Ajuda

 Henrique olhou para o seu relógio com a sobrancelha franzida. Já fazia uns quarenta minutos em que sentia um mal estar. Levou a mão a sua barriga e recriminou a si mesmo por ter provado a comida de Isabella.

–Maldita hora em que fui confiar nela – resmungou ao levantar-se de sua cadeira. Estava indo para o seu banheiro privativo quando seu secretario surgiu segurando uma agenda. – Depois – disse mal humorado.

–Mas.. precisa ir para a reunião agora.

–Reunião? Que se dane.. estou muito ocupado – a medida que andava em direção ao banheiro sentia o seu secretario o seguir – eu estou indo, droga Bruce – deu-se por vencido ao respirar profundamente. – “O que eu estou sentindo é apenas azia.. azia” repetiu inúmeras vezes ao seguir o seu secretario pelo hotel implorando aos céus para que isso fosse verdade.

Ao adentraram na sala de conferencia do hotel viu-se rodeado de empresários e em seguida cada um foi para seu respectivo lugar.  Henrique ainda estava inquieto. A sua barriga doía cada vez mais. Já estava imaginando uma desculpa para dar quando viu que estavam esperando a sua resposta em uma das ideias dadas.

–Esse é o seu melhor? – perguntou sério sem saber o que haviam dito. Segurou o sorriso ao ver os semblantes confusos e decepcionados – Pense em algo melhor e enquanto isso eu voltarei para a minha sala. – levantou-se tentando aparentar seriedade, mas a verdade é que suava frio e temia não conseguir chegar a tempo no banheiro. Ao sair da sala, correu pelo corredor do hotel atraindo a atenção de todos os empregados. Abriu a porta de sua sala com força ao mesmo tempo em que desafivela o seu cinto, abriu a porta do banheiro e quando se sentou no vaso sanitário percebeu que não sairia dali tão cedo – maldita Stuart – praguejou, pois para ele a culpa de tudo era dela.

***

A orelha de Isabella começou a coçar, o que a fez fazer uma careta.

–Alice... você acredita no que dizem que quando sua orelha esta coçando é porque estão falando mal de você? – indagou ao olhar para a sua amiga, a qual estava sentada ao seu lado no sofá assistindo um programa qualquer.

–Seria difícil não falarem mal de você.

–Ei.. pensei que fossemos amigas.

–E eu pensei que você tivesse mais juízo.

–Ainda falando sobre o Sr Avellar? Nem ele mesmo esta se importando... Porque não relaxa?

–Relaxar? Irei fazer isso sim.. quando tudo isso acabar.

–Mal humorada – resmungou.

–Apenas quero o seu bem, Bella. Sei que se continuar com isso a única machucada será você.

Isabella olhou para a sua amiga desviando o olhar. Ela sabia que Alice tinha razão. Ela sabia que poderia se machucar ao continuar a ver Jackson tão feliz ao lado de Nicole, mas fingia não se importar. A verdade é que ainda sentia algo por ele.

***

A face de  Henrique estava mais branca que o papel que costumava assinar. Seu humor estava péssimo e não conseguia comer nada. Encontrava-se sentado no chão do banheiro com o desespero em sua face. Ele não aguentava mais ir ao banheiro. Sentia-se fraco e debilitado. Sua casa era silenciosa e naquele momento desejava ter alguém para cuidar dele. Olhou para o celular desligado, o qual não parou de tocar desde que saiu da sala de reuniões, e imaginou o que Regina estaria fazendo naquele instante.

***

Isabella espreguiçou-se ao final do filme. Olhou para Alice, a qual adormecia encostada na almofada e sorriu.

–Quem olha assim nem imagina o quão bruta ela pode ser – brincou ao levantar-se para desligar a TV. Já estava prestes a acordar Alice quando o seu celular tocou. Olhou para o visor estranhando ao ver o numero de  Henrique. O atendeu, mas antes de falar algo escutou a sua voz.

Bruce, venha pra minha casa agora... não estou bem – disse com a voz fraca – esteja aqui em quinze minutos – terminou desligando.

Isabella tirou o celular do ouvido e ficou o encarando sem saber o que fazer. Estava nítido que ele havia discado errado, mas não sabia por que sentia que a culpa era dela.

–Não sei por que, mas não estou com um bom pressentimento – murmurou para si mesma ao olhar para seu aparelho. Pensou durante alguns instantes sobre o que deveria fazer ate lembrar-se de algo. Ela não possuía o numero do secretario dele e nem ao menos sabia onde  Henrique morava – ele poderia ao menos ter enviado uma mensagem com seu endereço – resmungou ao passar a mão pelos cabelos. – Já sei! – exclamou otimista ao ir ate seu notebook. Digitou o nome de Henrique Avellar por intermináveis minutos ate encontrar o que tanto buscava — Deve ser bom ser rico desse jeito – murmurou maravilhada ao ver a imagem da casa dele junto com seu endereço na pagina de uma conceituada revista de decoração. Anotou o endereço, trocou de roupa e logo encontrava-se indo ate ele.

***

A campainha soava de forma estridente deixando o mau humorado  Henrique com o humor ainda pior. Abriu o portão da frente crente que era Bruce, mas ao abrir a porta de sua casa deparou-se com o seu pior pesadelo: Isabella Stuart.

–Sua.. Sua louca. O que faz aqui? Veio terminar o trabalho? – perguntou sem conseguir controlar a sua irritação.

–Terminar o trabalho? – murmurou confusa – vim apenas porque me ligou.

–Eu não te liguei – disse ultrajado a olhando de cima a baixo.

–Sim, ligou – sorriu ao mostrar o aparelho celular com o numero dele – vim só porque disse que estava doente. Dói algo?

–Sim. Todo meu corpo dói ao te ver. Isso se chama medo.

–Como é amargurado – sorriu ao encará-lo – não precisa se preocupar, eu vim cuidar de ti.

–Dispenso – tentou fechar a porta, mas foi impedido por ela – não vai sair?

–Não.

–Terei que chamar a policia?

–Talvez – assentiu descaradamente – não faça essa cara, sei que está sofrendo – o empurrou levemente e entrou. Olhou em volta impressionada pela decoração – imaginei que tudo seria preto e branco, mas é bem melhor. Parabéns.

 Henrique suspirou frustrado ao vê-la andar com liberdade pela sala averiguando tudo. Já estava começando a ficar sem paciência quando sentiu um mal estar.

–De novo.. – sussurrou. Olhou para Isabella e ao perceber a sua distração correu em direção ao banheiro. Trancou a porta e sentou-se no vaso pela milésima vez aquele dia. – isso só pode ser um pesadelo.

– Henrique.. me diga... o que você esta sentindo? – perguntou antes de olhar em volta e se ver sozinha. – Onde ele está?

Enquanto  Henrique praguejava no silencio de seu banheiro, enquanto Isabella ia em direção a cozinha com um sorriso estranho no rosto.

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