dentro da gruta. Danu grita seu nome repetidas vezes, mas o som já não sai de sua boca. Por mais rápido que a persiga, mais rápido ela se distancia. Estende a mão várias vezes para a agarrar, sempre a um fio de alcançá-la. Em um dado momento, tropeça, caindo em meio ao pó e ali permanece. De onde está, ergue a cabeça e arregala os olhos, o que enxerga abaixo é um círculo perfeito de pedras arredondadas, tendo ao centro uma larga e plana com a superfície preenchida de inscrições talhadas. Pressiona o ferimento no braço, abaixa a cabeça e se põe de pé. Ao olhar novamente para o monumento, assusta-se de tal forma que a faz desequilibrar e deslizar abaixo. Quando seus pés tocam o fundo, aperta os olhos, como se estivesse tentando concentrar-se no que era real. Ao olhar novamente, sua boca abre em espanto. Parado ao lado da pedra com inscrições, há a figura em negro do homem alto, trajando chapéu, o mesmo ser que a perseguia em seus pes
Aproveita a recém-calmaria e, em um passo de cada vez, segue para fora do refeitório quando então um borbulhar inquieto de pura escuridão toma a luz ao fim do túnel — outra revoada retornava. Quase não teve tempo de abaixar e se proteger atrás da mochila. Enquanto passavam, perde as contas de quantos trombam contra seu capacete e, ao dar a volta, dá de cara com um deles pousados ao chão. O reconhece de imediato — é o batedor —, ele está em busca das manchas rubras e frescas, concentrado demais em drená-las para notar a presença da mulher. Foi então que as sobrancelhas de Danu erguem-se ao perceber tratar de seu próprio sangue quando finalmente se dá conta do ferimento no braço. Agachada, recua até bater com a mochila na parede, rasga uma tira da blusa e a amarra sobre o corte vívido. O animal insidioso agita as asas e, com suas longas patas, começa a se aproximar. Nesse mesmo tempo, Danu, cautelosa e sem desviar a atenção dele, se afasta caminho acima. Nesse hiato, um fio de água at
Como se estivesse preso sob pressão, uma espécie de gás marrom escapa de dentro, contorce o nariz e se põe apreensiva. Escolhe um longo pavio de cipó ceroso e o pôs no orifício por onde o projétil atravessara e, então, o acende. Afastada e aguarda o fogo consumir lentamente o cipó. Espera por quase meia hora, quando, por fim, lentamente adquire coragem para voltar e empurrar uma abertura na porta. O ar do lugar a faz tossir e tapar o nariz. Se afasta, retira a blusa regata e a faz de meia máscara que cobre nariz e boca. Agora, com toda a força, termina de abrir a porta emperrada a pontapés. Com a entrada escancarada, o restante de uma névoa café escapa sem pressa. Cautelosa, ilumina o local. Logo na entrada, desbaratadas latas e caixas de papelão vazias preenchem velhas prateleiras de madeira. Então segue para o outro extremo do recinto, onde encontra empilhados uns sobre os outros pacotes e mais pacotes do mesmo pó branco espalhado afora, suficiente para construir uma parede. Então,
Último capítulo