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3 Entrevista de Emprego Indireta

Duas horas e meia depois, finalmente havia chegado a Hudson Valley. O lugar era lindo e cercado de natureza.

— Isso definitivamente não é Harlem — sacou o celular para tirar algumas fotos. Ao ligar a tela, viu um monte de mensagens da amiga, a maioria reclamações por ela não ter ido ao ensaio. — Melhor nem responder e guardar o celular, vai até o endereço, entrega o currículo e vai direto pro clube — disse, organizando as ideias do que faria naquele dia longo e tedioso.

"Cameron era meio amarga, bom, digo 'meio' pra não dizer muito". Além disso, a relação com a vizinha não era das melhores, o que era compreensível; a avó de Alejandra era insuportável. Sem perceber, chegou ao endereço que Alejandra lhe dera.

Ao ver uma casa daquelas, engoliu em seco; o queixo quase foi ao chão. Nem em seus sonhos mais loucos esperava ver uma casa assim; tudo parecia cena de filme, aquilo era uma mansão de filme. Depois de tocar o interfone e dizer a que vinha, uma elegante loira a recebeu. Caminhava pelos amplos corredores daquela casa imensa, seguindo a moça; tudo era lindo, mas ela já estava com pressa, precisava ir embora logo, o mais rápido possível.

Chegou ao que, segundo ela, era um escritório. Quando estava prestes a entregar o currículo da amiga, o celular da moça começou a tocar; ela atendeu e, em seguida, saiu, deixando Noa sozinha. Olhou o relógio no pulso; já precisava ir, do contrário chegaria atrasada ao clube e Cameron começaria com o seu típico "eu te avisei" no modo histérica ativada.

— Oi — disse uma menininha de longas tranças castanhas e marcantes olhos azuis, entrando no escritório. — Você gosta de música? — perguntou a criança, posicionando-se para tocar violino.

Olhou para ela com tanta segurança. Em seguida, começou a tocar uma linda melodia que a levou a tantas lembranças de sua mãe; quando criança, queria tocar algum instrumento, a música era sua paixão junto com a dança, mas, infelizmente, teve que seguir outro caminho. A melodia terminou e a menina fez uma reverência, como se estivesse se apresentando em uma filarmônica.

— Você é muito boa — elogiou a talentosa criaturinha, dando umas palmas de aplauso.

— Obrigada — respondeu a menina. — Pratico há um ano.

A pequena deixou o violino e o arco sobre uma mesa de centro. Caminhou até uma estante, tentava alcançar um livro, mas não conseguia, pois estava um pouco alto para ela.

Deixou a pasta na escrivaninha ao seu lado.

— Eu te ajudo — pegou o livrinho que, ao olhar bem, mais parecia um álbum de fotos do que um livro.

Um homem entrou, dirigindo-se à escrivaninha; pegou algumas pastas com pressa.

— Papai! — cumprimentou a menina o pai.

— Oi, princesa — Alexander notou a presença da moça. Aproximou-se, intrigado, pois não a havia visto antes. — Quem é você? — perguntou ele, em tom sério.

— Eu sou...

— Senhor Von Parker, eu não sabia que o senhor estava aqui — falou Kate, nervosa. Nada estava dando certo naquela manhã. — Eu já ia lhe levar esses documentos, senhor, de verdade, eu...

— Kate, quem é essa moça? — perguntou Alexander, ignorando as desculpas de sua assistente.

A citada olhou para a mulher ao lado de Luna; por um momento, havia esquecido que ela era uma das candidatas a babá.

— É uma das garotas que vou entrevistar para ser a babá da Luninha — respondeu a assistente, esperançosa de que o chefe não ficasse bravo.

— Você vai ser minha babá? — perguntou Luna, com um tom de emoção na voz.

Aquilo não estava saindo como ela esperava.

— Não, espera, eu não...

— Sim, papai, eu quero que ela seja minha babá — disse a menina, aproximando-se do pai.

— Não, desculpem, eu só vim entregar o currículo de uma amiga.

Precisava explicar aquele assunto confuso antes que saísse do controle. Alexander olhou para a filha, agachando-se na altura da menininha de cabelos castanhos; ainda assim, a pequena se mostrou inconformada. Achou estranho Luna agir assim com uma pessoa estranha. Em geral, sua filha não era muito apegada a ninguém.

— Luninha, você já ouviu a moça; ela só veio deixar o currículo de uma amiga — tentou explicar à filha, com paciência, a situação, pois já sabia o que viria a seguir.

— Mas eu gostei dela — retrucou a menina, fazendo um bico de desagrado. — Vai, papai, eu quero que seja ela.

Alexander entregou as pastas a Kate e, em seguida, pegou Luna no colo; a menina começou a chorar.

— Luna, filha, me escuta — pediu o executivo, acariciando os cabelos castanhos da menina.

— Não quero — reclamou Luna, com o rosto enterrado no pescoço do pai. — Luna, não chora, tá?

Aquela menina a comoveu; era extremamente sensível, algo que ela não havia visto antes em uma criança da sua idade.

— Senhorita, a senhora consideraria ao menos aceitar o trabalho? — propôs Alexander à moça. Ele nunca havia visto aquela reação em sua filha com nenhuma babá.

— Eu vim aqui entregar o currículo da minha amiga, me pareceria desonesto pegar o possível emprego dela...

— Não encare assim — interveio Kate, apertando as pastas contra o peito. — Olha, explica para a sua amiga; a Luninha quer você como babá e, de verdade, o salário é muito bom. Só que você tem que morar aqui, é um trabalho com residência inclusa.

Lembrou que precisava logo procurar para onde ir; aquele trabalho não parecia nada mal, mas, por outro lado, tinha a Lexi, ela confiava nela.

— E então, moça? — questionou Kate, esperando que a resposta fosse afirmativa. Ela queria uma babá logo; fazia apenas dois dias que estava lidando com a filha do chefe e já não aguentava mais as excentricidades da pequena; o trabalho dela era ser assistente executiva do CEO, não babá de uma menininha mimada e exigente.

— Vou falar primeiro com a minha amiga e, dependendo do que ela me disser, tomo uma decisão.

— Bom, espero que tome uma decisão logo. Tenha em mente que o tempo é curto, liga para este número — disse Kate, entregando um cartão.

— Tudo bem.

Despediu-se da loira chamada Kate e da pequena Luna. Saiu apressada daquela mansão, pois havia perdido muito tempo.

Alexander colocou Luna no chão; a menina parecia triste. Não gostava de vê-la assim; era um pouco sufocante lidar com a condição de sua filha pequena, e tudo piorou quando sua esposa morreu. Ele ficou sozinho no cuidado da filha e havia muitas vezes em que acabava frustrado.

— Ela vai ficar? — perguntou a menina, com olhinhos súplices.

Ele pegou as mãos da menina, olhando para ela com ternura.

— Vamos torcer para que sim, princesa. Agora vai brincar, tá? Tenho trabalho.

Quando Luna saiu do escritório do pai, ele voltou ao seu semblante sério de sempre.

— A Luna raramente gosta da companhia de alguém de fora do seu círculo. Se essa mulher aceitar o trabalho, investigue muito bem quem você está contratando, Kate, conto muito com isso — disse o loiro, sério, saindo por onde sua filha havia saído minutos antes.

Kate suspirou cansada, respirando fundo. Estava cansada da filha do chefe; arrependia-se de ter sido promovida àquele cargo.

— Droga — resmungou a loira, furiosa. Não tinha paciência para crianças. — Só espero que essa de ser a garota compreensiva com o chefe valha a pena.

Dito isso, saiu atrás de Alexander, dando passadas largas e fazendo seus saltos altíssimos ecoarem pelo chão.

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